Anthony Ashley-Cooper, 7º Conde de Shaftesbury (28 de abril de 1801 - 1 de outubro de 1885), denominado Lord Ashley de 1811 a 1851, foi um político conservador britânico, filantropo e reformador social. Ele era o filho mais velho do 6º Conde de Shaftesbury e de Lady Anne Spencer (filha do 4º Duque de Marlborough) e irmão mais velho de Henry Ashley, MP. Conhecido como "Conde dos Pobres", ele fez campanha por melhorias nas condições de trabalho, reforma das leis para pessoas com distúrbios mentais, educação e limitação do trabalho infantil. Foi também um dos primeiros apoiadores do movimento sionista e da YMCA, além de uma figura de destaque no movimento evangélico na Igreja da Inglaterra .

Formação Lord Ashley, como foi chamado até a morte de seu pai em 1851, foi educado na escola Manor House em Chiswick, Londres (1812–1813), na Harrow School (1813–1816) e na Christ Church, Oxford, onde obteve honras de primeira classe em estudos clássicos em 1822, obteve seu mestrado em 1832 e foi nomeado DCL em 1841. Enquanto estava em Oxford, ele se juntou à Apollo University Lodge.

Não recebeu muito afeto no início de sua vida familiar, o que era comum na alta classe britânicas. GFA Best, em sua biografia Shaftesbury, escreve que "Ashley cresceu sem nenhuma experiência de amor parental. Ele via pouco seus pais e, quando o dever ou a necessidade os obrigavam a percebê-lo, eles eram formais e assustadores." Mesmo quando adulto, ele não gostava de seu pai e era conhecido por se referir à sua mãe como "um demônio".

Sua infância difícil foi amenizada pelo carinho que ele recebeu da governanta da família, Maria Millis, e de suas irmãs. Millis demonstrou a Ashley um modelo de amor cristão que serviria de base para grande parte de seu posterior ativismo social e trabalho filantrópico, como explica Best: "O que o tocou foi a realidade e a praticidade caseira do amor que seu cristianismo a fez sentir pela criança infeliz. Ela lhe contou histórias da Bíblia, ela lhe ensinou a orar." Apesar deste poderoso alívio, a escola se tornou outra fonte de angústia para o jovem Ashley, cuja educação na Manor House de 1808 a 1813 tornou-se uma "gama mais repugnante de horrores". O próprio Shaftesbury estremecia ao recordar-se daqueles anos: "O lugar era mau, perverso, imundo; e o tratamento era de fome e crueldade."

Na adolescência, Ashley se tornou um cristão convicto e, enquanto estava em Harrow, teve duas experiências que influenciaram sua vida posterior. "Uma vez, no sopé de Harrow Hill, ele foi a testemunha horrorizada do funeral de um pobre. Os carregadores bêbados, tropeçando com um caixão grosseiro e gritando canções obscenas criaram um cenário de insensibilidade que deixava até mesmo as angústias de sua própria infância em contexto. O segundo incidente foi sua escolha incomum de um tema para um poema em latim. No terreno da escola, havia um lago desagradável que era foco de mosquitos, chamado Duck Puddle. Ele o escolheu como tema porque desejava urgentemente que as autoridades da escola fizessem algo a respeito, e esta parecia ser a maneira mais simples de chamar a atenção deles para o problema. Logo depois, o Duck Puddle foi inspecionado, condenado e aterrado. Este pequeno triunfo foi um estímulo útil para sua autoconfiança, mas foi mais do que isso. Foi uma prévia de sua habilidade em fazer as pessoas agirem decisivamente diante da preguiça ou do interesse próprio imediato. Isso se tornaria um de seus maiores trunfos no Parlamento."

