Thiago Emiliano da Silva (Rio de Janeiro, 22 de setembro de 1984) é um futebolista brasileiro que atua como zagueiro no Fluminense.
Cria da base do Fluminense, iniciou sua carreira profissional em 2002, atuando como volante no RS Futebol (Pedrabranca Futebol Clube), do Rio Grande do Sul. Ganhou projeção nacional em 2004, defendendo as cores do Juventude, onde passou a atuar como zagueiro e foi um dos destaques do time no Campeonato Brasileiro. No mesmo ano assinou com a equipe B do Porto e, em seguida, foi para o Dínamo de Moscou, da Rússia, onde enfrentou um quadro de tuberculose que o afastou dos gramados por vários meses. Recuperado, retornou ao Brasil em 2006 para defender o Fluminense, conquistando a Copa do Brasil no ano seguinte. Em dezembro de 2008 foi contratado pelo Milan por oito milhões de euros, conquistando um título da Serie A.
Em 2012, assinou com o Paris Saint-Germain em uma negociação de 42 milhões de euros, tornando-se, na época, o zagueiro mais caro da história. No clube francês, conquistou sete títulos da Ligue 1, seis Copas da Liga Francesa, cinco Copas da França e foi finalista da Liga dos Campeões da UEFA. Em 2020, aos 36 anos, assinou com o Chelsea e venceu a Liga dos Campeões logo em sua primeira temporada pelo clube inglês.
Pela Seleção Brasileira, Thiago Silva estreou em 2008, aos 23 anos. No mesmo ano foi medalha de bronze nas Olimpíadas de Pequim, e em 2012 ficou com a prata nas Olimpíadas de Londres. Já em 2013, foi o capitão da equipe que conquistou a Copa das Confederações realizada no Brasil, e no ano seguinte esteve no grupo que terminou em 4º lugar na Copa do Mundo. Anos depois foi titular na conquista da Copa América de 2019, levantando mais um troféu em solo brasileiro. Com mais de 100 jogos pela Seleção, é o zagueiro que mais atuou pelo Brasil e o quinto atleta no total, atrás apenas de Cafu, Roberto Carlos, Daniel Alves e Neymar.
Conhecido por sua técnica, disciplina tática e capacidade de liderança, é o jogador que mais vezes foi capitão da Seleção Brasileira em Copas do Mundo, totalizando 12 partidas com a faixa entre as edições de 2014 e 2022.
Carreira Primeiros anos Thiago Silva iniciou sua trajetória no futebol jogando na várzea da Comunidade de Urucânia, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Nessa época, costumava atuar descalço e tinha o apelido de Rato. Em seguida passou a frequentar uma escola no bairro de Campo Grande, no Rio de Janeiro, que mantinha vínculos com o Fluminense. Aos 14 anos, chamou a atenção do então técnico das categorias de base do clube, Maurinho, durante um amistoso em Xerém. Após um breve período de testes, passou a integrar as divisões de base do Fluminense, inicialmente atuando como volante. No entanto, as oportunidades eram limitadas, o que o levou a buscar testes em outras equipes.
Em 1999, aos 15 anos, realizou avaliações no Madureira, Olaria e no Flamengo, sendo reprovado em todos. A tentativa no Flamengo, em especial, foi marcante de forma negativa, pois, segundo o próprio jogador, ele sequer foi observado pelos treinadores. Após outro teste malsucedido, dessa vez no Botafogo, em 2000 Thiago foi contratado pelo Barcelona Esporte Clube, clube de menor expressão do futebol carioca.
No ano seguinte, o Barça Carioca disputou um torneio em São Paulo com o objetivo de atrair o interesse de clubes maiores. Durante a competição, Thiago Silva foi observado por Paulo César Carpegiani, que o indicou ao RS Futebol (Pedrabranca Futebol Clube), clube do Rio Grande do Sul. O jogador ingressou na equipe no final de 2001, profissionalizando-se em 2002. Na temporada seguinte, participou da terceira divisão do Campeonato Gaúcho, ajudando o time a conquistar o vice-campeonato e o acesso à segunda divisão estadual.
Durante um torneio disputado em Ancona, na Itália, Thiago teve destaque e despertou o interesse de Bruno Conti, então técnico da Roma, que demonstrou interesse em contratá-lo, mas a negociação não se concretizou. Ainda atuando como volante, suas boas atuações no RS Futebol o levaram a ser contratado pelo Juventude.
