A Nightmare on Elm Street 2: Freddy's Revenge é um filme estadunidense de 1985, do gênero terror, dirigido por Jack Sholder e escrito por David Chaskin. Baseado nos personagens criados por Wes Craven, é a sequência de A Nightmare on Elm Street (1984) e o segundo longa-metragem da franquia homônima. Os papéis principais são desempenhados por Mark Patton, Kim Myers, Robert Rusler e Robert Englund, que reinterpreta Freddy Krueger. A trama acompanha Jesse Walsh, um adolescente cujo corpo Freddy tenta possuir a fim de cometer assassinatos no mundo real.

A decisão de produzir a sequência foi tomada ainda no fim de semana de estreia do longa original, quando executivos da New Line Cinema exigiram uma continuação imediata. Diante disso, a produção de Freddy's Revenge seguiu em ritmo acelerado, com as filmagens ocorrendo entre junho e agosto de 1985 em estúdios e locações na cidade de Los Angeles, na Califórnia. A estreia ocorreu em 1 de novembro de 1985, e o título obteve um desempenho comercial favorável nas bilheterias, arrecadando 30 milhões de dólares no circuito comercial norte-americano a partir de um orçamento estimado em 3 milhões de dólares.

Na época do lançamento, o filme recebeu avaliações mistas da crítica especializada, sendo frequentemente comparado de forma desfavorável ao seu antecessor. Nas décadas seguintes, contudo, converteu-se em um clássico cult e passou a ser analisado por críticos e acadêmicos como um marco do cinema de terror queer devido a leituras de um subtexto homoerótico na identidade visual, nos diálogos e nas metáforas narrativas. Foi disponibilizado em diferentes formatos de mídia doméstica, gerou adaptações literárias e outros produtos colecionáveis. A produção foi sucedida por A Nightmare on Elm Street 3: Dream Warriors (1987).

Enredo O adolescente Jesse Walsh, que acabou de se mudar com a família para a antiga casa de Nancy Thompson, começa a ter pesadelos recorrentes com Freddy Krueger. O jovem e sua amiga Lisa Webber descobrem o diário de Nancy, no qual ela detalha sonhos estranhamente semelhantes aos do rapaz. Eventos misteriosos ocorrem pela casa, culminando na explosão dos pássaros de estimação da família. Em outro pesadelo, o vilão exige que Jesse cometa assassinatos em seu lugar.

Certa noite, Jesse encontra o treinador Schneider, vestido em couro preto, numa boate decadente. O instrutor o leva à escola, obriga-o a correr várias voltas no pátio e depois o manda ao chuveiro. O monstro surge nos vestiários e mata Schneider, deixando o jovem horrorizado ao notar a luva de lâminas na própria mão. A polícia encontra o garoto nu e o reconduz ao lar. Mais tarde, ele e Lisa inspecionam uma usina abandonada onde Freddy assassinou crianças no passado, mas nada encontram.

Na noite seguinte, Jesse vai a uma festa na casa de Lisa e a beija, mas afasta-se ao perceber indícios de possessão. Ele entra no quarto do amigo Ron Grady, confessa o homicídio de Schneider e pede ao colega que o vigie. No entanto, o monstro irrompe do corpo de Jesse e mata Grady. Lisa descobre que o medo do garoto fortalece o vilão, em quem Jesse volta a se transformar. O assassino poupa a moça devido à resistência mental do rapaz, mas ataca os convidados na piscina antes de escapar.

Lisa dirige-se à usina e implora para que o amigo lute contra a influência do assassino. Sabendo que o adolescente permanece vivo dentro do monstro, ela beija Freddy, que é engolfado por chamas, fazendo Jesse ressurgir sob a pele incinerada. No dia seguinte, o casal está no ônibus escolar com os amigos. Jesse tem uma sensação ruim, mas Lisa o acalma. Enquanto ele relaxa, a luva de Freddy atravessa o peito de uma das estudantes e o veículo acelera descontrolado em direção a um deserto.

