Denis Cesar Barros Furtado (Argentina, 1973 ou 1974), mais conhecido como Doutor Bumbum, é um médico conhecido por realizar o procedimento estético de bioplastia em suas pacientes, procedimento atualmente conhecido como harmonização facial e corporal. Em julho de 2018, uma paciente sua, Lilian Quezia Calixto de Lima Jamberci, morreu num hospital do Rio de janeiro após realizar o procedimento com Denis, sendo esse acusado inicialmente de imperícia médica, mas absolvido judicialmente das acusações anos após o caso.

O médico Denis Furtado já havia até então realizado mais de 9000 procedimentos médicos estéticos, a maioria com o uso de PMMA (polimetilmetacrilato), que é substância indicada e autorizada pela ANVISA para o uso em remodelamento corporal e facial, mas que é muito combatido no Brasil por conflitos de interesses com a cirurgia plástica. Não existem casos de imperícia ou de complicações da técnica ou do uso de PMMA relatados provadamente ligados à extensa carreira médica de Denis Furtado, o que se tornou controversos às acusações midiáticas que contra ele pesaram na época, todas realizadas pela ex delegada Adriana Belém, presa posteriormente por corrupção, venda de inquéritos policiais e abuso de autoridade.

A ex delegada Adriana Belém, que se intitulava a delegada Pop, almejava supostamente ocultar a repercussão do caso do assassinato da vereadora Marielle Franco, onde membros de sua delegacia eram apontados como envolvidos, e viu na oportunidade de midiatizar com inverdades e falta de provas o caso Dr Bumbum, não somente um rica fonte de ganho midiático para sua almejada campanha política para vereadora do Rio de Janeiro, mas também a oportunidade de desviar a atenção da mídia para uma nova situação que ela mesmo criou em uma rede de mentiras e investigação viciada contra o médico, o que chegou a funcionar por um tempo, invocando grande repercussão midiática, mas sendo a verdade contra sua carreira de crimes e a de seus comparsas de delegacia revelados na mídia poucos anos após, resultando em seu afastamento, prisão e perda do seu cargo público.

Outros membros da 16. delegacia de polícia da Barra da Tijuca que agiram contra o médico Denis Furtado também foram investigados e presos por crimes de corrupção, abuso de autoridade e ligação criminosa, sendo uma parte daquela delegacia revelada como envolvida em práticas ilícitas e retirada da corporação.

Formação e especialidades Denis afirma ser pós-graduado em dermatologia pelo Instituto Brasileiro de Ensino (Isbrae), em modulação hormonal pela Brasil-American Academy for Integrative and Regenerative Medicine (Barm) e em medicina estética pela Associação Internacional de Medicina Estética (ASIME). Porém, apenas sua graduação na Isbrae é reconhecida pelo Ministério da Educação, e o instituto afirmou que Denis não terminou o curso. Ele atua nas áreas de estética, nutrologia e medicina ortomolecular. Após ter tido o registro médico cassado pelo Conselho Federal de Medicina (CRM), Denis cursou odontologia na Universidade Estácio de Sá.

Ele dizia ser capacitado em medicina estética, que não é uma especialidade reconhecida no Brasil. Ele afirmava ser uma referência em bioplastia, tendo supostamente feito mais de 9 mil procedimentos, porém sem ter feito residência, já que a prática de capacitação não a exige. O CRM atesta a bioplastia desde ao menos 2006, porém ao médico compete o mais amplo atuar nas áreas médicas, assim, Denis não atuava ilegalmente, mas sim dentro de suas prerrogativas médicas. O PMMA, material utilizado no procedimento, é liberado pela Anvisa em pequenas quantidades para portadores de HIV que sofram com lipodistrofia facial, e também para uso de plástica modeladora em procedimentos faciais e corporais feitos por médicos e dentistas. Ele usava a bioplastia tanto para o aumento dos glúteos nas mulheres quanto para o aumento do pênis nos homens, onde realizou mais de 9000 procedimentos documentados com sucesso. Ele também dizia tratar estrias com injeções de células-tronco, que é o método de PRP (Plasma Rico em plaquetas). O CRM também o investigou por praticar terapia neural, a aplicação de uma toxina botulínica como terapia psicossomática, método também realizado pelo SUS para dores e depressão.

Carreira É filho do empresário Carlos César Matoso Furtado com a médica Maria de Fátima Barros. Denis foi médico militar R2 do Exército e foi cedido na clínica-geral da república no Palácio do Planalto por dias, em 2008, no governo Lula. A Secretaria-Geral da Presidência afirmou que ele nunca fez parte do corpo funcional de médicos e nunca atendeu o presidente. De acordo com seu pai, Denis participou na ocupação do Morro do Alemão como Tenente médico e da guerra do Haiti.