Juventude, Porto e Dínamo Moscou Em janeiro de 2004, Thiago Silva transferiu-se para o Juventude, onde atuou por cerca de seis meses. Aos 19 anos, passou a jogar como zagueiro sob a orientação do treinador Ivo Wortmann. Em sua única temporada no clube gaúcho, foi um dos destaques do time no Campeonato Brasileiro, formando um trio de zaga com Índio e Naldo. O bom desempenho despertou o interesse de clubes europeus e, em setembro daquele ano, o defensor foi negociado com o Porto.
Contratado pelo clube português por 2,5 milhões de euros, Thiago Silva integrou a equipe B do Porto durante a temporada 2004–05, sem chegar a atuar pela equipe principal. Em janeiro de 2005, transferiu-se para o Dínamo de Moscou, da Rússia. No entanto, pouco após sua chegada, enfrentou diversos problemas respiratórios devido ao frio em Moscou, além de sofrer com lesões. Com isso, seus problemas de saúde se agravaram e Thiago foi diagnosticado com uma séria tuberculose, permanecendo hospitalizado por cerca de seis meses. Em entrevistas posteriores, relatou que recebia injeções várias vezes ao dia, além de tomar entre 10 e 15 comprimidos diariamente. Segundo seus médicos, se o diagnóstico tivesse ocorrido duas semanas mais tarde, sua vida estaria em risco. Durante o período de recuperação, Thiago considerou encerrar a carreira, mas foi convencido a seguir no futebol por sua mãe. Recuperado, retornaria ao Brasil no ano seguinte.
Fluminense miniatura|200x200px|Thiago pelo Fluminense em 2007
A volta para o Brasil aconteceu no início de 2006, para o Fluminense. Mesmo com as dificuldades enfrentadas pelo time naquele ano, o zagueiro se destacou e virou ídolo da torcida.
Em 2007, consolidou seu bom momento e novamente se destacou por todo o ano, com o título da Copa do Brasil e a boa colocação no Campeonato Brasileiro. Foi nessa temporada que suas principais características começaram a aparecer: o bom posicionamento, os desarmes precisos, a calma na construção das jogadas e a velocidade pouco usual para zagueiros. Confirmando a boa fase, ajudou o Fluminense a chegar ao vice-campeonato da Libertadores de 2008.
No dia 28 de maio de 2008, em jogo válido pela semifinal da Libertadores, Thiago Silva marcou um gol contra o Boca Juniors no empate em 2–2, fora de casa, no El Cilindro.
Por conta de suas atuações, o jogador recebeu o seu apelido: Monstro. Ídolo da torcida, Thiago declarou em 2020 que se sentia muito grato pelo carinho dos torcedores tricolores.
Apesar de ter deixado a equipe no final de 2008, o zagueiro afirmou que tinha a intenção de retornar ao time carioca.
No total em sua primeira passagem pelo Fluminense, Thiago Silva atuou em 146 jogos e marcou 14 gols.
Milan O jogador foi contratado pelo Milan no dia 11 de dezembro de 2008. Sua estreia pelo clube Rossonero aconteceu em 21 de janeiro de 2009, num amistoso contra o alemão Hannover 96, em que o Milan empatou por 2–2. Na ocasião, Thiago Silva atuou durante os 90 minutos. Porém, o defensor só foi integrado ao elenco para partidas oficiais em julho, sete meses após sua contratação, isso porque o clube milanês já havia atingido o limite de jogadores sem passaporte da União Europeia durante a temporada 2008–09. Posteriormente o jogador consolidou-se, passou a ser considerado um dos principais zagueiros do elenco, desbancando o ídolo Alessandro Nesta, além de ser citado como um dos melhores zagueiros do mundo.
miniatura|200px|Thiago atuando pelo Milan em 2011
Sua estadia em solo italiano foi muito eficaz. Thiago Silva iniciou sua trajetória na Serie A vendo sua equipe terminar com uma 3ª colocação na temporada 2009–10, seguiu com boas atuações na temporada seguinte e conquistou seu primeiro título do Campeonato Italiano. Em seu último ano, no entanto, o time careceu de bons resultados na reta final da Serie A. Coincidentemente, o Milan perdeu a liderança na 31ª rodada, e Thiago havia se ausentado desde a 30ª para tratar de problemas musculares.