Elenco De acordo com os registros do catálogo do American Film Institute:

Produção Desenvolvimento O inesperado sucesso de A Nightmare on Elm Street (1984) foi o primeiro grande marco comercial da New Line Cinema, na época uma produtora independente, praticamente desconhecida, que tentava se reestruturar após consecutivos fracassos de bilheteria. O filme, entretanto, não foi suficiente para recuperar imediatamente as finanças do estúdio, pois o presidente da empresa, Robert Shaye, precisou ceder uma parcela significativa dos lucros aos investidores que financiaram a produção e o lançamento do longa-metragem. Apesar disso, o resultado proporcionou a New Line uma propriedade controlável com potencial para sequências. A decisão de filmar a segunda parte foi tomada ainda durante o fim de semana de estreia do primeiro filme, quando o chefe de distribuição do estúdio entrou no escritório de Shaye e disse: "Precisamos de uma sequência".

O criador do longa original, Wes Craven, tinha vendido os direitos das sequências à New Line: "Quando terminei A Nightmare on Elm Street, eu estava praticamente falido; eles compraram tudo e ficaram com os direitos de todos os personagens". Desentendimentos com o estúdio afastaram Craven do novo projeto. Ele considerava que a história era autoconclusiva e a idealizara com um desfecho ambíguo no qual a heroína Nancy acordaria sob a dúvida se tudo, incluindo Freddy, poderia ter sido apenas um pesadelo; Shaye, porém, exigiu uma cena final que deixasse margem para o retorno do vilão. Segundo a gerente de produção Rachel Talalay, a relação entre Craven e Shaye estava bastante tensa e "o verdadeiro ponto de discórdia era a participação nos lucros e não tanto a cortesia de oferecer a [Craven] a direção do próximo filme".

A pré-produção de A Nightmare on Elm Street 2: Freddy's Revenge começou em abril de 1985. Jack Sholder, criador de trailers para a New Line, assumiu a direção quatro semanas antes do início das filmagens. Em entrevista de 2020, o cineasta lembrou que sua reação inicial foi recusar a proposta de Shaye, pois perdera o interesse no gênero de terror após roteirizar e dirigir Alone in the Dark (1982), um dos primeiros projetos do estúdio. Mudou de ideia, porém, ao perceber que a sequência de um sucesso poderia alavancar sua carreira. No documentário Never Sleep Again: The Elm Street Legacy (2010), ele admitiu que não gostava do filme original, embora reconhecesse suas qualidades, razão pela qual não se sentiu obrigado a seguir o modelo de Craven. Sholder afirmou também ter nomeado a fictícia cidade de Ohio onde este e os filmes seguintes da franquia são ambientados — detalhe omitido no primeiro longa. A escolha foi "Springwood", o mesmo nome de uma cidade mencionada no enredo de Alone in the Dark.

Roteiro Eu não gostei do segundo roteiro. Achei que era um roteiro bobo. Não havia um herói claramente definido que permanecesse intacto. Freddy emergindo do protagonista realmente rompia com a capacidade do público de se identificar com ele. Sugeri que fizessem da vizinha da frente a heroína. Achei que teria sido muito mais inteligente fazê-la a personagem central. Também achei que trouxeram Freddy excessivamente para o campo da realidade e o colocaram em situações nas quais ele era diminuído. Freddy precisa estar sempre ameaçador e dominante. Mas, quando ele fica correndo ao redor de uma piscina cercado por um bando de adolescentes que eram todos mais altos do que ele, começa a parecer muito ridículo.— Wes Craven, 1988 O roteirista Leslie Bohem foi um dos primeiros a ser considerado para o projeto de Freddy's Revenge. Ele apresentou aos produtores a ideia de usar gravidez e possessão demoníaca como recurso narrativo, concebendo a trama como uma "homenagem" a Rosemary's Baby (1968). No enredo sugerido, a casa na rua Elm seria ocupada por uma nova família, composta por uma mãe grávida e um adolescente que vivia em conflito com o padrasto. O escritor planejava uma abordagem "sangrenta e assustadora", com um caráter mais físico, realista e afastado da "lógica onírica" do filme original e do restante da franquia, estabelecendo um cenário no qual Freddy invadiria o útero para controlar o feto. Essa premissa, porém, incomodou a executiva Sara Risher, que estava gestante na época, levando a New Line a rejeitar a proposta e optar por outro conceito, desenvolvido por David Chaskin. O enredo descartado, contudo, serviria como base para a sequência A Nightmare on Elm Street 5: The Dream Child (1989), cujo roteiro foi assinado por Bohem.

