O junípero (baixo-alemão:Von dem Machandelboom, também chamado erroneamente de A amoreira), é um conto de fadas compilado pelos Irmãos Grimm. É o conto número 47 (KHM 47). Ao contrário da maioria dos contos, não é narrado no alemão padrão (Hochdeutsch), e sim num dialeto do baixo-alemão (Plattdeutsch). É um dos contos mais sombrios da coletânea, com uma madrasta má que decapita o enteado, esquarteja-o e prepara uma sopa com as partes do corpo.Sobre a violência nos contos de Grimm ver: Enquadra-se no Tipo 720 do Sistema Aarne-Thompson-Uther (ATU) de classificação de contos folclóricos, sobre contos sobrenaturais envolvendo o junípero.Uther, Hans-Jorg. The Types of International Folktales. 2004.

Origem A história foi publicada pelos Irmãos Grimm na primeira edição de Kinder- und Hausmärchen em 1812. Uma versão um pouco diferente apareceu no livro Volks-Sagen, Märchen und Legenden (Sagas, contos de fadas e lendas populares) de Johann Gustav Büsching. Os próprios Irmãos Grimm escreveram no apêndice à primeira edição de 1812 que o texto foi fornecido pelo píntor Philipp Otto Runge.Do verbete alemão.

História Um casal rico e piedoso reza diariamente a Deus pedindo que lhes conceda uma criança. Num inverno, a esposa, ao descascar uma maçã sob um junípero, corta o dedo e gotas de sangue caem na neve. Ela então deseja que a criança seja branca como a neve e vermelha como o sangue, desejo este semelhante ao do conto Branca de Neve. Seis meses depois, ela cai gravemente doente, mas antes de morrer dá à luz um menino com aquelas características. O marido, atendendo ao pedido da esposa, enterra-a sob o junípero. Ele acaba casando novamente e tem uma filha com a nova esposa chamada Marlinchen (Marlenita em algumas versões em português).

Como é padrão nos contos de Grimm, a madrasta maltrata o enteado, a ponto de, certo dia, decapitá-lo e usar um estratagema para que a menina pense que foi ela a assassina. A madrasta prepara uma sopa com os pedaços do menino e a serve ao marido no jantar (e não um chouriço, como consta em algumas traduções). Ele acha a sopa deliciosa. A mulher engana o marido dizendo que o filho foi para a casa de parentes da mãe. O tema do canibalismo também figura no conto de Grimm João e Maria.

A menina recolhe os ossos do jantar, amarra-os com um lenço de seda e os leva para baixo do junípero. Subitamente, surge uma névoa com uma bola de fogo no centro, e eis que um lindo pássaro emerge das chamas. Trata-se do menino assassinado, que denuncia o crime aos moradores da cidade, por meio de uma canção que diz: “A minha mãe, ela me matou, / O meu pai, ele me comeu, / A minha irmã, a pequena Marlenita, / Juntou todos os meus ossos, / Amarrou-os bem firme num lenço de seda, / Os colocou debaixo do pé de junípero / Piu, piu, que belo pássaro eu sou!". O pássaro ganha uma corrente de ouro do ourives, uma par de sapatos vermelhos do sapateiro e uma pedra de moinho do moleiro. Volta para casa para dar a corrente de ouro ao pai e os sapatos vermelhos à meia-irmã, e deixa cair a pedra de moinho sobre a madrasta, matando-a. No final, o pássaro assume de novo a forma de menino, "e todos os três ficaram muito felizes, e eles entraram dentro de casa para jantar e comeram juntos".

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