thumb O tema da toxicidade dos pesticidas para as abelhas é importante para a apicultura como para a agricultura, porque bem que a polinização possa ocorrer pela ação do vento e da gravidade, ela depende sobretudo em 80% dos animais, como pássaros, morcegos e insetos. E nesses últimos, as abelhas são consideradas os principais polinizadores, sendo responsáveis por realizar a reprodução cruzada de 73% de todas as espécies vegetais cultivadas no mundo. Portanto, a sua ação é fundamental para a produtividade do mundo agrícola, e é evidente que as alterações nas suas populações podem levar a significativas perdas económicas. O serviço de polinização pelas abelhas foi calculado em 215 bilhões de dólares anuais no ano de 2015. Sem a presença das abelhas, o mundo agrícola entraria em colapso, haveria mudanças climáticas drásticas devido a menor biodiversidade e consequente pobreza, miséria e fome devido à menor produção agrícola de alimentos. No entanto, as abelhas estão desaparecendo das áreas agrícolas por causa da introdução de espécies exóticas, grandes áreas de monocultura, desmatamento para agricultura e pastagem e, principalmente, fragmentação de habitats e uso excessivo ou incorreto de pesticidas. O uso de novas práticas de cultivo como a implementação de monocultura sem infestantes, elimina muitas espécies de plantas nativas, as quais fornecem néctar, pólen, locais de descanso, nidificação e reprodução aos insetos. Depois, o cultivo por uma única espécie vegetal favorece o aparecimento de pragas e doenças, o que torna a agricultura moderna cada vez mais dependente do uso de agrotóxicos. Enfim, as monoculturas florescem por um curto período de tempo, reduzindo a disponibilidade de alimento e promovendo a queda do número e diversidade de polinizadores. Por isso a utilização abusiva de agrotóxicos, principalmente nas áreas de monoculturas, é o fator mais impactante para os polinizadores. Nos Estados Unidos, por exemplo, o número de colónias foi reduzido em 53%, passando de 6 milhões para 2,8 milhões, desde 1940. No entanto, as abelhas polinizam 52 dos 115 principais produtos alimentícios cultivados na América do Norte. No Brasil, foi relatado a contaminação no mel com resíduos de agrotóxicos, que correspondem principalmente a organofosforados (47,5%) e organoclorados (9,8%). Daqui, sugere-se que durante as práticas agrícolas se aplicam pesticidas como organofosforados em excesso, especialmente clorpirifós, que foram encontrados de forma residual em 36,1% dos méis analisados em diferentes trabalhos. A presença desses compostos, apresenta um risco para a saúde humana e para a colmeia. Por exemplo em 2010, na região de São Paulo, mais de 250 colmeias morreram e cerca de 10 toneladas de mel foram contaminadas pela aplicação incorreta do agrotóxico Fipronil, num laranjal.

Formulações de pesticidas O dano real às populações de abelhas é função da toxicidade e da exposição ao composto, em combinação com o modo de aplicação. Os pesticidas vêm em diferentes formulações (principais formulações): Grânulos dispersíveis em água (WG) Pó solúvel em água (SP) Pó molhável (WP) Suspensão concentrada (SC) Suspo-emulsão (SE) Emulsão óleo em água (EW) Emulsão de água em óleo (EO) Concentrado para Emulsão (EC) Solução concentrada (SL)

Contaminação As abelhas podem estar expostas aos pesticidas, por : Contacto por causa do contacto direto com a nuvem de pulverização sobretudo se a cultura está em floração. por causa do contacto com as superfícies atingidas pela aplicação do produto. Ingestão por causa do consumo de néctar e de pólen contaminado. por causa do consumo de néctar e de pólen contaminado pela translocação do produto aplicado nas sementes, no tronco ou no solo por pesticidas sistémicos. De facto, um pesticida sistémico, que é incorporado no solo ou aplicado sobre as sementes, pode matar insetos que vivem no solo, como Larvas ou grilos-toupeira, bem como outros insetos, incluindo abelhas, que são expostos às folhas, frutos, pólen e néctar das plantas tratadas. Fumigação (contaminação pelos vapores ou gases).

Dos pesticidas de contacto, os pesticidas em pó e em pó molhável tendem a ser mais perigosos para as abelhas do que soluções ou concentrados emulsionáveis. Quando uma abelha entra em contacto com pesticidas enquanto forrageia, ela pode morrer de imediato sem voltar à colmeia. Neste caso, a abelha-rainha, as crias e as abelhas amas não são contaminadas e a colónia sobrevive. Ao contrário, quando a abelha volta para a sua colónia com pólen ou néctar contaminado pode causar a morte generalizada da colónia.

Toxicidade A toxicidade dos inseticidas é geralmente medida usando valores de toxicidade de contacto agudo LD50 o nível de exposição que causa a morte de 50% da população exposta. Os limiares de toxicidade são geralmente fixados emhttp://www.agr.wa.gov/pestfert/Pesticides/docs/PollinatorSLNSect18.pdf Pollinator protection requirements for Section 18 Emergency Exemptions and Section 24(c) special local need registration in Washington State; Registration Services Program Pesticide Management Division Washington State Dept of Agriculture, Dec 2006

altamente tóxico (LD50 toxicidade aguda < 2 μg /abelha) moderadamente tóxico (LD50 toxicidade aguda de 2 – 10,99 μg/abelha) ligeiramente tóxico (LD50 toxicidade agudade 11 – 100 μg/abelha) não tóxico (LD50 toxicidade aguda > 100 μg/abelha) para abelhas adultas.

