O Soneto 73 foi escrito por William Shakespeare e faz parte dos seus 154 sonetos.
Sinopse O soneto compara o envelhecimento ao outono, ao crepúsculo e a um fogo morrendo, pois as brasas são consideradas "cinzas da juventude", e a vida acaba quando elas se vão. Muito sombrio nos primeiros 12 versos, o clima é elevado no dístico final com uma mudança de foco para o amor.
Descrevendo a passagem do tempo com uma série de metáforas, ele posiciona a morte como um aspecto natural, embora triste, da vida. O dístico final revela o significado do poema e o argumento final do poeta sobre o amor e a morte.
Traduções Tradução de Milton Lins SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5Durante esta estação, em ti confio, Quando caem as folhas que restavam Sobre esses galhos; tremem com o frio Ninhos nus, onde os pássaros cantavam.
Tu vês em mim o ocaso de tal hora, Como no pôr do sol sem cor no oeste, Quando às vezes a luz se vai embora, Um segundo eu da morte, no que reste.
Em mim vês o fulgor de um fogo tal, Que repousa nas cinzas juvenis, Ao pé do leito encontra o seu final, Consumido na antiga ação nutriz.
Vê que isto faz o teu amor mais forte, Para gostar de quem foi teu suporte.
Tradução de Carlos de Oliveira Esta estação do ano podes vê-la em mim: folhas caindo ou já caídas; ramos que o frémito do frio gela; árvore em ruína, aves despedidas. E podes ver em mim, crepuscular, o dia que se extingue sobre o poente, com a noite sem astros a anunciar o repouso da morte, gradualmente. Ou podes ver o lume extraordinário, morrendo do que vive: a claridade, deitado sobre o leito mortuário que é a cinza da sua mocidade.
Eis o que torna o amor mais forte: amar quem está tão próximo da morte.
Tradução de Paulo Camelo Eis um bom tempo pra me contemplar quando amarelas folhas duram pouco em galhos secos, sem se sustentar, pois não mais canta o passaredo louco.
Em mim tu vês crepúsculo de um dia após o pôr do sol, no ocidente, e a noite escura vês, triste, sombria, igual à morte, vinda num repente.
Em mim tu vês a luz de jovem fogo a transformar-se em cinzas tão somente, igual à morte, em seu terrível jogo, a consumir o que antes foi semente.
E tu percebes quanto o amor é forte, entanto a morte não lhe dá suporte.
Tradução de Ivo Barroso Em mim tu podes ver a quadra fria Em que as folhas, já poucas ou nenhumas, Pendem do ramo trêmulo onde havia Outrora ninhos e gorjeio e plumas. Em mim contemplas essa luz que apaga Quando no poente o dia se faz mudo E pouco a pouco a negra noite o traga, Gêmea da morte, que cancela tudo. Em mim tu sentes resplender o fogo Que ardia sob as cinzas do passado E num leito de morte expira logo Do quanto que o nutriu ora esgotado. Sabê-lo faz o teu amor mais forte Por quem em breve há de levar a morte.
Categoria:Sonetos de William Shakespeare