Vilma Santos de Oliveira, conhecida como Yá Mukumby Alagangue, foi uma destacada sacerdotisa do Candomblé, ativista cultural e defensora dos direitos da população negra no Brasilhttps://relfet.webnode.page/dicionario/ Nasceu em 17 de julho de 1950, em Jacarezinho, Paraná, filha de Allial Oliveira dos Santos e Antonio dos Santos, migrantes que trabalhavam no cultivo de cana-de-açúcar.
Ainda na infância, perdeu o pai e, aos 11 anos, mudou-se com a família para Londrina, no Paraná, com o apoio do tio Leodoro Almeida de Oliveira, importante liderança local. Durante a juventude, Vilma enfrentou crises de epilepsia que a aproximaram do Candomblé, onde encontrou cura e propósito espiritual. Aos 27 anos, recebeu o título de Ìyalorixá e fundou o terreiro Ilê Axé Ogum Megê, em Cambé, Paraná.https://sites.uel.br/leafro/wp-content/uploads/2023/05/Ya-Mukumby-2.-ed.-revisada-e-ampliada.pdf
Vida Pessoal e Religião Vilma casou-se com Flávio de Oliveira, com quem teve quatro filhos biológicos e adotou outros dois. Sua trajetória como sacerdotisa foi marcada pelo acolhimento à comunidade e pela promoção do respeito às religiões de matriz africana. Com uma personalidade forte e acolhedora, sua atuação ia além do terreiro, dialogando com diversos setores da sociedade.
Ativismo e Cultura Yá Mukumby destacou-se como líder em movimentos sociais e culturais. Participou do grupo União e Consciência Negra, foi uma das fundadoras do Partido dos Trabalhadores em Londrina e integrou o Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira (CENARAB). Fundou a Associação Afro-Brasileira (AABRA) e presidiu o Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial.https://repositorio.uel.br/items/724565a1-baa0-4c86-92e2-c089d37bc846/full
Sua militância foi crucial para a implantação das cotas raciais na Universidade Estadual de Londrina (UEL), em 2005, onde também atuou como conselheira do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB). Foi coautora do livro O negro na universidade: o direito à inclusão e teve sua história narrada na obra Yá Mukumby, a vida de Vilma Santos de Oliveira.
Contribuições Artísticas Como promotora cultural, Mukumby recuperou a história e a participação da população negra no Paraná. Participou de festivais culturais, ensaiou grupos de teatro, criou espetáculos baseados na dança dos orixás e integrou o grupo coral Unicanto. Organizou rodas de samba e eventos gastronômicos com pratos da culinária afro-brasileira, fortalecendo a identidade cultural negra.
Tragédia e legado Em 3 de agosto de 2013, Vilma, sua mãe Allial, e sua neta Olívia foram tragicamente assassinadas por um vizinho em surto psicótico. Embora o caso tenha sido tratado como crime passional, houve indícios de intolerância religiosa, como a destruição de objetos sagrados no terreiro.
Após sua morte, o terreiro Ilê Axé Ogum Megê foi fechado, mas o legado de Yá Mukumby permanece vivo. Em sua homenagem, a sede do NEAB da UEL recebeu seu nome, e foi instituído o Dia do Samba em Londrina, celebrando sua contribuição à cultura negra e à luta antirracista.http://www.jornaldelondrina.com.br/brasil/conteudo.phtml?id=1401987
Bibliografia
Elorza, Thelma; Frazão, Marcelo. "Yá Mukumby e mais três pessoas são assassinadas a facadas na zona oeste." Jornal de Londrina, 04 de agosto de 2013. Lanza, Fabio (Org.). Yá Mukumby: a vida de Vilma Santos de Oliveira. Londrina: UEL, 2013. Pacheco, Jairo Queiroz. Desafios da inclusão: o olhar dos jovens negros sobre a política de cotas da UEL. Londrina, 2019. Silva, Maria Nilza; Pacheco, Jairo Queiroz (Orgs.). Dona Vilma: cultura negra como expressão de luta e vida. Londrina: UEL, 2014. Santos, Ivair Augusto Alves dos. Direitos Humanos e as práticas de racismo. Brasília: Câmara dos Deputados, 2013. Silva, Lúcia Helena Oliveira. ÌYALORIXÁ MUKUMBY: VILMA SANTOS DE OLIVEIRA. in: Thais Alves Marinho e Rosinalda Correa da Silva Simoni. Dicionário Biográfico: Histórias Entrelaçadas de Mulheres Afrodiaspóricas. Editora Malê, Rio de Janeiro, Segunda Edição. 2024.
Ligações externas Sessão de cinema exibe documentário sobre Dona Vilma, líder do movimento negro do Paraná (G1). Consultado em 12 de dezembro de 2024 (em português). Yá Mukumby - 2ª edição revisada e ampliada (Universidade Estadual de Londrina). Consultado em 12 de dezembro de 2024 (em português). Líder religiosa Yá Mukumby é assassinada com sua mãe e neta (UJS). Consultado em 12 de dezembro de 2024 (em português). Yá Mukumby: Líder negra recebe o título de cidadã honorária póstuma de Londrina (Geledés). Consultado em 12 de dezembro de 2024 (em português). Nota sobre o assassinato de Yá Mukumby (APP Sindicato). Consultado em 12 de dezembro de 2024 (em português). Yá Mukumby: Homenagem póstuma na Câmara de Londrina (Câmara Municipal de Londrina). Consultado em 12 de dezembro de 2024 (em português).
Categoria:Candomblé Categoria:Mortos em 2013