Michael Rubens Bloomberg (Boston, 14 de fevereiro de 1942) é um empresário e político norte-americano. É proprietário majoritário e cofundador da Bloomberg L.P., da qual foi diretor-executivo de 1981 a 2001 e novamente de 2014 a 2023. Foi o 109.º prefeito de Nova Iorque entre 2002 e 2013. Filiado ao Partido Democrata durante a maior parte de sua vida até 2001, passou para o Partido Republicano naquele ano para concorrer à prefeitura e tornou-se independente em 2007. Foi o prefeito mais recente de Nova Iorque a exercer o cargo como republicano ou independente. Em 2018, voltou ao Partido Democrata e, dois anos depois, disputou sem sucesso a nomeação democrata de 2020 para presidente dos Estados Unidos. Sua fortuna era estimada em US$ 109,4 bilhões em março de 2026, o que o colocava como a 18.ª pessoa mais rica do mundo.
Bloomberg cresceu em Medford, no Massachusetts, e formou-se pela Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, e pela Harvard Business School, em Boston. Começou a carreira na corretora de valores Salomon Brothers e abriu sua própria empresa em 1981. A Bloomberg L.P. atua nos setores de informação financeira, software e mídia e produz o Terminal Bloomberg. Bloomberg passou as duas décadas seguintes como presidente e diretor-executivo da empresa. Signatário do The Giving Pledge, havia doado US$ 24,5 bilhões a causas filantrópicas até 2025. Depois de passar alguns meses dedicado integralmente à filantropia, reassumiu a direção da Bloomberg L.P. no fim de 2014.
Bloomberg foi eleito o 109.º prefeito de Nova Iorque em 2001. Exerceu três mandatos consecutivos, com reeleições em 2005 e 2009. Suas políticas eram socialmente liberais e fiscalmente moderadas, e sua administração adotou um estilo gerencial tecnocrático.
Como prefeito, criou escolas públicas do tipo charter, reconstruiu infraestrutura urbana e apoiou o controle de armas de fogo, medidas de saúde pública e proteções ambientais. Também conduziu o rezoneamento de grandes partes da cidade, o que permitiu ampla construção comercial e residencial após os ataques de 11 de setembro. Seus três mandatos alteraram políticas municipais, práticas empresariais e aspectos da vida cultural da cidade. O programa policial de revista e abordagem conhecido como stop-and-frisk recebeu críticas intensas. Bloomberg defendeu o programa durante anos, mas pediu desculpas por esse apoio pouco antes de sua candidatura presidencial de 2020.
Em novembro de 2019, quatro meses antes da Super Terça, Bloomberg lançou oficialmente sua campanha pela nomeação democrata à presidência na eleição de 2020. Encerrou a campanha em março de 2020, depois de conquistar apenas 61 delegados. Gastou US$ 935 milhões de recursos próprios em sua candidatura, estabelecendo um recorde de custo para uma campanha de primárias presidenciais e de gastos políticos por uma única pessoa nos Estados Unidos. Em 2024, recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade do presidente Joe Biden.
Origens e educação
Bloomberg nasceu em 14 de fevereiro de 1942 no St. Elizabeth's Hospital, no bairro de Brighton, em Boston. Era filho de William Henry Bloomberg, contador de uma empresa de laticínios, e Charlotte Bloomberg, nascida Rubens. Seu pai nunca ganhou mais de US$ 6.000 por ano, equivalentes a cerca de US$ 110.000 em valores de 2026. William Henry Bloomberg morreu repentinamente quando o filho ainda estava na universidade. O Bloomberg Center da Harvard Business School recebeu esse nome em homenagem a William Henry.
A família de Bloomberg é judaica, e ele é membro do Temple Emanu-El, em Manhattan. Seu avô paterno, o rabino Alexander "Elick" Bloomberg, era um judeu polonês. O avô materno, Max Rubens, era um imigrante judeu lituano oriundo do território que corresponde à Bielorrússia, e sua avó materna nasceu em Nova Iorque, filha de imigrantes judeus lituanos.
A família viveu em Allston até Bloomberg completar dois anos, passou os dois anos seguintes em Brookline e depois se estabeleceu em Medford, subúrbio de Boston, onde ele permaneceu até depois de concluir a universidade.
