Frontão de Périgueux (; ) foi o primeiro bispo de Périgueux que, segundo a tradição, teria sido ordenado pelo apóstolo São Pedro e enviado como evangelizador da atual região de Périgord, na Dordonha. É venerado como santo pela Igreja Católica, sendo comemorado no dia 25 de outubro.

História thumb|esquerda|200px|"O funeral de Santa Marta" por Joseph-Marie Vien (1748) thumb|direita|200px|Túmulo primitivo de São Fontão em Périgueux Frontão é mencionado pela primeira vez na vida de Gaugérico de Cambrai, que diz ter rezado em frente ao túmulo de Frontão em Périgueux. Nada se sabe sobre a vida do santo e todos os dados são tardios e provenientes de tradições piedosas. As vidas lendárias, a partir do século IX, e grande parte dos séculos XI e XII, misturam dados das lendas de outros santos, como Frontão de Nítria e Marta de Betânia.

Segundo sua hagiografia, Front nasceu em Linicassius (Lanquais) em uma família cristã, no século I. Ainda jovem, renunciou ao mundo e tornou-se eremita. O prefeito da região, Isquirinus, não quis matá-lo por causa da nobreza de sua linhagem, mas ordenou-lhe que deixasse crescer o cabelo que havia raspado quando se tornou sacerdote. Frontão não aceitou, pois era um sinal de sua vocação, partindo em fuga para o Egito.

Ali, retirou-se para o eremitério de Apolônio, e após um tempo, partiu para Roma; ali o apóstolo Pedro ordenou-o bispo e enviou-o à Gália para evangelizar, dando-lhe por companheiro um presbítero de nome Jorge. Ao terceiro dia de viagem, Jorge veio a falece. Frontão retornou a Roma em busca de São Pedro com o corpo de Jorge. Neste local, Pedro ressuscitou-o. Muitas pessoas naquele local se converteram após presenciarem o acontecimento. Frontão selecionou cerca de sessenta e nove cristãos para serem pregadores com ele em Périgord. Neste lugar, eles conseguiram muitas conversões, sendo criada uma comunidade cristã.

A ele é atribuído o milagre de bilocação para assistir aos funerais de Marta de Betânia, onde teria sido repreendido pelo próprio Jesus e perdido uma de suas luvas, bem como à destruição de uma estátua do deus Marte em Périgueux. Perto de Lalinde, na Dordonha, acabou com um dragão que aterrorizava os camponeses, destruindo colheitas e matando homens: o bispo fez o sinal da cruz e o dragão precipitou-se de um penhasco, morrendo por fim.

No início do século IX, foi mencionado pela primeira vez no Martirológio de Lyon como São Frontão. Suas relíquias foram reconhecidas nos anos de 1261 e 1463 na Catedral de Sant Front de Périgueux, onde se encontravam. No entanto, no ano 1575 os huguenotes os capturaram e os transportaram para o castelo de Tiregand em Creysse (Dordonha), e depois os jogaram no rio Dordonha.Guy Penaud, Dictionnaire des châteaux du Périgord, p. 278-279, Éditions Sud Ouest, 1996,

Em sua homenagem, uma dezena de municípios ou antigos municípios franceses levam o nome de Saint-Front, bem como três municípios italianos, na região de Marche: Frontone e Frontino, bem como Sanfront na região do Piemonte.

Bibliografia Maurice Coens, "La Vie ancienne de S. Front de Périgueux", de Analecta Bollandiana, 1930, volume 48, (leitura virtual) Jean-Claude Ignace, "Réflexions sur la légende et le culte de saint Front: à propos des travaux de M. le Chanoine A. Fayard", Bulletin de la Société historique et archéologique du Périgord, 1979, volume 106, (leitura virtual)

François du Bosquet, "De Frontone Petrocoriorum", Ecclesiae Gallicanae historiarum, de Jean Camusat, Paris, 1636, volume 1, livro 1, XIII-XIV-XV, (leitura virtual)

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