Raul Barretto (São Paulo, São Paulo, 17 de março de 1959) é um ator, palhaço, produtor cultural. É um grande incentivador das artes circenses de reconhecimento nacional e internacional, e integrante do Grupo Teatral Parlapatões, onde dedicam-se a comédia, ao circo e ao teatro de rua, trabalhando há décadas ao lado de Hugo Possolo.
Biografia Nascido e criado na cidade de São Paulo, Raul Barreto estudou primário e ginásio no Colégio Dante Alighieri. Iniciou sua vida acadêmica cursando engenharia civil pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP, 1982), e em paralelo filosofia na Universidade de São Paulo (USP, 1983). Chegando a trabalhar na área da engenharia em empresas como: Wisling Gomes, Racional, Torremolinos e Lalco, entre os anos de 1980 até 1984, porém, Raul Barreto já sentia que não seria este o caminho, o qual realmente iria conseguir se realizar. Patrícia Mesquita, muda então a trajetória de Raul, sugerindo intuitivamente que ele fizesse um mergulho no universo do teatro e da música, traçando assim uma ponte entre Barretto e Antonio Nóbrega.
Antonio Nóbrega, artista multidisciplinar, pesquisador das expressões culturais populares, se torna figura central na formação artística de Raul, compartilhando com ele parte de sua profunda pesquisa pela arte brasileira, e abrindo novos horizontes para o futuro ator. Sob a direção de Nóbrega destacam-se as encenações de Raul em Mateus Presepeiro, no ano de 1985, e O Alvará, em 1990. Entre os anos de 1983 e 1985 dá continuidade sua pesquisa teatral e cênica, ingressando no Circo Escola Picadeiro, sob orientação de José Wilson Moura, se propondo a um profundo mergulho no mundo do circo e da palhaçaria. Nesta nova jornada teve aulas com Klaus Vianna e outros mentores; especializou-se em malabarismo, monociclo, mímica, atirador de facas, clown, Commedia Dell’Arte, mágica e ilusionismo, entre outras práticas que o levaria a pertencer a primeira leva de artistas dedicados as artes circenses no Brasil. Em 1985 Raul decide abandonar de vez seu trabalho como engenheiro civil.
Carreira miniaturadaimagem|341x341px|Raul Barretto na montagem Mateus Presepeiro (1985), direção de Antonio Nóbrega Em 1985, Raul Barreto passa a integrar o Centro de Pesquisa Teatral (CPT), dirigido por Antunes Filho, e decide dedicar-se aos estudos teatrais em várias vertentes, segue com seu estudo em artes circenses, incorpora aos estudos aulas de corpo, dança, música, violão, técnicas vocais, canto e voz. No ano de 1990 ingressa no curso de especialização em Artes Circenses na École National des Arts Du Cirque, em Châlons-sur-Marne na França.
Em 1992, no Circo Escola Picadeiro, conhece Hugo Possolo, e recebe o convite para integrar a Cia. Teatral Parlapatões, incumbência que é muito bem aceita, transformando-se em morada de Raul Barreto por mais de trinta anos e de trajetória que modificaria a história da arte circense no Brasil. A dupla Possolo e Barretto, juntamente com os Parlapatões, torna-se referência no palco de rua, o ineditismo do grupo traz ao teatro de rua dramaturgias próprias carregadas de reflexões político-sociais, provocativas, que atravessam o espectador por intermédio da comicidade contemporânea e da palhaçaria, sob a premissa do papel transformador originário do riso, eminente ao coletivo. Outro destaque alusivo a trupe é a escolha de repertórios voltados para uma plateia diversa, tanto de faixa etária quanto de classe social, onde buscam diálogo franco e aberto com o público e a interação com os atores-palhaços permeia o lúdico. esquerda|miniaturadaimagem|341x341px|Hugo Possolo e Raul Barretto em Sardanapalo (1993) Em 1993, Raul Barretto estreia na peça Sardanapalo, de Hugo Possolo e Parlapatões, encenando em um pequeno galpão teatral, com o intuito de levar elementos do teatro de rua e de circo para dentro da sala de espetáculo, e com esta montagem o nome da companhia é projetado nacionalmente.
Com os Parlapatões, Barreto esteve presente montagens nacionais e internacionais em suas brilhantes interpretações como em U Fabuliô (1996), Piolim (1997), [email protected] (1998), As Nuvens e/ou Um Deus Chamado Dinheiro (2003), O Bricabraque (2004), Nóis Otário[S] (2012), Até que Deus é um Ventilador de Teto (2015), A Cabeça de Yorick (2018), entre outros.
miniaturadaimagem|341x341px|O Bricabraque (2004)
Em 2006, o grupo inaugura então sua sede oficial, sediada na Praça Franklin Roosevelt, O Espaço Parlapatões, casa que abriga montagens da trupe, de outros artistas, festivais, shows, mostras, workshops, happenings e um ponto de encontro e resistência artístico-cultural em São Paulo. O Espaço Parlapatões integrou parte do movimento de revitalização do centro histórico de São Paulo, por este trabalho Raul Barretto foi reconhecido e homenageado pelo trabalho cultural, juntamente à Hugo Possolo, Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez, fundadores do grupo teatral Os Satyros, com o Prêmio Cidadão SP da instituição Catraca Livre, em 2017.
esquerda|miniaturadaimagem|341x341px|A Cabeça de Yorick (2018)
Raul Barreto dedica sua vida a atuação, e é reconhecido pela crítica por sua dedicação em prol da arte, da palhaçaria e da arte circense, tendo sido indicado e ganhado premiações das mais importantes pelo país, como Prêmio Shell, Prêmio APCA, Prêmio Aplauso Brasil, entre outros. Além do teatro, a longeva carreira de Barreto compreende títulos como os programas Revistinha (1988), Rá-Tim-Bum (1989), ambos da TV Cultura; importantes telenovelas como Meu Pedacinho de Chão (2014), I Love Paraisópolis (2015), ambas pela Rede Globo; dezenas de curta-metragem, média-metragem e longa-metragem de relevância nacional e internacional, como os filmes O Cheiro do Ralo (2007), Meu Amigo Hindu (2016) e Bingo: O Rei das Manhãs (2017). Raul, ainda, fez papéis importantes séries como nas quatro temporadas de Psi (2013 até 2018), produzida pela HBO e dirigida por Contardo Calligaris.
miniaturadaimagem|341x341px|O Mundo de Hundertwasser (2018)
Em 2009, junto à grandes nomes do teatro da cidade de São Paulo, funda a Associação dos Artistas Amigos da Praça (ADAAP), Organização Social de Cultura, sem fins lucrativos, voltada para promover cultura, arte e educação, e que hoje é referência na formação de profissionais de teatro, nacional e internacionalmente. Raul Barretto acreditando que o ensino é agente de transformação social, em 2010, junto a gestão da ADAAP, e a nomes como Ivam Cabral, Rodolfo García Vázquez, Alberto Guzik, Hugo Possolo, Cléo de Páris, Guilherme Bonfanti, J.C. Serroni, Marici Salomão e Raul Teixeira, criam o sonhado projeto pedagógico SP Escola de Teatro, instituíção de ensino de valor ético, estético, criativo, inclusivo, e, que hoje ocupa o lugar de um dos mais importantes centros de formação das artes do palco na América Latina. Atualmente Raul Barreto é coordenador do curso de Humor na Instituição Educativa SP Escola de Teatro.
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