Efeitos da contaminação Toxicidade aguda e letal

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A toxicidade aguda de pesticidas sobre as abelhas, que pode ser por contacto ou ingestão, é geralmente quantificada pela LD50. A toxicidade aguda de pesticidas causa uma série de efeitos nas abelhas, que podem incluir agitação, vómitos, paralisia das asas, arqueamento do abdómen semelhante ao reflexo de picada e movimentos descoordenados. A toxicidade aguda pode depender do modo de exposição, por exemplo, muitos pesticidas causam efeitos tóxicos por contacto, enquanto os neonicotinóides são mais tóxicos quando consumidos por via oral. A toxicidade aguda, embora mais letal, é menos comum que a toxicidade subletal ou efeitos cumulativos. O envenenamento das larvas por pesticidas clorpirifós, imidaclopride, myclobutanil, simazine, glifosato e fluvalinato tem por efeito uma alta taxa de mortalidade. Quanto aos inseticidas, aproximadamente 90% são neurotóxicos, ou seja, danificam o sistema nervoso central, especificamente na transmissão dos impulsos nervosos pelas células nervosas. Os inseticidas das classes dos organofosforados e carbamatos são inibidores da acetilcolinesterase, ocasionando acúmulo de acetilcolina (a acetilcolina e o ácido gama-aminobutírico (GABA) são os principais neurotransmissores dos insetos) nas sinapses nervosas, sendo o sistema nervoso superestimulado, ocorrendo impulsos contínuos e descontrolados, levando a hiperexcitação do sistema nervoso central e morte do animal.

Efeitos subletais e crónicos Além de altas concentrações de agrotóxicos que ocasionam a morte imediata das abelhas, descrito como efeito letal, os efeitos dos inseticidas em baixas concentrações sobre as abelhas podem ser subagudo ou subletais quando não causam mortalidade da população mas podem causar efeitos fisiológicos ou/e comportamentais de longo prazo que afetam todo o funcionamento da colmeia e, consequentemente, seus serviços aos ecossistemas e às culturas agrícolas, como: Deficiências no desenvolvimento e na capacidade de combater infeções. Mudanças fisiológicas no desenvolvimento embrionário e no aparecimento de mutações. Alteração do padrão de forrageamento. Redução da movimentação e da mobilidade, dificuldades de retorno à colónia por falta de orientação espacial Diminuição da capacidade de comunicação e de aprendizagem. Por exemplo, elas encontram problemas no reconhecimento de flores e colmeias. Interferências no comportamento alimentar, por meio de efeitos repelentes, que inibem a alimentação ou capacidade olfativa reduzida. Exemplos de efeitos subletais fisiológicos: disfunções notáveis nas células do coração, com mudanças na frequência e força das contrações cardíacas provocadas pelo piretróide deltametrina, outros podem afetar a termorregulação e causar hipotermia, ou provocar deficiências nas funções cerebrais e intestinal.

Principais indícios de contaminação Indícios de que a colmeia está sendo afetada por substâncias tóxicas: grande número de abelhas mortas nas proximidades das colónias; redução no número de postura e da população total; diminuição da atividade de forrageamento; irritabilidade excessiva; autolimpeza excessiva; incapacidade de substituição natural da rainha; mortalidade das larvas; má formação das larvas. A alteração nas populações de abelhas é um claro dano colateral derivado do uso de agrotóxicos e, consequentemente, eles poderiam ser indicadores biológicos de seu efeito prejudicial a nível ecológico e ambiental.

O distúrbio do colapso das colónias

O distúrbio do colapso das colônias (CCD) é uma síndrome caracterizada pela perda repentina de abelhas adultas da colmeia. Muitas explicações possíveis foram propostas, mas nenhuma causa primária foi encontrada. O Departamento de Agricultura dos EUA indicou em um relatório de 2010 ao Congresso que uma combinação de fatores poderia estar causando o colapso das colónias, incluindo pesticidas, patógenos e parasitas. Embora se suspeitasse que os pesticidas faziam parte do problema, um estudo de colónias saudáveis e afetadas por CCD revelou níveis semelhantes de pesticidas na cera e no pólen. Na Europa, os pesticidas, especialmente os neonicotinoide, têm sido investigados em relação aos riscos para as abelhas, como o Distúrbio do colapso das colônias. Um estudo de 2018 realizado pela Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) concluiu que a maioria das utilizações de pesticidas neonicotinoides, como a clotianidina, representam um risco para as abelhas selvagens e as abelhas melíferas. Os neonicotinoides foram proibidos para uso externo em toda a União Europeia desde 2018, mas têm aprovação condicional nos EUA e em outras partes do mundo, onde são amplamente utilizados.

Taxa de mortalidade de abelhas por colmeia A taxa de mortalidade de abelhas em uma única colmeia pode ser classificada como:Radunz, L. and Smith, E. S. C. Pesticides Hazard to Honey Bees Entomology, Darwin, Australia

< 100 abelhas por dia – taxa normal de mortalidade 200–400 abelhas por dia – baixa mortalidade 500–900 abelhas por dia – mortalidade moderada Mais de 1000 abelhas por dia – alta mortalidade

Pesticidas Todas as substâncias listadas são inseticidas, exceto o 2,4-D, que é um herbicida. Algumas substâncias também são aracnicidas. Nome normalizado da Organização Internacional de Normalização (ISO)Nomes comerciaisClasse do PesticidaDuração da toxicidade residualComentáriosToxicidade para as abelhasAldicarbeTemi, RelativelykCarbamatoProibido na UE e no Brasil. Aplicação 4 semanas antes da florescência.Relativamente não tóxicoCarbarilSevin,