Bloomberg tornou-se Eagle Scout aos doze anos. Formou-se na Medford High School em 1960. Depois ingressou na Universidade Johns Hopkins, onde entrou para a fraternidade Phi Kappa Psi. Na universidade, confeccionou a fantasia de gaio-azul usada pelo mascote da instituição. Graduou-se em 1964 com um Bachelor of Science in Engineering em engenharia elétrica. Em 1966, recebeu o grau de Master of Business Administration pela Harvard Business School.
Bloomberg é membro da Kappa Beta Phi e da Tau Beta Pi. Escreveu a autobiografia Bloomberg by Bloomberg com auxílio de Matthew Winkler, editor-chefe da Bloomberg News.
Carreira empresarial
thumb|Exemplar do Terminal Bloomberg exposto na coleção permanente do Computer History Museum
Em 1966, Bloomberg foi contratado pela Salomon Brothers, grande banco de investimentos de Wall Street, com salário anual de US$ 9.000. Mais tarde, foi promovido para a mesa de negociação de ações. Tornou-se sócio-geral da Salomon Brothers em 1972. Chefiou a negociação de ações e depois o desenvolvimento de sistemas. A Phibro Corporation comprou a Salomon Brothers em 1981. A nova administração demitiu Bloomberg e pagou-lhe US$ 10 milhões por sua participação na empresa.
Com o dinheiro recebido da Phibro, Bloomberg, que havia projetado sistemas financeiros computadorizados de uso interno para a Salomon, criou uma empresa de serviços de dados chamada Innovative Market Systems, ou IMS. Sua ideia era que as empresas de Wall Street pagariam mais por informações comerciais de alta qualidade fornecidas instantaneamente por terminais de computador e apresentadas em formatos úteis. A empresa vendia terminais personalizados que forneciam em tempo real dados de mercado, cálculos financeiros e outras análises a empresas de Wall Street. O terminal, inicialmente chamado Market Master, foi lançado em dezembro de 1982.
Em 1986, a IMS mudou seu nome para Bloomberg L.P. Produtos complementares como Bloomberg News, Bloomberg Radio, Bloomberg Message e Bloomberg Tradebook foram lançados nos anos seguintes. A Bloomberg L.P. teve receita de aproximadamente US$ 10 bilhões em 2018. Em 2019, possuía mais de 325 mil assinantes de terminais e empregava 20 mil pessoas em dezenas de localidades.
Nas décadas de 1980 e 1990, o ambiente da Bloomberg L.P. foi comparado ao de uma fraternidade universitária, com funcionários se vangloriando no escritório de suas experiências sexuais. Funcionárias processaram a empresa quatro vezes por assédio sexual, em casos que incluíram a alegação de uma vítima de que havia sido estuprada. No aniversário de 48 anos de Bloomberg, colegas publicaram o livreto The Portable Bloomberg: The Wit and Wisdom of Michael Bloomberg. Entre as frases atribuídas a ele, algumas foram mais tarde criticadas como sexistas ou misóginas. A publicação de 1990 incluía uma observação de que, se as mulheres quisessem ser conhecidas por sua inteligência, passariam menos tempo na Bloomingdale's e mais tempo na biblioteca, e uma piada de que, se os terminais Bloomberg pudessem praticar sexo oral, as funcionárias perderiam o emprego. Assessores de Bloomberg disseram ao The New York Times que ele lamentava ter feito comentários "desrespeitosos".
Ao deixar o cargo de diretor-executivo para seguir carreira política como prefeito de Nova Iorque, Bloomberg foi substituído por Lex Fenwick e, posteriormente, por Daniel L. Doctoroff, que havia trabalhado como vice-prefeito na administração Bloomberg. Depois de concluir seu último mandato na prefeitura, passou os primeiros oito meses fora do cargo dedicado integralmente à filantropia. No segundo semestre de 2014, anunciou que retornaria à Bloomberg L.P. como diretor-executivo no fim daquele ano, sucedendo Doctoroff, que dirigia a empresa desde fevereiro de 2008. Bloomberg deixou novamente a direção da empresa para concorrer à presidência em 2019.
