thumb|310px|Ilustração promocional de Yuki Matsuzawa dos personagens principais e secundários de Final Fantasy XV. Cima, esquerda para a direita: Nyx Ulric, Regis Lucis Caelum CXIII, Aranea Highwind, Ravus Nox Fleuret, Ardyn Izunia, Lunafreya Nox Fleuret, Gentiana, Iedolas Aldercapt, Iris Amicitia, Cid Sophiar, Cindy Aurum e Carbuncle. Baixo, esquerda para direita: Coru Leonis, Umbra, Gladiolus Amicitia, Noctis Lucis Caelum, Prompto Argentum e Ignis Scientia. Final Fantasy XV é um jogo eletrônico de RPG de ação desenvolvido e publicado pela Square Enix. É o décimo quinto título principal da série Final Fantasy e foi lançado em 29 de novembro de 2016. É conectado tematicamente com a Fabula Nova Crystallis Final Fantasy, uma subssérie de jogos ligados por uma mitologia em comum que também inclui Final Fantasy XIII e suas sequências e Final Fantasy Type-0. O mundo e os personagens foram criados por Tetsuya Nomura, o diretor original do jogo, que também desenhou os personagens principais. Revisões posteriores e personagens adicionais foram desenhados por Yusuke Naora, enquanto Roberto Ferrari e Yusaku Nakaaki também se envolveram na criação de alguns desenhos.
O enredo se foca em um conflito entre o Reino de Lucis e o Império de Niflheim pelo controle do Cristal mágico. O protagonista é Noctis Lucis Caelum, o herdeiro do trono de Lucis. Ele parte em uma jornada com três companheiros: Gladiolus Amicitia, herdeiro de uma família de guarda-costas reais; Ignis Scientia, estrategista e atendente de Noctis; e Prompto Argentum, amigo de uma família de baixa classe social. Noctis está de casamento arranjado com Lunafreya Nox Fleuret, uma figura religiosa que se comunica com os deuses. Outros personagens importantes incluem Regis Lucis Caelum CXIII, pai de Noctis e rei de Lucis; Coru Leonis, um guerreiro famoso; Iris Amicitia, irmã de Gladiolus; e Cid Sophiar e Cindy Aurum, dois mecânicos. O antagonista principal é Ardyn Izunia, chanceler de Niflheim, que tem o apoio do imperador Iedolas Aldercapt, do cientista Verstael Besithia, da mercenária Aranea Highwind e de Ravus Nox Fleuret, este o irmão de Lunafreya.
Final Fantasy XV originalmente era um título derivado chamado Final Fantasy Versus XIII, mas passou por várias mudanças durante seus dez anos de desenvolvimento, incluindo alterações e remoções de personagens e de elementos de história. O objetivo da equipe era criar uma narrativa e personagens mais realistas. Mídias adicionais baseadas no mundo e em seus personagens foram produzidas com o objetivo de expandir a história, sendo coletivamente chamadas de Final Fantasy XV Universe: estas incluem a minissérie de animação Brotherhood: Final Fantasy XV, o longa-metragem de animação Kingsglaive: Final Fantasy XV, vários conteúdos para download para o jogo principal e o romance Final Fantasy XV: The Dawn of the Future, este baseado em um conjunto extra de conteúdos para download cancelados.
A recepção dos personagens foi mista; os quatro membros do elenco principal e suas interações foram muito elogiados, porém a subutilização do elenco coadjuvante e a representação das personagens femininas foram frequentemente criticados. Houve alguns comentários sobre a representação de papéis de gênero e deficiência física de personagens. As mídias adicionais também tiveram uma recepção mista; Brotherhood foi elogiado pelo bom desenvolvimento de seus personagens, porém Kingsglaive foi criticado. Os conteúdos para download igualmente tiveram uma recepção mista, mas muitos críticos gostaram de como elas expandiram seus personagens.
