Norah Lange (Buenos Aires, 23 de outubro de 1905 – Buenos Aires, 4 de agosto de 1972) foi escritora e poeta argentina.
Biografia NorahAo nome dado a ela por seus pais, Nora, a escritora acrescentou a letra final 'h' na década de 1920, por sugestão do poeta espanhol Guillermo de Torre, futuro marido da pintora Norah Borges, que ela conheceu por meio de seu irmão Jorge. "Ele me convenceu de que o 'h' era como uma pluma que dava mais destaque às duas sílabas insignificantes". A variação ortográfica 'Norah' aparece pela primeira vez no segundo livro de poemas Los días y las noche (1926) . Lange nasceu em Buenos Aires em 23 de outubro de 1905, filha do engenheiro e geógrafo norueguês Gunnar Anfin Lange e da irlandesa-norueguesa Berta Juana Erfjord. Norah passou a infância em Mendoza e completou seus primeiros estudos em inglês, geografia, história e religião com Miss Whiteside, uma governanta inglesa.. A sua educação, que começou de forma privada, continuou numa escola local, onde aprendeu a dominar seis idiomas.. Em 1934, Norah fica noiva de Oliverio Girondo, com quem em 1937 vai a morar em uma casa na rua Suipacha, onde passaria grande parte do resto de sua vida. Girondo, quinze anos mais velho que ela, pertencia a uma família rica que lhe permitiu, desde muito jovem, estudar na Europa e viajar para diferentes partes do mundo. Foi um dos fundadores da revista Martín Fierro e da editora Sudamericana, formou-se em Direito em Buenos Aires. Em 1961 o marido de Norah sofre um acidente cujas consequências sofreria até o fim de seus dias. Em 24 de janeiro de 1967, Oliverio faleceu em Buenos Aires e foi sepultado no Cemitério da Recoleta. Em 1970, Norah saiu da casa na rua Suipacha e doou cerca de 500 livros que pertenciam à biblioteca de seu marido ao Museu Isaac Fernández Blanco de Arte Hispano-Americana. Norah Lange faleceu em 4 de agosto de 1972, cinco anos após a morte de seu marido, e foi sepultada com ele no Cemitério da Recoleta.
Obra Norah Lange participou ativamente da vanguarda literária argentina entre as décadas de 1920 e 1930, ligada primeiro ao Grupo Florida, com escritores e poetas como Oliverio Girondo, com quem se casou em 1943, Leopoldo Marechal e Jorge Luis Borges. Na década de 1920 estreou nas revistas ultraístas Prisma, Proa e Martín Fierro (1924-1927) e publicou três livros de poemas, seguidos nas décadas seguintes por vários romances e uma coletânea de discursos. Nesse mesmo período, Lange ganhou o título de "musa dos ultraístas". Edwin Williamson, em sua biografia sobre Jorge Luis Borges, afirma que Norah Lange, por quem o escritor teria se apaixonado, desempenhou um papel central como sua musa. No entanto, Norah se interessou pelo poeta Oliverio Girondo, a quem ele mesmo apresentou a ela em 1926. Segundo o biógrafo, isso representou para Borges um dos acontecimentos mais traumáticos de sua vida. Norah também inspirou o poeta e escritor argentino Leopoldo Marechal, que a imortalizou em Adán Buenosayres no personagem Solveig Amundsen. Em entrevista de 1965, Norah admitiu a importância que sua relação com Borges e seu futuro marido Oliverio Girondo representava para sua obra: "Devo a duas pessoas o que há de valor em minhas obras: a Jorge Luis Borges, os anos de minha iniciação na literatura; a Oliverio, para o resto da minha vida. Se eu não os tivesse conhecido, tenho certeza de que meus trabalhos seriam muito diferentes do que são"..
Entre 1925 e 1930 a escritora compôs três livros de poesia. O primeiro, La calle de la tarde (1925), escrito aos vinte anos sob o nome de Nora Lange (sem o "h" final), foi publicado com prólogo de Jorge Luis Borges, posteriormente republicado como ensaio no primeiro livro de prosa do escritor argentino, Inquisiciones (1925), e a capa ilustrada por sua irmã, Norah Borges. Sua tia, Maria Estela Erfjord, era esposa de Francisco Eduardo Borges, tio paterno do escritor e filósofo Jorge Luis Borges.. Esse vínculo familiar aproximou os dois escritores do meio literário argentino. Norah Lange publica as coletâneas de poesia Los días y las noches em 1926 e El rumbo de la rosa em 1930. Em outubro de 1927, a autora publica seu primeiro romance, Voz de la vida (1927), em formato epistolar, inspirado em seu relacionamento com Oliveiro Girondo. Na época a obra teve uma boa recepção no círculo de intelectuais martinfierristas,. mas foi alvo de uma crítica muito negativa por parte do jornalista e escritor socialista argentino Ramón Doll que criticou a obra nas páginas da revista cultural Nosotros usando argumentos estéticos e morais.
