Mário Marroquim (Água Preta, 22 de março de 1896 – Maceió, 15 de março de 1975). Radicou-se em Maceió, onde se destacou como jurista, músico, professor catedrático, radialista e antropólogo. Como filólogo, escreveu a obra clássica "A Língua do Nordeste".

Na vida pública, exerceu cargos como o de vereador de Maceió, Secretário de Estado dos Negócios do Interior de Alagoas e Procurador-Geral de Alagoas

Biografia Filho de José Fiorlindo de Lima Nascimento e Adalgisa Amanda de Almeida Marroquim, nasceu no dia 22 de março de 1896 no vilarejo de Campos Frios, em Água Preta, Pernambuco. Em 1926 casou-se com Maria Amélia de Almeida Carvalho, em Olinda. O casal teve sete filhos.

Teve uma formação marcada pelos salesianos. Após o falecimento de seu pai, aos cinco anos Marroquim foi internado com os irmãos no Colégio São Joaquim, em Colônia Leopoldina. O Colégio São Joaquim era uma instituição salesiana com o ensino voltado à preparação de jovens para ofícios que lhes dessem condições de ganhar a vida. Mário e seu irmão Alcides estavam sendo orientados para a alfaiataria. Porém, ao responder uma questão em forma de rimas, Marroquim despertou a atenção dos salesianos que resolveram orientá-lo para ao estudo das humanidades e depois seguir a carreira eclesiástica. Então aos dez anos foi transferido para o Seminário Salesiano de Jaboatão, em Pernambuco, onde permaneceu até os dezoito anos de idade, destacando-se pelo domínio de Latim, Português, Italiano e Teoria Musical.

Depois de interromper os estudos religiosos para auxiliar a família, retomou sua formação superior já adulto, formando-se em direito pela Faculdade de Direito do Recife, em 1933.

Em 5 de julho de 1926, incentivado por Jaime de Altavila, prestou concurso para a cadeira de Português Histórico da Escola Normal, sendo aprovado após apresentar uma dissertação dedicada às origens da língua portuguesa.

Em setembro de 1927, teve seu contrato com a Escola Normal renovado por mais cinco anos. Em dezembro daquele ano, uma nota publicada na imprensa registrou que, além de professor do Lyceu Alagoano, exercia também a função de funcionário da Fazenda estadual. Paralelamente às atividades no magistério público, ministrava aulas particulares de português e latim, tendo entre seus alunos personalidades que posteriormente se destacariam no campo das letras, como Aurélio Buarque de Holanda.

Em janeiro de 1928, por indicação do governador Costa Rego, assumiu interinamente a Secretaria de Estado dos Negócios do Interior, permanecendo no cargo até março. Naquele mês, foi exonerado para assumir a administração da Recebedoria Central.

Após concluir seus estudos superiores na Faculdade de Direito do Recife, em 1934, iniciou sua atuação profissional como advogado em Alagoas. Dedicou-se sobretudo às causas cíveis, com especial atenção às questões relacionadas ao direito de propriedade e ao direito comercial.

No início de 1934, publicou pela Editora Nacional seu primeiro grande trabalho de caráter linguístico, A Língua do Nordeste, integrado à prestigiada Coleção Brasiliana. Resultado de estudos realizados principalmente em Alagoas e Pernambuco, a obra dedicou-se à análise das particularidades do linguajar nordestino e posteriormente alcançou reconhecimento como um clássico dos estudos sobre a língua e a cultura regional.

Em fevereiro de 1934, reassumiu a cátedra de Português da Escola Normal e, no mês seguinte, passou também a exercer a direção da instituição, retomando de forma destacada sua atuação no magistério e na formação educacional em Alagoas.

Em 20 de agosto de 1933 a Ação Integralista Brasileira (AIB) instalou ser núcleo provincial em Alagoas, e Marroquim esteve entre suas principais lideranças no estado, ao lado de nomes como Domingos Fazio Sobrinho, José Lins do Rego, Moacir Pereira e Afrânio Salgado Lages.

