Augusto Ferreira Bugalho Gomes (São Paulo, Lisboa, 31 de agosto de 1892 — Santa Isabel, Lisboa, 1 de fevereiro de 1953) foi um jornalista, poeta e ficcionista, crítico literário e de artes plásticas, integrado nos movimentos vanguardistas do modernismo português das primeiras décadas do século XX e um dos amigos mais próximos e companheiro ocultista de Fernando Pessoa.O Almocreve das Tretas : «Augusto Ferreira Gomes».Foteini Vlachou, «Augusto Ferreira Gomes and Orpheu 3: The “Death of a Faun” and Literary Ekphrasis in Portugal at the beginning of the twentieth century» in Pessoa Plural: 8 (2015).Dicionário cronológico de autores portugueses, vol. III, p. 441.Fernando J. B. Martinho in Álvaro Manuel Machado (coor.), Dicionário de literatura portuguesa, pp. 188-189. Editorial Presença, 1996.Patrícia Esquível, Teoria e Crítica de Arte em Portugal (1921-1940), p. 281. Lisboa: Edições Colibri, 2007 ().
Biografia Augusto Ferreira Gomes nasceu em Lisboa, na freguesia de São Paulo, e aí trabalhou como jornalista. Era filho do empregado comercial Eduardo Bugalho Gomes, natural de Avis (freguesia de Figueira e Barros), e de Emília da Conceição Ferreira Gomes, doméstica, natural de Almada.
Conheceu Fernando Pessoa, de quem foi um íntimo amigo e também sócio, juntamente com Geraldo Coelho de Jesus.Modernismo : Ferreira Gomes.. Realizou uma lendária entrevista com Pessoa, cuja tradução chegou a ser publicada num jornal francês, realizada com o poeta na sequência do desaparecimento de Aleister Crowley na Boca do Inferno. É considerado um representante do primeiro modernismo em Portugal e escreveu para revistas como a Contemporanea e a Athena.
Casou primeira vez com Marcelle Noel, de quem se divorciou por sentença de 31 de julho de 1944. A 22 de janeiro de 1945, casou segunda vez civilmente, em Lisboa, com Vitória Adelaide Maria de Sousa Martins Feio Braga (Santa Isabel, Lisboa, c. 1911), doméstica, filha do dramaturgo Vitoriano Feio Braga, natural de Lisboa (freguesia de São Vicente), e de Maria Isabel de Sousa Martins Pereira Braga, natural de Freixo de Espada à Cinta.
Durante toda a sua vida, esteve rodeado de um ar de mistério: interessava-se muito pelo ocultismo e pelo esoterismo, existem muito poucas fotografias suas e sempre evitou um público literário alargado. A sua homossexualidade, bem conhecida nos meios literários, também não foi publicitada, embora nunca a tenha negado. Por exemplo, era suposto contribuir com o poema homoerótico A morte do Fauno para o planeado mas nunca realizado terceiro número da lendária revista Orpheu.
O seu carácter é geralmente descrito como instável e neurótico. Grande parte da sua vida continua a ser um mistério. Durante a queima de livros, em que foram também queimadas as obras de António Botto e Raul Leal, os seus livros foram também atirados ao fogo, sobretudo devido às suas conotações homoeróticas.
Morreu vítima de esclerose do miocárdio a 1 de fevereiro de 1953, em sua casa, na Rua de São Bento, n.º 358-A, 3.º andar, freguesia de Santa Isabel, em Lisboa. Foi sepultado em jazigo de família no Cemitério do Alto de São João.
Referências
Obras Entre outras, é autor das seguintes obras: Rajada doentia (apontamentos), poesia. Lisboa: Empreza de Publicações Populares, 1915. O Cosme, 1922 Múmia Assassina?: Novela Sucesso. Lisboa, 1923. Procissional, poemas. Lisboa: Portugália, 1921. Quinto Império (poesia; prefácio de Fernando Pessoa). Lisboa: Parceria António Maria Pereira, 1934. Eterna Tragédia. Lisboa, Edições Delta. No Claro Escuro das Profecias. Lisboa: Livraria Portugália, 1941 (reeditado em Lisboa, Roma Editora, 2005). Ligações externas Augusto Ferreira Gomes (1892-1953) Poesias ocultistas Quinto Império de Augusto Ferreira Gomes
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