National Review é uma revista editorial conservadora dos Estados Unidos, dedicada a notícias e comentários sobre política, sociedade e assuntos culturais. Foi fundada por William F. Buckley Jr. em 1955. Rich Lowry é o editor-chefe e Ramesh Ponnuru é o editor da revista.
Desde a fundação, Buckley e seus editores procuraram reunir correntes da direita americana em torno de uma linha editorial comum, delimitar quais grupos aceitariam como conservadores e promover o fusionismo. A revista passou a ser uma das vozes da direita dos Estados Unidos. Embora costume apoiar políticos e propostas do Partido Republicano, critica Donald Trump desde a campanha para a eleição presidencial de 2016.
História
Contexto
miniaturadaimagem|upright=1|William F. Buckley Jr., fundador e primeiro editor da National Review, em 1985
Antes da fundação da National Review, em 1955, a direita americana era uma reunião pouco organizada de pessoas cujas filosofias se cruzavam, mas que tinham poucas oportunidades para falar publicamente em uma só voz. Parte delas desejava marginalizar as posições contrárias à guerra e não intervencionistas da Velha Direita.
Em 1953, o republicano moderado Dwight D. Eisenhower ocupava a presidência. Revistas de grande circulação, como Saturday Evening Post, Time e Reader's Digest, tinham linhas fortemente conservadoras e anticomunistas. O mesmo ocorria com jornais como o Chicago Tribune e o St. Louis Globe-Democrat. Publicações conservadoras menores, entre elas Human Events e The Freeman, antecederam a National Review na formulação do conservadorismo da Guerra Fria na década de 1950.
Em 1953, Russell Kirk publicou The Conservative Mind, no qual traçava uma linhagem intelectual de Edmund Burke até a Velha Direita do começo da década de 1950. O livro contestava a ideia, então difundida entre intelectuais, de que não havia uma tradição conservadora coerente nos Estados Unidos.
O jovem William F. Buckley Jr. recebeu forte estímulo das ideias de Kirk. Buckley dispunha de dinheiro, pois seu pai enriquecera com campos de petróleo no México. Primeiro tentou comprar a Human Events, sem sucesso. Conheceu então Willi Schlamm, experiente editor da The Freeman. Nos dois anos seguintes, os dois levantaram os US$ 300.000 necessários para criar um semanário próprio, que inicialmente se chamaria National Weekly. Outra revista detinha a marca desse nome, o que levou à escolha de National Review. A declaração de intenções dizia:
O meio-termo, enquanto meio-termo, é repugnante sob os pontos de vista político, intelectual e moral. Recomendaremos políticas pela simples razão de que as consideramos corretas, em vez de "não controversas", e as consideramos corretas porque se baseiam em princípios que julgamos corretos, em vez de pesquisas de popularidade... A revolução do New Deal, por exemplo, dificilmente teria acontecido sem o efeito acumulado de The Nation, The New Republic e algumas outras publicações sobre gerações de universitários americanos nas décadas de 1920 e 1930.
Fundação
Em 19 de novembro de 1955, a revista de Buckley começou a tomar forma. Ele reuniu escritores tradicionalistas, intelectuais católicos, libertários e anticomunistas. O grupo reunia Revilo P. Oliver, Russell Kirk, James Burnham, Frank Meyer, Willmoore Kendall e os católicos L. Brent Bozell e Garry Wills. O ex-editor da Time Whittaker Chambers, que fora espião comunista na década de 1930 antes de se tornar um anticomunista convicto, assumiu um cargo de editor sênior. Na declaração de fundação, Buckley escreveu:
Lançar um semanário conservador de opinião num país amplamente visto como bastião do conservadorismo parece, à primeira vista, um ato supérfluo, quase como publicar um semanário monarquista dentro dos muros do Palácio de Buckingham. Não é isso, claro. Se a National Review é supérflua, é por razões bem diferentes. Ela se põe atravessada no caminho da história, gritando "Pare", num momento em que ninguém mais se inclina a fazê-lo ou tem muita paciência com quem pede isso.
Para a equipe editorial e o quadro de colaboradores, Buckley procurou intelectuais que haviam sido comunistas ou trabalhado na extrema esquerda, entre eles Whittaker Chambers, William Schlamm, John Dos Passos, Frank Meyer e James Burnham. Burnham, um dos primeiros editores seniores, defendia uma posição editorial mais pragmática que aproximasse a revista do centro político. Kevin Smant concluiu que Burnham venceu uma oposição por vezes acalorada de outros integrantes do conselho editorial, entre eles Meyer, Schlamm, William Rickenbacker e o editor William A. Rusher, e teve efeito sobre a política editorial da publicação e sobre o pensamento de Buckley.
A National Review procurava dar respeitabilidade às ideias conservadoras. O professor da Universidade Columbia Lionel Trilling havia resumido uma visão muito difundida a respeito do pensamento conservador:
O liberalismo é a tradição intelectual dominante, na verdade a única. É fato claro que já não circulam ideias conservadoras ou reacionárias... o impulso conservador e o impulso reacionário não se expressam... em ideias, mas apenas... em gestos mentais irritados que procuram se parecer com ideias.
Buckley escreveu que a National Review "está deslocada porque, em sua maturidade, a América letrada rejeitou o conservadorismo em favor da experimentação social radical... como as ideias governam o mundo, os ideólogos, depois de conquistar a classe intelectual, simplesmente entraram e começaram a... administrar quase tudo. Nunca houve uma era de conformidade como esta, nem uma camaradagem como a dos liberais".