Sua atuação integralista foi especialmente ligada à propaganda, à organização política e à difusão das ideias do movimento. No dia 1 de maio de 1935, lançou o vespertino A Província, periódico integralista que dirigiu como instrumento de divulgação do movimento e que esteve ligada à Sigma Jornais Reunidos, que integrava os jornais e revistas do movimento em uma estrutura comum. No mesmo ano, assumiu a chefia do grupo integralista em Maceió e posteriormente passou a integrar o Conselho Provincial da organização.

A participação de Marroquim não se limitou ao jornalismo. Em 1936, foi eleito vereador em Maceió e concorreu, pela AIB, a uma vaga de deputado estadual. Embora não tenha obtido êxito nessa eleição, sua candidatura demonstrou a presença do integralismo na vida política alagoana naquele período.

Após o início da Ditadura Vargas, a perseguição aos integralistas atingiu diretamente Marroquim: em dezembro de 1937 foi decretada sua prisão, sendo posteriormente capturado em Recife e conduzido para Maceió. Anos depois, continuava sendo perseguido pelo regime, sendo novamente preso em 1942.

Depois da redemocratização, participou da política alagoana, candidatou-se a deputado estadual pelo Partido Social Democrático (PSD) em 1947, colaborou na elaboração do anteprojeto da Constituição Estadual e posteriormente ingressou no Partido Social Trabalhista (PST). Continuou sua carreira acadêmica, jurídica e cultural, chegando à cátedra de Direito Romano da Faculdade de Direito de Alagoas, após defender com sucesso sua tese A Limitação Legal da Propriedade Romana, diante de uma banca examinadora formada pelos professores Benjamim Colucci, Othon Gama Lobo d’Eça, e Trayahú Moreira, em 1954.

Sua trajetória intelectual também se destacou no âmbito das instituições culturais de Alagoas. Eleito para a Academia Alagoana de Letras, passou a ocupar a cadeira nº 11, cujo patrono é Tomás Espíndola. Foi igualmente membro do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas e, no Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, integrou o quadro como sócio correspondente.

Durante o governo de Arnon de Mello, fundou a Sociedade de Cultura Artística de Alagoas, instituição que também presidiu, contribuindo para a promoção e o desenvolvimento das atividades culturais e artísticas no estado.

Já durante o governo de Luís Cavalcante, em 1962, assumiu o cargo de Procurador-Geral do Estado de Alagoas. Paralelamente à atividade jurídica, manteve sua atuação no magistério, lecionando no Instituto de Educação e no Colégio Santíssimo Sacramento.

Também teve atuação pioneira na radiodifusão: participou da primeira tentativa de criação de uma emissora alagoana, em 1925, e posteriormente foi o primeiro diretor da Rádio Difusora de Alagoas, inaugurada em 1948.

Faleceu em Maceió no dia 15 de março de 1975.

Obras A Língua do Nordeste: Alagoas e Pernambuco — Companhia Editora Nacional, SP, 1934; A Limitação Legal da Propriedade Romana (tese do concurso) — Alagoas; Anteprojeto da Constituição de Alagoas — Imprensa Oficial, AL, 1947.

Composições O Pássaro Azul (opereta encenada no Teatro Deodoro por volta de 1929); Músicas dos Hinos da Rádio Difusora de Alagoas e do Iº. Centenário de Deodoro da Fonseca; Alma Aflita; Amor…; Doce Ilusão (valsa); Cedo Partiste…; Felicidade Vã; Doce Amada; Oh Amor… Como És Feliz; Heliotrope (valsa); Namoro das Meninas de Hoje (tango sertanejo); Princesa (valsa); Renúncia (valsa); Teus Olhos São Minha Vida.

Referências

Categoria:Alunos da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pernambuco Categoria:Filólogos do Brasil Categoria:Membros da Academia Alagoana de Letras Categoria:Membros da Ação Integralista Brasileira Categoria:Membros do Partido Social Democrático (1945) Categoria:Membros do Partido Social Trabalhista (1946) Categoria:Mortos em 1975 Categoria:Nascidos em 1896 Categoria:Naturais de Água Preta Categoria:Professores da Universidade Federal de Alagoas Categoria:Radialistas do Brasil Categoria:Secretários estaduais de Alagoas Categoria:Vereadores de Maceió