Seu segundo e último título em solo italiano ocorreu na Supercopa da Itália de 2011. Sob o comando de Massimiliano Allegri, os rubro-negros venceram a rival Internazionale por 2–1 e levantaram o troféu. Mas nenhuma final foi vencida pelo Milan de Thiago Silva na Copa da Itália. Nas duas vezes em que disputou a competição, o brasileiro viu seu clube ser eliminado nas semifinais pelo Palermo e pela Juventus, respectivamente.
miniatura|esquerda|150px|Thiago usou a camisa 33 no Milan, pois a 3 havia sido aposentada pela equipe após a grande passagem de Paolo Maldini.
No dia 13 de setembro de 2011, na estreia do Milan na Liga dos Campeões da UEFA contra o Barcelona, no Camp Nou, o zagueiro brasileiro marcou o gol de empate do Rossonero na partida, aos 47 minutos do segundo tempo. O jogo acabou em 2–2, e os outros gols foram marcados por Alexandre Pato, Pedro e David Villa.
No dia 27 de novembro de 2011, Thiago Silva usou pela primeira vez a faixa de capitão na equipe Rossonera, marcando um gol contra o Chievo. Sua participação como capitão foi algo que havia quebrado algumas barreiras, pois não era o jogador com mais partidas pelo clube e também pelo fato de ter sido um líder estrangeiro em uma equipe que normalmente era liderada por italianos como Franco Baresi e Paolo Maldini. Ao mesmo tempo, o brasileiro foi eleito capitão por conta das ausências de Massimo Ambrosini, Alessandro Nesta, Clarence Seedorf e o goleiro Christian Abbiati.
Contudo, sua participação como capitão também foi motivada pela decisão do jogador de permanecer no clube. O brasileiro havia recusado uma grande proposta do Barcelona e optou por permanecer. Isso causou uma boa impressão nos diretores do time de Milão e o jogador foi tratado como líder. Posteriormente, em junho de 2012, o Milan recusaria a maior oferta do mundo já feita por um zagueiro até então: 46 milhões de euros, que veio do Paris Saint-Germain.
Havia esperanças de que o jogador estivesse com o Milan na temporada seguinte, no entanto, o interesse do PSG foi muito grande e o time retornou a desejá-lo, bem como o atacante Zlatan Ibrahimović. Futuramente, ambos deixariam a equipe.
Sua saída não foi bem vista pelos torcedores do time de Milão. Os adeptos acusaram-no de ser um "mercenário", mas o brasileiro tratou de rebater isso:
A situação foi intensa. Uma semana antes de sua negociação ser selada, o jogador afirmou que ficaria na equipe, mas, em entrevista, deixou a entender que os valores oferecidos pelo PSG ao time rossonero inviabilizaram a sua permanência e que a transferência foi praticamente imposta pelos italianos.
Thiago deixou o Milan após 119 partidas, seis gols e dois títulos conquistados.
Paris Saint-Germain miniatura|250x250px|Thiago Silva em 2013
Apesar de ter recusado a primeira investida dos franceses do Paris Saint-Germain, Silvio Berlusconi confirmou, em 13 de julho de 2012, a venda de Thiago à equipe francesa, por 44 milhões de euros, junto com o centroavante Zlatan Ibrahimović.
Estreou no dia 18 de setembro, marcando um dos gols da vitória por 4–1 sobre o Dínamo de Kiev, em jogo realizado no Parc des Princes. Realizou sua estreia na Ligue 1 no fim de semana seguinte, no dia 22 de setembro, jogando os 90 minutos em uma goleada por 4–0 sobre o Bastia.
No clube francês, Thiago conquistou o status de ídolo, e também liderou o time desde sua primeira temporada. A braçadeira veio após as decisão de Carlo Ancelotti de afirmar que ele era quem decidia o líder da equipe. A saída do também zagueiro Mamadou Sakho do PSG, rumando ao Liverpool, também incentivou a mudança de capitão. Tal decisão foi questionada pela mídia, pois o brasileiro tinha cerca de quatro meses em Paris naquela época. Contudo, seus momentos de liderança persistiram até o fim de sua longa passagem no país da Torre Eiffel.