Carreira política Ashley foi eleito membro conservador do Parlamento por Woodstock (na época um pequeno distrito controlado pelo duque de Marlborough) em junho de 1826 e foi um forte apoiador do duque de Wellington. Depois que George Canning substituiu Lord Liverpool como primeiro-ministro, ele ofereceu a Ashley um lugar no novo governo, apesar de Ashley estar na Câmara dos Comuns há apenas cinco meses. Ashley educadamente recusou, escrevendo em seu diário que acreditava que servir sob o comando de Canning seria uma traição à sua lealdade ao duque de Wellington e que ele não estava qualificado para o cargo. Antes de completar um ano na Câmara dos Comuns, ele foi nomeado para três comissões parlamentares e recebeu sua quarta nomeação em junho de 1827, quando foi nomeado para a Comissão Seleta sobre Lunáticos Pobres no Condado de Middlesex e sobre Asilos de Lunáticos.Nessa época, o termo "lunático" era adotado para se referir a pessoas com transtornos mentais.

Reforma das leis para lunáticos esquerda|miniaturadaimagem| Lord Shaftesbury por Henry Hering Em 1827, quando Ashley-Cooper foi nomeado para o Comitê Seleto sobre Lunáticos Pobres no Condado de Middlesex e sobre Asilos de Lunáticos, a maioria dos doentes mentais em Londres era mantida em hospícios de propriedade do Dr. Warburton. O Comitê interrogou muitas testemunhas sobre um de seus hospícios em Bethnal Green, chamado Casa Branca. Ashley visitou o local em nome do comitê. Os pacientes eram acorrentados, dormiam nus sobre palha e defecavam em suas camas. Eles ficaram acorrentados desde a tarde de sábado até a manhã de segunda-feira, quando eram retirados os excrementos acumulados. Eles então eram lavados com água gelada e uma toalha era distribuída para 160 pessoas, sem sabão. O local estava superlotado, e a carne fornecida era "aquele músculo duro, grosso e desagradável que um cachorro não conseguiria comer". A Casa Branca foi descrita como "um mero lugar para morrer" em vez de curar os pacientes e quando o Comitê perguntou ao Dr. MacMichael se ele acreditava que "nos hospícios de Londres algum processo curativo estava acontecendo com relação aos pacientes pobres", ele respondeu: "Nenhum". direita|miniaturadaimagem| Lord Shaftesbury por George Frederick Watts O Comitê recomendou que “medidas legislativas de caráter corretivo fossem introduzidas o mais cedo possível na próxima sessão”, e a criação de um Conselho de Comissários nomeado pelo Secretário do Interior, possuindo amplos poderes de autorização, fiscalização e controle. Quando, em fevereiro de 1828, Robert Gordon, deputado liberal por Cricklade, apresentou um projeto de lei para transformar essas recomendações em lei, Ashley apoiou e fez seu primeiro discurso em apoio ao projeto. Ele escreveu em seu diário: "Então, pela bênção de Deus, meu primeiro esforço foi para o avanço da felicidade humana. Que eu possa melhorar a cada hora! O medo quase me privou da lembrança, mas, novamente, graças a Deus, não me sentei como um idiota presunçoso". Ashley também esteve envolvido na elaboração da Lei dos Asilos para Lunáticos do Condado (Inglaterra) de 1828 e da Lei dos Hospícios de 1828. Por meio dessas leis, quinze comissários foram nomeados para a área de Londres e receberam amplos poderes de autorização e fiscalização, sendo Ashley um desses comissários.

