O Esporte Clube Bahia é um clube esportivo brasileiro da cidade de Salvador, capital da Bahia. Conhecido simplesmente como Bahia ou pela sigla ECB, foi fundado em 1 de janeiro de 1931 por ex-jogadores do Clube Bahiano de Tênis e a Associação Atlética da Bahia, agremiações que tinham encerrado suas atividades futebolísticas no final da década de 1920, e que ostenta como maior destaque duas conquistas do Campeonato Brasileiro de Futebol.

Foi co-fundador do Clube dos 13 em 1987, que reunia as treze agremiações mais importantes do futebol brasileiro e que representavam 95% dos torcedores brasileiros na época. Com pouco mais de 90 anos de existência, o Tricolor da Boa Terra tornou-se um dos clubes mais populares do estado e do Norte-Nordeste e do país, detendo a maior torcida dentre os clubes da sua região e a nona maior do país, de acordo com o Instituto AtlasIntel, em pesquisa feita no ano de 2024, além de ser um dos clubes do Norte-Nordeste com mais títulos oficiais na história. Segundo a empresa Sports Value, a marca do clube foi a décima quinta de maior valor no Brasil em 2023, ultrapassando os 594 milhões de reais, figurando como a maior do Nordeste. O Bahia tem como suas cores oficiais o azul, o branco e o vermelho, em homenagem à bandeira do seu estado de origem. O estado, inclusive, é lembrado no nome do clube, no escudo, na bandeira e, também, nas arquibancadas. O mascote tricolor é o Super-Homem, popular personagem das história em quadrinhos.

O Bahia conquistou o seu primeiro título do Campeonato Brasileiro em 1959, contra o Santos.CBF anuncia oficialmente a unificação dos títulos de campeão brasileiro - O Globo, 22 de dezembro de 2010 O clube também foi o primeiro representante brasileiro a participar de uma edição da Libertadores da América, em 1960. Em 1988, o Bahia conquistou seu segundo título brasileiro, desta vez derrotando o Internacional. Com tais títulos, o Tricolor Baiano é o único clube fora do eixo Sul-Sudeste a deter dois títulos nacionais da principal divisão do futebol brasileiro. O Bahia ainda foi vice-campeão brasileiro duas vezes, em 1961 e 1963. Participou da Libertadores de 1989, ocasião em que alcançou as quartas de final do campeonato, feito que nenhum outro clube do Norte-Nordeste-Centro-Oeste alcançou até então. O clube também é o maior campeão da Copa do Nordeste, com 5 títulos, e do Campeonato Baiano, com 52 títulos, sendo o segundo maior campeão estadual do Brasil no geral, perdendo apenas para o ABC de Natal, o qual soma 57 títulos estaduais.Confira os maiores campeões estaduais do país - CBF, 26 de janeiro de 2016 O Bahia por muito tempo conquistou a hegemonia do campeonato estadual, ao ponto de ter sido heptacampeão entre 1973 e 1979. O Esporte Clube Bahia é o clube do Nordeste com mais participações na 1.ª divisão do futebol brasileiro (51), e também o que tem mais participações em torneios internacionais com (13).

O Bahia mandava seus jogos no Campo da Graça, até a inauguração da Fonte Nova, que em 2007 foi interditada, em 2010 demolida para reforma e, desde 2013, já como Arena Fonte Nova, voltou a ser o mando de campo do clube. No período da ausência dela, o Bahia mandou seus jogos no Estádio de Pituaçu, casa que, na ausência da Arena, sempre abriga bem o Tricolor, fato que confere a ele enorme simpatia da torcida, principalmente em 2010 que ficou marcado na vida do clube por simbolizar o retorno do clube ao cenário nacional depois do declínio, após o rebaixamento em 2003. Voltando a figurar na Série A, e competições internacionais, como exemplo da Copa Sul-Americana, com mais participações no Nordeste. Com a Arena Fonte Nova, O Bahia voltou a dominar o cenário estadual e regional conquistando diversos títulos do Campeonato Baiano e conquistando copas do nordeste.

Seu maior rival é o Esporte Clube Vitória, com quem protagoniza o clássico conhecido como Ba-Vi, clássico que o Bahia detém uma ampla vantagem, seja em número de triunfos, seja em número de gols marcados, e também em títulos, porém desde a década de 90, essa vantagem histórica foi drasticamente diminuída. No entanto, a partir da década de 2010, o Bahia recuperou a sua hegemonia estadual e nos clássicos, conquistando sete títulos até 2023, contra cinco do rival. Ainda assim, é um dos mais importantes do futebol brasileiro. Porém, o Bahia protagonizou clássicos históricos com outros clubes tradicionais de Salvador que já tiveram seus tempos de glória, como o Galícia (o Clássico das Cores), com o Botafogo-BA (o Clássico do Pote), e o Ypiranga (o Clássico das Multidões). Regionalmente, há também muita rivalidade contra o Sport Club do Recife.

História

miniatura|Jogadores de Bahia e Vitória juntos, no primeiro Ba-Vi. miniatura|direita|350px|Time do Bahia com a taça e as faixas de campeão brasileiro de 1959. miniatura|José Sanfilippo, um dos maiores atacantes da história do clube miniatura|Jogo do Bahia contra o São Paulo em Pituaçu, válido pelo Campeonato Brasileiro de 2012. miniatura|esquerda|285x285px|Goleiro Marcelo Lomba no Bahia em 2012. Esteve no clube entre 2011 e 2016, e atuou em 251 partidas.