Desenvolvimento Final Fantasy XV originalmente era um título derivado da série Final Fantasy chamado Final Fantasy Versus XIII, com seu conceito e ambientação tendo sido criados pelo diretor original Tetsuya Nomura. Inicialmente seria lançado para PlayStation 3, mas durante o desenvolvimento suas plataformas foram alteradas para os consoles de consoles de oitava geração PlayStation 4 e Xbox One. Hajime Tabata, diretor de Final Fantasy Type-0, tornou-se co-diretor do projeto durante essa transição, enquanto mais adiante assumiu todos os deveres de diretor no lugar de Nomura. O período de desenvolvimento durou aproximadamente dez anos, porém Tabata se refere a Versus XIII e XV como jogos diferentes. O título originalmente pertencia à Fabula Nova Crystallis Final Fantasy, uma coleção de jogos unidos por uma mitologia e temas em comum. Foi renomeado para XV em 2012 e "desconectado" da Fabula Nova Crystallis; apesar da mitologia ter permanecido, seu papel na história foi reduzido e sua terminologia única removida com o objetivo de auxiliar na divulgação e dar a XV uma identidade individual. Um tema que sobreviveu foi as dificuldades enfrentadas por humanos escolhidos por um cristal divino.
O conceito central de XV era "uma fantasia baseada em realidade": a ambientação foi baseada no mundo real e os elementos de fantasia surgiram a partir de ambientações familiares. Elaborar este aspecto do jogo foi muito difícil para Nomura antes do jogo ser transferido para a oitava geração de consoles. Apesar da história ser similar a outros títulos da série, ele desejava criar personagens mais realistas. Sua ambição era fazer um jogo "sobre o homem no mundo real", incluindo menos elementos de fantasia. Nomura também descreveu Versus XIII como um dos títulos mais sombrios de Final Fantasy até então, reconhecimento que sua atmosfera poderia reduzir seu público alvo, mas achava que isso era adequado para tais personagens. Ele queria retratar uma história centrada em um grupo de homens viajando pelo mundo, semelhante a um filme de estrada. Esta abordagem foi inspirada por experiências em sua juventude, em que frequentemente testemunhou grupos de um único gênero realizando longas viagens. Nomura não queria que os protagonistas fossem unidos por um destino grandioso, mas que fossem amigos naturais confrontados com situações bizarras e perigosas. A equipe criou cidades contendo elementos tanto familiares quanto estranhos com o objetivo de ajudar a transmitir a temática de um filme de estrada, se inspirando nas cenas iniciais de Back to the Future Part II.
Os temas originais eram "miséria" e "laços", com os personagens representando esses temas com suas ações e circunstâncias. A intenção era que fosse uma história dolorosa enfatizando o poder da amizade. O tema de laços foi representado pelo relacionamento de Noctis com seus amigos, além de com seu pai Regis. Um elemento narrativo importante foi a jornada de Noctis de príncipe para rei. O roteiro original foi escrito por Kazushige Nojima, que descreveu a história de Versus XIII como "Mito vs. Realidade". Vários aspectos foram alterados quando Versus XIII se tornou XV. Uma cena removida foi a abertura original, em que Noctis testemunha a assinatura de um tratado e então precisa escapar de Lucis quando as forças de Niflheim atacam. Estas cenas foram alteradas em favor de já ter o grupo fora da cidade no momento da invasão. Outros personagens revelados nos primeiros trailers foram mantidos e tiveram papéis importantes na história. Nojima, ao ser consultado sobre como sua história poderia ser alterada, respondeu que ficaria feliz contanto que o conceito geral permanecesse fiel ao original. Isto deu à equipe confiança para alterar a história original dentro de XV. Aproximadamente dois terços do roteiro original foram cortados. As alterações foram feitas principalmente por Saori Itamuro, que foi creditada como "Projetista Principal de Roteiro".