Era Goldwater
A National Review promoveu intensamente Barry Goldwater no começo da década de 1960. Buckley e outros integrantes da revista participaram do movimento "Draft Goldwater", em 1960, e da campanha presidencial de 1964. A revista difundiu pelo país a concepção de conservadorismo defendida por Goldwater.
Nos primeiros anos, houve afastamentos pela esquerda e pela direita. Garry Wills rompeu com a revista e tornou-se comentarista liberal. L. Brent Bozell Jr., cunhado de Buckley, saiu para fundar em 1966 a revista católica tradicionalista Triumph, que teve curta duração.
Buckley e Meyer propunham ampliar os limites do conservadorismo por meio do fusionismo, aproximando escolas conservadoras diferentes, inclusive libertários, para combater adversários que consideravam comuns.
Buckley e seus editores também usaram a revista para estabelecer quais pessoas, ideias e grupos aceitariam dentro desse conservadorismo. Atacaram a John Birch Society, George Wallace e antissemitas. Em 2004, Rich Lowry reuniu trechos de textos publicados na aposentadoria de Buckley. Um deles, do The Dallas Morning News, dizia: "A primeira grande realização do sr. Buckley foi livrar a direita americana de seus excêntricos. Ele marginalizou os antissemitas, os membros da John Birch Society, os nativistas e semelhantes." O historiador político Matthew Dallek contesta em parte essa leitura. Para ele, a atitude de Buckley em relação à John Birch Society preocupava-se mais em isolar seu fundador, Robert Welch, sem perder o apoio dos membros comuns da organização.
Em 1957, um editorial da National Review defendeu a liderança branca no Sul dos Estados Unidos. O texto afirmava que "a questão central que surge ... é se a comunidade branca do Sul tem o direito de tomar as medidas necessárias para prevalecer, política e culturalmente, em áreas onde não predomina numericamente. A resposta sóbria é sim, a comunidade branca tem esse direito porque, por enquanto, é a raça avançada." Na década de 1970, a revista passou a defender políticas que não levassem em conta a raça e o fim da ação afirmativa.
No fim da década de 1960, a revista denunciou o segregacionista George Wallace, candidato nas primárias democratas de 1964 e 1972 e candidato independente à presidência em 1968. Na década de 1950, Buckley havia trabalhado para retirar o antissemitismo do movimento conservador e proibira pessoas que defendiam essas posições de trabalhar na National Review. Em 1962, chamou Robert W. Welch Jr. e a John Birch Society de "muito distantes do senso comum" e pediu ao Partido Republicano que se livrasse da presença política de Welch.
Apoio a Reagan
Depois da derrota de Goldwater para Lyndon Johnson em 1964, Buckley e a National Review continuaram defendendo a criação de um movimento conservador, cada vez mais personificado por Ronald Reagan. Assinante antigo da revista, Reagan ganhou projeção política durante a campanha de Goldwater. A National Review apoiou sua tentativa de derrotar o presidente Gerald Ford na disputa republicana de 1976 e sua campanha vitoriosa na eleição de 1980.
Na década de 1980, a revista defendeu cortes de impostos, a economia pelo lado da oferta, a Iniciativa Estratégica de Defesa e a política externa de Reagan contra a União Soviética. Criticou o estado de bem-estar social e apoiou propostas de reforma da assistência social na década de 1990. Também criticava regularmente o presidente Bill Clinton. Inicialmente apoiou Pat Buchanan em suas campanhas políticas, mas depois rompeu com ele. Um extenso editorial de 1996 pediu um "movimento em direção" à legalização das drogas.
Em 1985, a National Review e Buckley foram representados pelo advogado J. Daniel Mahoney no processo de difamação de US$ 16 milhões movido pela revista contra The Spotlight.
Posições políticas e conteúdo
Victor Davis Hanson, colaborador regular desde 2001, definiu a composição ideológica da revista como um espectro de conservadores e críticos do liberalismo:
Em outras palavras, um amplo espectro conservador, paleoconservadores, neoconservadores, ativistas do Tea Party, pessoas profundamente religiosas e agnósticos, libertários e conservadores sociais, defensores do livre mercado e protecionistas, caracteriza a National Review. O requisito comum é que apresentem suas posições como crítica à ortodoxia liberal dominante, mas de maneira analítica, com decência e respeito.
Johann Hari, da The New Republic, chamou a revista de "a bíblia do conservadorismo americano".
Primeiro governo Trump
Em janeiro de 2016, a revista publicou o editorial "Against Trump", no qual chamou Donald Trump de "oportunista político filosoficamente sem amarras" e anunciou oposição à candidatura dele nas primárias republicanas de 2016. Depois da vitória de Trump sobre Hillary Clinton na eleição de 2016, o conselho editorial continuou a criticá-lo durante seu primeiro governo e depois dele.
Colaboradores da National Review e da National Review Online adotaram posições diferentes sobre Trump. Hanson, por exemplo, apoiou-o, enquanto Ramesh Ponnuru e o ex-colaborador Jonah Goldberg mantiveram críticas a ele. T. A. Frank escreveu no Washington Post que, "da perspectiva do leitor, essas tensões tornam a National Review tão viva quanto ela não era havia muito tempo".
Segundo governo Trump
Em janeiro de 2024, a revista publicou um editorial intitulado "Republican Voters Can - And Should - Rethink Nominating Trump", no qual advertiu eleitores republicanos contra a escolha de Trump como candidato do partido à eleição presidencial de 2024.
Trump venceu a eleição em novembro de 2024. Pouco depois, o conselho editorial da National Review defendeu que o Senado examinasse as indicações feitas por ele para o governo e rejeitasse candidatos considerados inadequados, contrapondo-se à ideia de que a vitória eleitoral dispensaria esse escrutínio.