O clube foi fundado em 1º de janeiro de 1931 exclusivamente para formar uma equipe de futebol masculino em decorrência do fechamento dos departamentos de futebol a Associação Atlética da Bahia e o Clube Bahiano de Tênis em 1930. Após discussões, foram aprovados o novo estatuto e a primeira diretoria, sendo eleito presidente o jovem médico Waldemar Costa, e publicação do estatuto no Diário Oficial da União de 16 de janeiro de 1931., brasilretro.wordpress.com. Em 20 de janeiro, o Bahia se filiou na Federação Bahiana de Esportes Terrestres, atual Federação Bahiana de Futebol., esporte.hsw.uol.com.br Os treinamentos eram feitos no campo da AABB, na Quinta da Barra. E em 1 de março foi realizado o primeiro jogo oficial do clube, pelo Torneio Início, contra o Ypiranga. A partida resultou no triunfo tricolor por 2 a 0, com gols de Bayma e Guarany, e na primeira edição do Clássico das Multidões. No mesmo dia, o Bahia levantou seu primeiro troféu, o de campeão do Torneio Início de 1931. Em 22 de março o Bahia estreou no Campeonato Baiano de Futebol vencendo por 3 a 0, e nesta primeira edição tornou-se campeão baiano invicto. Ainda neste ano, o Bahia fez seu primeiro jogo intermunicipal, vencendo o Vitória de Ilhéus por 5 a 4; seu primeiro jogo interestadual, batendo o Sergipe por 2 a 0; seu primeiro jogo internacional, jogando contra o Sud América, do Uruguai, que excursionava no Brasil; também o primeiro Clássico do Pote, duelo contra o Botafogo-BA, que terminou em 2 a 2.

Assim, a década de 1930 marcou um início arrasador. Apesar de crises na diretoria em 1932 e 1937, venceu o primeiro Ba-Vi da história no dia 18 de setembro de 1932, empatou o primeiro Clássico das Cores (contra o Galícia), instaurou numa nova sede no bairro de Brotas, teve o seu o meia-esquerda Armandinho convocado para a Seleção Brasileira de Futebol Masculino, venceu cinco edições do Campeonato Baiano de Futebol daquela década e fez a maior goleada de todos os tempos sobre o Vitória, 10 a 1, no dia 8 de dezembro de 1939.

Se a década de 1940 começou com o título de 1940 e o trio estrangeiro de ídolos formado pelos argentinos Papetti e Bianchi e o italiano Avalle, os percalços se sucederam.

O Galícia foi tricampeão estadual e a falta de títulos culminou em enorme dívida, ainda não saldada pelas vultuosas injeções de dinheiro do presidente e torcedor fanático Carlos Wildberger. Com as dificuldades financeiras, foi despejado de sua sede na avenida Princesa Isabel e se instalou em nova sede, no bairro do Canela. No ano de 1949, aos 18 anos de existência, o clube se mudou novamente para a Barra. Nesta década destacou-se também a composição do hino do clube por Adroaldo Ribeiro Costa, considerado pelo historiador Cid Teixeira a mais popular da história do estado ao lado do hino do Senhor do Bonfim; divergências com a Federação Bahiana de Desportos Terrestres (FBDT); o uso pela primeira vez da expressão “Esquadrão de Aço”, em manchete no Jornal A Tarde, pelo jornalista Aristóteles Góes; o goleiro titular por cerca de sete anos Lessa, mencionado em versos de Gilberto Gil na canção Tradição como “um goleiro, uma garantia”; o décimo título estadual em 18 torneios disputados até 1949 e o tricampeonato consecutivo no Campeonato Baiano de Futebol também naquele ano.

O ano de 1950, apesar de crises internas continuarem a existir, diferente de outras épocas, elas não prejudicaram o desempenho em campo. Na fase classificatória do Baianão, perdeu apenas dois de 12 jogos e terminou em primeiro lugar. No primeiro jogo da decisão contra o Vitória, venceu por 2 a 1. No segundo, porém, levou uma virada espetacular, e perdeu por 4 a 3. Isso exigiu a realização de um jogo-desempate. E ele ocorreu no dia 12 de novembro, em que o tricolor venceu por 3 a 1, com a estrela de Zé Hugo, que, cinco anos depois, voltou a marcar dois gols na decisão contra o Vitória. Com a conquista do título, o Bahia se tornou o primeiro Tetracampeão da história do Campeonato Baiano de Futebol.

A ascensão do clube rumo ao Brasil se deu na década de 1950 com o quarto título estadual consecutivo em 1950, a inauguração do Estádio Octávio Mangabeira (a Fonte Nova) e a conquista da Taça Brasil de 1959 (antigo formato do atual Campeonato Brasileiro), tornando-se o primeiro campeão brasileiro da história. A grande força estadual foi reconhecida nacionalmente em 1959 quando a Confederação Brasileira de Desportos (CBD) organizou o primeiro campeonato nacional entre clubes como alternativa para substituir o Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais. O torneiro, em formato eliminatório, indicou um representante brasileiro para a disputa da Copa Libertadores da América, torneio criado pela CONMEBOL no mesmo ano, que iniciaria no ano seguinte.