Chaskin, na época um funcionário do departamento de distribuição de 16 mm da New Line, escreveu um esboço de 15 páginas em três dias e, após a aprovação do estúdio, começou a trabalhar no roteiro completo, que concluiu em dois meses: "Pensei em tudo o que me assusta, o que me dá arrepios, e tentei incorporar ao já assustador personagem Freddy Krueger". Para o escritor, seria divertido se o vilão usasse a "possessão" como meio para obter "um avatar humano" que agisse no mundo real: "Jesse é um nerd excluído e Freddy está assumindo o controle, prestes a levá-lo nessa jornada". A personalidade do antagonista também passou por uma mudança significativa. Chaskin procurou torná-lo mais falante e deu ao personagem um senso de "humor negro", a fim de diferenciá-lo de vilões silenciosos como Michael Myers e Jason Voorhees e da própria versão mais contida e sombria de Freddy apresentada no filme anterior.

Craven criticou duramente o roteiro de Chaskin, principalmente a ideia de Freddy manipular o protagonista Jesse a cometer assassinatos e a materialização do vilão fora do mundo dos sonhos. Ele disse que desistiu do projeto por não ter visto "nenhum fio condutor filosófico que pudesse seguir". Ainda assim, o escritor de Freddy's Revenge aceitou algumas sugestões do cineasta, como ambientar o clímax num cenário fechado e dedicar mais atenção ao desenvolvimento de Lisa, namorada de Jesse, a qual passou a ter quase tanto destaque quanto o protagonista. A personagem era chamada de Lisa Poletti no roteiro e teve o sobrenome mudado para Webber na versão final do longa. Chaskin contou que uma das frases mais lembradas do filme ― "Você tem o corpo. Eu tenho o cérebro" — foi uma contribuição de Shaye: "Tenho que admitir que a fala sobre o corpo e o cérebro, assim como [Freddy] abrir a cabeça e mostrar o cérebro daquele jeito, foram ideias de Bob Shaye. Bob tinha umas ideias visuais realmente boas".

A cena inicial deste segundo filme, na qual Freddy conduz um ônibus escolar, resgatou uma ideia descartada por Craven no desfecho do longa de 1984, em que o vilão dirigiria um carro. Na época, o cineasta omitiu o trecho por considerar que o reaparecimento do monstro significaria uma vitória do mal. A sequência do ataque de um "periquito demoníaco" — descrita por Craven como "simplesmente ridícula" — tentou aludir a The Birds (1963). Além disso, o conceito do roteiro previa que, à semelhança de aves que reagem à presença de gás em minas subterrâneas, o pássaro funcionaria como um alerta biológico da chegada de Freddy. Quanto à cena da transformação corporal no momento culminante, o artista de maquiagem Mark Shostrom relembrou, em entrevista de 1985, que o texto detalhava "lâminas saindo do abdome de Jesse e Freddy irrompendo numa parede de carne e sangue". Anos mais tarde, o profissional divergiu ao relatar que o roteiro continha apenas a vaga instrução "Freddy irrompe de Jesse". Independentemente disso, a ideia de o vilão rasgar o corpo do protagonista foi inspirada no momento do primeiro filme em que o rosto de Freddy deforma uma parede.

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