No final do ano de 1927, Norah viajou para Oslo, Noruega, para visitar sua irmã Ruth, que havia se tornado mãe. Na viagem, ela era a única mulher num navio mercante, meio de transporte escolhido por razões econômicas e por recomendação do seu cunhado norueguês, que a confiou à guarda do capitão do navio. A viagem a Oslo serviu de inspiração para o segundo livro em prosa da escritora, 45 días y 30 marineros, publicado alguns anos depois. O romance era visto como um romance picaresco feminino, uma espécie de elaboração da experiência ultraísta,. uma alegoria do lugar ocupado pela escritora dentro do grupo martinfierrista. A foto de grupo tirada na festa organizada por Norah por ocasião da publicação de 45 días y 30 marineros fortaleceria esta leitura: Federico García Lorca e Pablo Neruda, em visita a Buenos Aires naquele período, Amado Villar, Jorge Larco e outros amigos do circuito vanguardista, posaram vestidos de marinheiros, enquanto Norah, no centro da foto, usava fantasia de sereia...
Em 1937, Norah publicou Cadernos de infância, que marcou uma virada em sua carreira.. Em Cadernos de infância, a autora deu lugar a uma voz mais intimista e reflexiva com grande atenção aos detalhes. A estrutura do texto é descontínua, digressiva e fragmentada, as indicações temporais são muito vagas, quase inexistentes, e as memórias são recompostas arbitrariamente.. Para alcançar o rigor da palavra certa, Norah dedicou a este livro oito horas por dia, sob a supervisão do marido Oliverio Girondo. Embora tenha definido as suas duas primeiras obras em prosa como "exercícios de treino",. a autora declarou numa entrevista que Cadernos de infância foi o livro que mais lhe custou escrever.
Nas décadas de trinta e quarenta, Norah Lange também desempenhou um papel central como organizadora dos encontros e celebrações dos membros da revista Martín Fierro. Norah preparou cuidadosamente discursos dedicados a figuras ilustres, declamados diante do público de participantes. Reunidos em 1942 no volume Discursos e posteriormente ampliado em 1968 na obra intitulada Estimados congéneres, seus dircursos revelam um estilo e um carácter completamente distintos das restantes produções em prosa.
Em outubro de 1944 foi publicado Antes que mueran, uma espécie de diário íntimo em que foram retomados alguns episódios da infância e da puberdade da escritora narrados em Cadernos de infância, estendendo-se até a idade adulta. A investigação do mundo psíquico da protagonista é desprovida de qualquer dimensão espacial e temporal e carece de enredo definido: a autora não está interessada em contar uma história, mas sim experiências individuais de seu mundo interior.
Na década de 1950, Norah Lange publicou dois romances, Personas en la sala (1950) e Los dos retratos (1956), que apresentam famílias compostas predominantemente por mulheres.Nora Domínquez osserva come negli ultimi tre romanzi la scena si svolga in un mondo "senza uomini, dove le donne sono rinchiuse nelle loro case". Cfr.: Os narradores são adolescentes comprometidos em compreender o passado e o presente através do ato de observação..
Lista de obras
Coletânea de poesia
La calle de la tarde (1925) Los días y las noches (1926) El rumo de la rosa (1930)
Romances
Voz de la vida (1927) 45 días y 30 marineros (1933) Cuadernos de Infancia (1937) Antes de que mueran (1944) Personas en la sala (1950) Los dos retratos (1956) El cuarto de vidrio (2006)
Discursos
Discursos (1942) Estimados congéneres (1968)
Obras traduzidas para o português
Prêmios e reconhecimentos
Grande Prêmio de Honra (Gran Premio de Honor), Sociedad Argentina de Escritores (SADE), 1959 Primeiro Prêmio Municipal (Primer Premio Municipal) para Cuadernos de infancia, 1937. Terceiro Prêmio Nacional de Literatura (Tercer Premio Nacional) para Cadernos de infância, 1939
Bibliografia Textos citados
Enciclopédias
Leitura recomendada
Categoria:Nascidos em 1905 Categoria:Mortos em 1972 Categoria:Argentinos de ascendência irlandesa Categoria:Poetas da Argentina Categoria:Sepultados no cemitério da Recoleta