A história transcorre durante um período de dez anos e a aparência dos personagens muda conformem envelhecem. Isto contrariou a tendência de muitos RPGs eletrônicos japoneses, com a equipe desejando representar propriamente os personagens crescendo pela sua jornada. A abertura de XV mostra uma cena pertencenteo ao final da história, com esta abordagem tendo sido inspirada por Crisis Core: Final Fantasy VII, que tinha uma conclusão ligada à Final Fantasy VII. Em ambos os casos, os desenvolvedores queriam que os jogadores vivenciassem uma sequência de eventos que levassem a uma conclusão conhecida. O final foi deixado deliberadamente ambíguo para que os jogadores desenvolvessem suas próprias interpretações. A equipe afirmou, tanto em relação à Versus XIII quanto XV, que queriam que o jogo fosse o Final Fantasy mais triste até então. Elementos de comédia leve foram adicionados ao lado do enredo sério com o objetivo de atuarem como contrapeso. Uma grande quantidade de diálogos foram transmitidas por conversas em jogo em vez de em cenas cinemáticas. Nomura queria que o diálogo soasse "natural e não parecido com um jogo ou grandioso".
Desenho de personagens
Todo o elenco jogável de XV é masculino, diferente da maioria dos jogos de Final Fantasy anteriores. Este conceito foi decidido por Nomura desde o início e posteriormente concordado por Tabata, apesar deste ter algumas reservas a respeito. Mulheres ainda assim desempenham um papel importante na história. O elenco principal foi todo desenhado por Nomura. As roupas do personagem foram desenhadas por Hiromu Takahara, principal estilista da marca japonesa Roen. Seu envolvimento se deu principalmente pelos detalhes necessários nas roupas, que foram inspirados na moda ocidental; o próprio Nomura criar os figurinos teria consumido muito tempo diante de suas outras funções, que incluíam desenhar os personagens de Final Fantasy XIII. Ele também queria continuar a expressar o realismo do jogo por meio das roupas dos personagens. A característica de desenho para os personagens principais foi "tudo preto", enquanto as roupas usavam o estilo assimétrico característico da Roen. Estes desenhos foram mantidos quando o jogo se tornou XV, pois a equipe achou que seria errado removê-los. A mudança de Versus XIII para XV fez com que personagens como Regis fossem redesenhados, enquanto outros foram removidos e substituídos, como foi o caso de Stella por Lunafreya. Uma mudança causada pela transição aos novos consoles foi que o estilo artístico se distanciou do visual "estilizado" exigido pelos consoles anteriores. O cabelo dos personagens foi primeiro criado por um cabeleireiro usando uma peruca com o objetivo de maximizar o realismo, em seguida foi renderizado dentro do jogo usando a tecnologia do motor de jogo Luminous Studio.
Ardyn, Gentiana, Iris, Aranea, Umbra, Cindy, Cid e Verstael foram desenhados por Roberto Ferrari, que anteriormente tinha trabalhado em Type-0 e se envolveu no projeto desde o início do seu desenvolvimento como Versus XIII. Esses desenhos foram completados em 2010. Ele entrou em Versus XIII no mesmo ano depois de uma desenhista ter se demitido. As várias alterações do conteúdo do jogo fizeram com que a maioria dos desenhos de personagens de Ferrari não fossem usados. Isto foi algo que o deixou frustrado por considerar esses personagens nunca vistos como tendo os desenhos mais marcantes. Muitos dos desenhos que sobreviveram foram alterados no decorrer do desenvolvimento, incluindo aqueles de Gentiana e Umbra. Ardyn e Aranea permaneceram quase inalterados. Outro artista que contribuiu com o projeto foi Yusaku Nakaaki, que ajudou a desenhar Cindy. Tabata achou que Cindy era uma personagem alegre e ativa, acreditando que sua aparência em conjunto com tais traços de personalidade não seriam problemáticos diante de um público que talvez esperasse vestimentas mais modestas da parte dela. As vestimentas pretas dos personagens principais foram mantidas como referências aos conceitos de "veneração da morte" que originalmente estavam presente em Versus XIII, que foram cortados para evitar muitas alterações por conta de leis de censura regionais. O preto ainda assim permaneceu como uma cor importante por sua conexão com a família real lucense. Aera e Somnus foram baseados fisicamente em Lunafreya e Noctis, respectivamente, enquanto a versão jovem de Verstael foi fisicamente baseada em Prompto.
Outras mídias