Em julho de 1845, Ashley defendeu duas Leis de Lunáticos, "Para a Regulamentação de Asilos para Lunáticos" e "Para o Melhor Cuidado e Tratamento de Lunáticos na Inglaterra e no País de Gales". Elas se originaram no Relatório dos Comissários sobre Insanidade, que ele havia recomendado ao Parlamento no ano anterior. Essas leis consolidaram e alteraram leis anteriores sobre insanidade, proporcionando uma melhor manutenção dos registros dos pacientes e regras de certificação mais rigorosas para protegê-los contra internações injustificadas. Eles também ordenaram, em vez de apenas permitir, a construção de asilos para lunáticos no interior e o estabelecimento de uma Comissão de Lunáticos permanente, com Ashley na presidência. Em apoio às medidas, Ashley fez um discurso no qual afirmou que, embora tenha havido uma melhoria desde 1828, ainda era preciso fazer mais. Ele citou o caso de uma garota galesa com transtorno mental, Mary Jones, que ficou trancada por mais de uma década em um pequeno loft com uma janela fechada com tábuas, com pouco ar e nenhuma luz. Seu quarto era extremamente sujo e com um cheiro insuportável. Ela não conseguia ficar em pé, precisando agachar-se em uma posição curvada, o que casou-lhe uma deformação na coluna. miniaturadaimagem| O Conde de Shaftesbury por Carlo Pellegrini, 1869 No início de 1858, um Comitê Seleto foi nomeado devido às preocupações de que pessoas sãs estavam sendo internadas em hospícios. Lord Shaftesbury (nome adotado por Ashley após a morte de seu pai em 1851) foi a principal testemunha e se opôs à sugestão de que a certificação de insanidade fosse dificultada e que o tratamento precoce da insanidade fosse essencial para que houvesse alguma perspectiva de cura. Ele alegou que apenas uma ou duas pessoas que lidavam com loucura em sua época foram detidas em um asilo sem motivos suficientes e que os comissários deveriam receber mais poderes, e não menos. O relatório do comitê endossou todas as recomendações de Shaftesbury, exceto a de que não fosse tornada obrigatória a assinatura de um magistrado em um laudo de insanidade. A recomendação por tal obrigatoriedade constou no relatório apesar dos protestos de Shaftesbury. O Relatório também concordou com Shaftesbury sobre as detenções injustificadas serem "extremamente raras".

Em julho de 1877, Shaftesbury prestou depoimento perante o Comitê Seleto sobre Leis de Loucura, nomeado em fevereiro diante de novas preocupações sobre pessoas sãs estarem sendo indevidamente internadas em asilos. Shaftesbury temia que, devido à sua idade avançada, ele fosse tomado pelo esquecimento ao prestar seu depoimento e ficou muito estressado nos meses que o antecederam: "Será que cinquenta anos de trabalho duro, ansiedade e oração, coroados por um sucesso maravilhoso e inesperado, me trarão no final apenas tristeza e desgraça?" Quando "a hora do julgamento" chegou, Shaftesbury defendeu a Comissão e afirmou que agora era a única pessoa viva que podia falar com conhecimento pessoal sobre o estado do tratamento dos pacientes antes da Comissão ser estabelecida em 1828. Era "um estado de coisas que ultrapassava qualquer crença". No relatório do comitê, os membros concordaram com as provas apresentadas por Shaftesbury em todos os pontos.

Em 1884, o marido de Georgina Weldon tentou interná-la em um hospício porque ela acreditava que seu cão pug tinha alma e que o espírito de sua falecida mãe havia entrado em seu coelho de estimação. Ela iniciou uma ação legal contra Shaftesbury e outros comissários, mas não obteve sucesso. Em maio, Shaftesbury discursou na Câmara dos Lordes contra uma moção que declarava as leis sobre insanidade insatisfatórias, mas a moção foi aprovada pelo Parlamento. O Lorde Chanceler Selborne apoiou um Projeto de Lei de Emenda à Lei da Insanidade e Shaftesbury quis renunciar à Comissão da Insanidade, pois acreditava que era obrigado pela honra a não se opor a um Projeto de Lei apoiado pelo Lorde Chanceler. No entanto, Selborne implorou que ele não renunciasse, então Shaftesbury se absteve. Entretanto, quando o projeto de lei foi apresentado e continha a disposição que tornava obrigatória a assinatura de um magistrado ou juiz no laudo de internação, ele renunciou. Entretanto, o governo caiu e o projeto de lei foi retirado. Shaftesbury retomou sua presidência da Comissão de Insanidade.

O trabalho de Shaftesbury na melhoria do atendimento aos doentes mentais continua sendo uma de suas realizações mais importantes, embora menos conhecidas. Ele escreveu: "Além do círculo dos meus próprios comissários e dos pacientes que visito, nenhuma alma, na vida grande ou pequena, nem mesmo meus associados em minhas obras de filantropia, tem qualquer noção dos anos de trabalho e cuidado que, por Deus, dediquei a esta questão melancólica e terrível".

Trabalho infantil