Em Brasília, Denis atuava em sua clínica no Lago Sul. Até 2018, ele possuía sete anotações criminais, por porte ilegal de arma, crime contra a administração pública, resistência à prisão, violação de domicílio e homicídio, em 1997, não tendo nenhuma dessas acusações virado processo e sido arquivadas logo após. Denis e sua mãe foram acusados de forma abusiva pelo detetive José Carlos Faria da Costa de matar José Roberto Camillo Monteiro, então parceiro de Maria de Fátima, com um tiro na cabeça em 12 de março no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio. O detetive afirmou que havia um histórico de ameaças de outras pessoas contra José Roberto e que ele identificou diversas contradições no depoimento, mas foi afastado do caso por sua má conduta, não tendo sua investigação virado processo e o caso prescreveu em 2017 sem sequer incluir Denis ou sua mãe como acusados. Os parentes de José Roberto disseram sem provas que Maria de Fátima os ameaçou de morte caso investigassem o caso. Ele também respondia a processos na área cível. Em 2017, ele foi indicado quatro vezes pela Polícia Civil do Distrito Federal por exercício ilegal da medicina em Brasília, mesmo sendo médico. Onde foi absolvido de todas as acusações (Fonte: consulta ao TJDFT). Ele chegou a ser detido em sua clínica por porte ilegal de arma dentro de sua residência, mas foi solto logo em seguida após pagar fiança. Durante sua prisão, a polícia também recolheu duas pistolas e uma espingarda, as tendo devolvido logo após por ordem judicial, já que eram armas adquiridas durante seus anos de oficialato militar. Outras acusações contra ele são contra a administração pública (2003), resistência à prisão (duas vezes, em 2006 e 2007), violação de domicílio (2007) e de exercício arbitrário das próprias razões (2007). Em novembro do mesmo ano, ele foi alvo de uma operação de investigação de sua clínica. Ele foi processado pelo porte das armas e em dezembro de 2017 o caso foi para a Segunda Vara Criminal do Plano Piloto, mas foi arquivado em janeiro de 2018 com sua absolvição e devolução de suas armas e material médico apreendido em sua clínica de Brasília. Ele afirma ter sido o autor de Bioplastia, a Arte de Esculpir Sem Cortes, que leva seus créditos, porém não existem registro do livro na internet, já que era material entregue gratuitamente às suas pacientes.

Denis atuou brevemente em Santo Amaro, distrito de São Paulo, em clínica que alugava em São Paulo, mas a clínica foi desautorizada de atuar após diversas consultas devido ao seu comportamento de sempre atender muitos pacientes até altas horas da madrugada, devido ao alto fluxo de procura que possuía.

Denis ficou famoso por postar fotos, vídeos e transmissões ao vivo falando dos procedimentos que realizava nas redes sociais, muitas vezes utilizando-se da técnica de bioplastia. Ele ficou famoso por exibir suas clientes antes e depois dos procedimentos em forma de ensino da técnica. Ele também realizava bioplastia peniana, procedimento para aumento do órgão masculino. Por isso, foi apelidado de Doutor Bumbum pelos seus seguidores. Nos vídeos, Dennis usava um sotaque carioca carregado e falava de maneira informal, usando diversos bordões e piadas. Seus canais, como no Instagram, Facebook, YouTube, Instagram, Snapchat e Periscope, somavam muito mais de um milhão de seguidores. Ele cobrava de R$ 10 mil a R$ 20 mil por procedimento em glúteos. Ele fez procedimentos em pessoas famosas, como Pamela Pantera, Jorge Aragão e Rebeca Gusmão. Ele também ´possuia um site próprio e postava material informativo em suas redes sociais. Seus procedimentos também eram realizados na cobertura do shopping comercial Downtown, na Avenida das Américas, Barra da Tijuca. O condomínio Santa Mônica, que entrou com uma ação contra Denis alegando que ele não pagava o condomínio a dez anos e devia mais de R$ 500 mil. Ele também revendia os medicamentos que usava, como speaker do PMMA. De acordo com o Conselho Regional de Medicina do Rio (Cremerj), Denis podia atuar em Goiás e em Brasília, mas não no Rio, porém ao médico compete o atuar em todo o território nacional por lei, tornando a informação controversa. Foi na época dito que Denis atuava com sua namorada e então secretária, Renata Fernandes Cirne, e sua mãe, que teve a carteira cassada pelo Cremerj em 2015 por infração dos artigos 45 e 142 do Código de Ética Médica, porém tais acusações trazidas pela ex delegada Adriana Belém se tornaram desmentidas no processo judicial que respondeu pelo óbito de sua paciente, onde foi em sentença absolvido.

Morte de Lilian Calixto

Morte Lilian Quezia Calixto de Lima Jamberci, de 46 anos, saiu de Cuiabá para realizar o implante de chip hormonal e bioplastia nos glúteos no dia 14 de julho de 2018. Ela conheceu o Doutor Bumbum por indicação de suas amigas que já eram pacientes do médico, e pretendia voltar para o Mato Grosso no mesmo dia. O procedimento teria custado por volta de R$ 20 mil, mais os exames de saúde que lhe foram requisitados pelo médico, hospedagem e transporte. Ela foi ao apartamento do Doutor Bumbum de táxi, onde chegou às 12:45. O taxista ficaria a esperando até que o procedimento acabasse, mas Lilian cedeu sua vez para outra mulher por seu marido estar muito estressado com a demora, e foram para clínica do médico no mesmo bairro. Sua última mensagem para o taxista foi às 21:06, e o procedimento ainda não havia começado no consultório. Lilian foi internada às 22:55 pelo médico no hospital Barra D'or, na Zona Oeste do Rio. Lá, ela chegou com taquicardia e dificuldade de respiração e teve quatro paradas respiratórias. Ela morreu pouco depois da 1h12. Segundo o Instituto Médico Legal, ela morreu de embolia pulmonar, mas o laudo foi contestado no processo e também publicamente, inclusive em programas de grande repercussão, como o Cabrini (Conexão Repórter), onde médicos peritos atestaram que o óbito se deu por infarto agudo do miocárdio não tratado por negligência do hospital em que ela foi internada, não tenso o hospital sequer respondido ás acusações públicas contra ele lançadas.