Em 3 de dezembro de 2024, o presidente sul-coreano Yoon Suk-yeol declarou unilateralmente lei marcial () na Coreia do Sul durante um pronunciamento noturno transmitido ao vivo pela televisão YTN. Yoon acusou o principal partido de oposição, o Partido Democrático, de simpatizar com a Coreia do Norte e de atividades antiestatais.

A declaração foi contestada pelo Partido Democrata e alguns membros do Partido do Poder Popular de Yoon, e resultou em protestos por parte da população sul-coreana. Duas horas depois, apesar das tentativas das forças de segurança de impedir a votação na câmara, a maioria dos parlamentares na Assembleia Nacional aprovou uma moção de 190–0 em 4 de dezembro para suspender a lei marcial. Yoon posteriormente declarou que suspenderia a lei marcial após o parlamento votar para bloquear a ordem. Após o fim da lei marcial, a oposição declarou que iniciaria um processo de impeachment de Yoon na Assembleia se ele não renunciasse.

Yoon torna-se o primeiro presidente sul-coreano em exercício a ser alvo de mandado de prisão e, em janeiro de 2025, o primeiro a ser efetivamente detido e encarcerado. Ficou sob investigação por insurreição, podendo enfrentar pena capital caso condenado. Em 4 de abril de 2025, a Corte Constitucional da Coreia confirmou por unanimidade o impeachment aprovado pela Assembleia Nacional, encerrando formalmente seu mandato presidencial. Em 16 de maio de 2025, anunciou sua desfiliação do Partido do Poder Popular, em meio ao declínio nas intenções de voto do candidato da legenda nas eleições extraordinárias, o que motivou lideranças partidárias a exigirem sua saída.

A 19 de fevereiro de 2026, Yoon e outras figuras envolvidas no incidente foram considerados culpados por acusações de insurreição. Yoon foi condenado a prisão perpétua, enquanto Kim Yong-hyun foi condenado a 30 anos de prisão.

Contexto miniaturadaimagem|Yoon Suk-yeol, o décimo-terceiro Presidente da Coreia do Sul, e principal instigador do golpe. Yoon Suk-yeol, membro do conservador Partido do Poder Popular e ex-Procurador-Geral da Coreia do Sul, assumiu o cargo de presidente após vencer as eleições presidenciais de 2022. Sua administração enfrentou baixos índices de aprovação e dificuldades para implementar sua agenda, devido ao controle do parlamento pela oposição. Yoon também se opôs a investigações relacionadas a escândalos envolvendo sua esposa, Kim Keon-hee, e altos funcionários do governo. O parlamento, controlado pela oposição, também havia proposto o impeachment de alguns promotores importantes e rejeitou a proposta orçamentária do governo.

Foi a primeira vez que a lei marcial foi declarada na Coreia do Sul desde o golpe militar de 1979, ocorrido após o assassinato do então ditador sul-coreano Park Chung-hee, e a primeira desde a democratização em 1987. Este foi o 17º decreto de lei marcial desde a formação do governo em 1948. Na Coreia do Sul, membros da Assembleia Nacional não possuem imunidade parlamentar contra acusações e podem ser presos se flagrados cometendo crimes.

Eventos Declaração de lei marcial

Em 3 de dezembro de 2024, o presidente sul-coreano Yoon Suk Yeol declarou lei marcial. Em um discurso transmitido nacionalmente, Yoon acusou a oposição de "tentar derrubar a democracia livre" ao buscar o impeachment de membros de seu gabinete e bloquear seus planos orçamentários. Foi a primeira vez que a lei marcial foi declarada na Coreia do Sul desde 1980, durante a ditadura militar de Chun Doo-hwan. Lee Jae-myung, líder da oposição, pediu que os cidadãos se reunissem na Assembleia Nacional e declarou que Yoon "não é mais o presidente da Coreia do Sul". Manifestantes entraram em confronto com a polícia nos arredores da Assembleia Nacional.

De acordo com a agência de notícias Yonhap, o ministro da Defesa, Shin Won-Sik, ordenou uma reunião com o presidente do Estado-Maior Conjunto, Kim Myung-soo.

Primeira proclamação do Comando da Lei Marcial Em 3 de dezembro de 2024, às 23:00 do horário local, o Comando da Lei Marcial emitiu a primeira declaração acerca da lei marcial, abaixo transcrita e traduzida pela Reuters.

A Assembleia Nacional anula a lei marcial miniaturadaimagem|Militares e populares sul coreanos na parte de fora da Assembleia Nacional. Manifestantes entraram em confronto com a polícia do lado de fora da Assembleia Nacional. O presidente da Assembleia Nacional, Woo Won-shik, convocou todos os parlamentares para se reunirem na Assembleia Nacional. A filial de Incheon do Partido Democrático criticou a ação, classificando-a como o início de uma "era da ditadura de Yoon". Parlamentares contornaram as barricadas policiais para entrar na Assembleia Nacional. Lee Seong-yoon, do Partido Democrático, relatou que escalou uma cerca de 1,5 m para ter acesso.