Em janeiro de 2024, John P. Angelos chegou a um acordo de US$ 1,725 bilhão para vender o Baltimore Orioles a um grupo liderado por David Rubenstein. O grupo contava com Bloomberg, o ex-prefeito de Baltimore Kurt Schmoke, Cal Ripken Jr., o gestor de investimentos Michael Arougheti e o ex-jogador da NBA Grant Hill.
Patrimônio
Em março de 2009, a Forbes avaliou a fortuna de Bloomberg em US$ 16 bilhões, US$ 4,5 bilhões a mais que no ano anterior, o maior aumento patrimonial registrado entre os bilionários do mundo entre 2008 e 2009. Em apenas dois anos, passou da 142.ª para a 17.ª posição na lista mundial de bilionários da revista. Na lista de 2019, ocupou o nono lugar, com patrimônio estimado em US$ 55,5 bilhões. Em 2021, sua fortuna foi estimada em US$ 106 bilhões, o que o colocou em 12.º lugar na lista da Forbes.
Prefeito de Nova Iorque
Eleições municipais
Eleição de 2001
Em 2001, o prefeito republicano Rudy Giuliani não podia concorrer à reeleição por causa do limite municipal de dois mandatos consecutivos. Bloomberg, até então filiado ao Partido Democrata durante toda a vida, decidiu concorrer pelo Partido Republicano. A votação das primárias começou na manhã de 11 de setembro de 2001. Foi adiada naquele mesmo dia por causa dos ataques de 11 de setembro. Na votação remarcada, Bloomberg derrotou Herman Badillo, ex-deputado democrata, e tornou-se o candidato republicano. Depois de um segundo turno, a nomeação democrata ficou com Mark Green, então defensor público da cidade.
Giuliani apoiou Bloomberg como seu sucessor. Bloomberg também possuía enorme vantagem financeira na campanha. Embora a legislação de financiamento eleitoral de Nova Iorque limitasse o total de contribuições que um candidato podia receber, Bloomberg não utilizou recursos públicos e, por isso, sua campanha não ficou sujeita a essas restrições. Gastou US$ 73 milhões do próprio patrimônio, cinco vezes o total gasto por Green.
Depois dos ataques de 11 de setembro, a administração Bloomberg obteve o direito de sediar a Convenção Nacional Republicana de 2004. O evento atraiu milhares de manifestantes, entre eles nova-iorquinos contrários a George W. Bush e à condução da Guerra do Iraque por seu governo.
Eleição de 2005
Bloomberg foi reeleito em novembro de 2005 por uma diferença de vinte pontos percentuais, a maior até então para um prefeito republicano de Nova Iorque. Gastou quase US$ 78 milhões na campanha, superando o recorde de US$ 74 milhões da eleição anterior. No fim de 2004 ou início de 2005, doou US$ 250 mil ao Independence Party of New York para financiar uma central telefônica destinada a recrutar voluntários para sua reeleição.
O ex-presidente do Bronx Fernando Ferrer conquistou a nomeação democrata. Thomas Ognibene tentou enfrentar Bloomberg na primária republicana. A campanha de Bloomberg contestou com sucesso as assinaturas apresentadas por Ognibene à comissão eleitoral, impedindo que o nome dele constasse das cédulas da primária.
Bloomberg se opôs à confirmação de John Roberts como presidente da Suprema Corte dos Estados Unidos. Bloomberg apoiava o direito ao aborto e não acreditava que Roberts estivesse comprometido em preservar a decisão de Roe v. Wade. Além do apoio republicano, recebeu o endosso de democratas como os ex-prefeitos Ed Koch, o ex-governador Hugh Carey, o ex-presidente do Conselho Municipal Peter Vallone e seu filho Peter Vallone Jr., o ex-deputado Floyd Flake, que já o apoiara em 2001, e o presidente do Brooklyn, Marty Markowitz.
Eleição de 2009
Em 2 de outubro de 2008, Bloomberg anunciou que tentaria ampliar o limite de mandatos da cidade e concorrer a um terceiro mandato em 2009. Em uma entrevista coletiva, afirmou que enfrentar a crise financeira sem enfraquecer serviços essenciais era um desafio que desejava assumir e que, se o Conselho Municipal alterasse o limite, pediria aos nova-iorquinos que avaliassem seu histórico de liderança independente e decidissem se merecia outro mandato.