Complexo de Israel é um território da Zona Norte do Rio de Janeiro que abrange regiões favelizadas dos bairros de Parada de Lucas, Vigário Geral e Cordovil, bem como o nome de uma organização criminosa ligada ao Terceiro Comando Puro (TCP), liderada pelo traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o "Peixão". Peixão foi justamente o responsável por delimitar e batizar a localidade, em 2020.
Diferentemente do Complexo do Alemão ou da Maré, o Complexo de Israel não representa uma localidade oficialmente reconhecida no Rio de Janeiro, mas sim um projeto expansionista do grupo armado. Outra diferença é que o território não se limita a favelas, mas abrange também localidades estruturadas, como a Cidade Alta, apesar da precariedade da infraestrutura pública.
Destaca-se a proximidade com as vias expressas da cidade, como a Linha Vermelha, a Rodovia Washington Luís e a Avenida Brasil. A posição estratégica é usada pelos criminosos para atacar o trânsito como reação às investidas policiais. Todo o território está delimitado por barricadas e vigiado por homens armados que controlam as entradas e saídas do Complexo de Israel. Mesmo aqueles que acessam o local acidentalmente podem ser alvos de tiros.
O Governo do Estado do Rio de Janeiro planeja a retomada efetiva do território no âmbito da ADPF 635, e considera essa como uma operação de média complexidade. No entanto, os detalhes do plano, incluindo prazos, não foram ainda anunciados.
As comunidades do Complexo de Israel tornaram-se célebres pela implementação de tipo um fundamentalismo evangélico denominado narcopentecostalismo, erguendo, em sua zona de controle, bandeiras de Israel e estampadas estrelas de Davi nos muros, símbolo maior do judaísmo, em diversos pontos. Álvaro Malaquias impôs uma perseguição a praticantes de religiões afro-brasileiras levada a cabo pelos integrantes da facção criminosa. Há relatos, igualmente, de embaraço ao culto católico na comunidade, embora em grau menor que o executado contra o grupo religioso anterior.
A utilização do nome "Complexo de Israel" para representar o território controlado pelo bando homônimo tem sido motivo de controvérsia na sociedade carioca. Com frequência, a cobertura policial da grande imprensa utiliza a denominação criada pela organização criminosa, em vez da denominação formal, para se referir às localidades do território dominado. Para alguns pesquisadores, há o entendimento de que a mídia contribuiu na difusão da ideologia criada pelo Peixão e no apagamento de toponímias locais.
Em 12 de fevereiro de 2025, o então prefeito do município do Rio de Janeiro Eduardo Paes, sem mencionar "Complexo de Israel", criticou a TV Globo pela maneira como se refere às localidades deste território:Toda vez eu vejo no Bom Dia Rio o pessoal com o helicóptero, lá, dizendo "ó, comunidade tal". Não é comunidade. Parada de Lucas é um bairro da cidade. Brás de Pina é uma bairro da cidade. Cidade Alta é um conjunto habitacional da cidade, tudo com infraestrutura, com equipamento públicos. Esta fala ocorreu em uma declaração à imprensa durante uma operação policial que interditou a Avenida Brasil em Parada de Lucas, Vigário Geral e Cidade Alta. Cabe destacar, porém, que, em diferentes ocasiões, autoridades públicas já utilizaram também a denominação "Complexo de Israel" diante da imprensa.
Ver também
Narcopentecostalismo
Bibliografia
Categoria:Favelas do estado do Rio de Janeiro Categoria:Complexos do Rio de Janeiro Categoria:Fundamentalismo cristão Categoria:Preconceito contra religiões afro-brasileiras Categoria:Terceiro Comando Puro