Em 4 de dezembro de 2024, às 0h48 (horário padrão da Coreia), a Assembleia Nacional iniciou uma sessão de emergência. Por volta de 1h da manhã, com 190 dos 300 parlamentares presentes, a Assembleia Nacional votou unanimemente pelo fim da lei marcial. Os que votaram pelo fim incluíram 172 deputados da oposição e 18 outros do PPP. De acordo com o Artigo 77 da Constituição da República da Coreia, o presidente deve acatar a decisão da Assembleia Nacional de encerrar a lei marcial. Após a votação, o presidente Woo Won-shik pediu que os militares deixassem a Assembleia Nacional, enquanto Lee Jae-myung declarou que o Partido Democrático permaneceria na Assembleia até que o presidente revogasse a lei marcial. Membros do PPP também se juntaram a eles.

Após a votação, alguns soldados estacionados na Assembleia Nacional começaram a se retirar, com o gabinete do presidente da Assembleia confirmando posteriormente que eles haviam deixado o local por completo. Outros começaram a afastar a multidão de manifestantes, que somava cerca de 2.000 pessoas. Os manifestantes também começaram a exigir a prisão e o impeachment de Yoon. Lee Jae-myung afirmou que a declaração da lei marcial foi feita sem a aprovação do gabinete e que os membros das forças de segurança que continuavam a seguir as ordens da lei marcial de Yoon estavam cometendo "um ato ilegal". O ministério da defesa declarou que a lei marcial permaneceria em vigor até ser encerrada pelo presidente.

O Presidente recua Poucas horas após ter declarado a lei marcial, frente a oposição da classe política e a votação unanime no Parlamento contra suas ações, Yoon Suk Yeol anunciou que revogaria a lei marcial. Pouco depois, o gabinete do presidente aprovou o fim da lei de emergência adotada pelo presidente.

Impacto Após o anúncio, o valor do won sul-coreano caiu para 1.423 won por dólar, o menor valor em dois anos e um mês. O Ministro das Finanças e vice Primeiro-ministro Choi Sang-mok convocou uma reunião de emergência entre as principais autoridades econômicas" para lidar com possíveis consequências do ocorrido.

Reações

miniaturadaimagem|Lee Jae-myung, o principal líder da oposição, em um comício de emergência realizado na Assembleia Nacional em 4 de dezembro. O The Economist descreveu a situação como uma crise constitucional e uma tentativa de golpe de estado. A BBC News entrevistou um residente de Seul que comparou a situação com o Golpe de Estado em Mianmar em 2021. Foi comparado ao ataque ao Capitólio dos Estados Unidos em 6 de janeiro, com um especialista dizendo que os efeitos da declaração na política sul-coreana e sua reputação seriam muito piores do que o que aconteceu nos Estados Unidos.

A revista Foreign Policy e os cientistas políticos Sidney Tarrow e Benjamin Engel descreveram o que aconteceu como um auto-golpe.

Internas O líder do Partido do Poder Popular, Han Dong-hoon, se opôs à medida, afirmando: "A declaração de lei marcial pelo presidente está errada. Nós a interromperemos junto com o povo". O Partido da Cidade de Incheon, uma divisão do Partido Democrático, criticou a decisão, descrevendo-a como o início de uma "era da ditadura de Yoon".

Lideranças da oposição começaram a se mobilizar para tentar um impeachment do presidente Yoon, uma vez que seu apoio dentro da classe política se erodiu consideravelmente. Outro possível alvo de um impeachment era o ministro da defesa Kim Yong-hyun, com o Partido Democrata, de oposição, pretendendo registrar uma queixa criminal contra ele. O porta-voz chefe do partido, Jo Seoung-lae, emitiu uma declaração dizendo "O DPK punirá a lei marcial de emergência inconstitucional e ilegal da administração Yoon [...] Instamos as agências de aplicação da lei a iniciar imediatamente uma investigação sobre o caso de traição do qual toda a nação está ciente agora e levar os perpetradores à justiça."

Internacionais O Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos declarou que estava monitorando a situação de perto.

A embaixada chinesa na Coreia do Sul orientou seus cidadãos no país a "manterem a calma e prestarem atenção às mudanças políticas". Também recomendou que "reforcem a consciência de segurança, reduzam saídas desnecessárias e expressem opiniões políticas com cautela".

Vários países emitiram alertas pedindo cautela aos seus cidadãos na Coreia do Sul, aconselhando-os a serem vigilantes e evitar manifestações públicas. Alertas de viagem para a região foram emitidos pelos ministérios das Relações Exteriores francês e britânico.

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