A Guerra entre o Equador e Nova Granada, ou Guerra do Cauca, foi um conflito armado que opôs a República de Nova Granada (atual República da Colômbia) contra o Estado do Equador (atual República do Equador), uma vez que os dois países possuíam uma disputa fronteiriça pelo domínio das províncias de Pasto, Popayán e Buenaventura, reivindicadas por ambos conforme as disposições da Lei de Divisão Territorial da República da Colômbia e pelo direito internacional adotado pelas nações latino-americanas do uti possidetis iuris. Culminou em um resultado benéfico para a República de Nova Granada, que manteve todos os territórios disputados.

Contexto Os antecedentes da Guerra do Cauca começam em 6 de maio de 1830, quando um congresso se reuniu em Caracas para proclamar a separação da Venezuela e iniciar a dissolução grã-colombiana. Poucos dias depois, em 13 de maio, o Equador também declarou independência, cuja primeira carta fundamental afirmava que: o território do Equador inclui os três departamentos do Equador dentro dos limites do antigo "Reino e Presidência de Quito", pretendendo significar que todos os territórios dos departamentos grã-colombianos de Cauca, Guayaquil, Azuay e Quito estavam sob sua jurisdição. Isto, no entanto, contradizia a carta fundamental de Nova Granada emitida em 1831 e 1832, que baseada na Lei de Divisão Territorial da República da Colômbia de 25 de junho de 1824, estabelecia que seus limites estavam ao sul da Província de Pasto.​ Quando ambos os Estados aceitaram o uti possidetis iuris de 1810, gerou-se ainda mais polêmica, pois a antiga Província de Popayán estava dividida entre as Reais Audiências de Santafé e de Quito, sua jurisdição estava repartida entre os dois Reinos.

Desenvolvimento Nesse período, o primeiro presidente do Equador, o general venezuelano Juan José Flores, conseguiu que alguns clérigos, obedientes às ordens do bispo de Quito, assinassem uma declaração em Pasto a favor da anexação da Província de Pasto ao Equador. Flores publicou uma proclamação para a população de Pasto e Cauca anunciando que enviaria um exército de 3.000 homens a partir de Ibarra para incorporá-los ao Equador.José Anselmo Pineda Gómez (1872). Biblioteca de ex-coronel Pineda; o, Colección de publicaciones hechas en el vireinato de Santa Fé, en las repúblicas de Colombia y Nueva Granada, desde 1774 a 1850, y de varios manuscritos nacionales, e impresos extranjeros, relacionados con los negocios de la República, anteriores, contemporáneos y posteriores a la revolución de 1810. El Tradicionalista, pp. 110. Em 23 de agosto de 1830, os coronéis García e Zamora assinaram o “Ato de Iscuandé” através do qual incorporaram o cantão de Buenaventura ao Equador; poucos meses depois, os cantões de Guapí, López de Micay e Barbacoas seguiram o exemplo. Dada a recusa de José María Obando e José Hilario López em apoiar o regime de Rafael Urdaneta, em 11 de novembro do mesmo ano reuniram-se em Buga uma assembleia para decidir sobre a anexação de Cauca ao Equador, cuja resolução foi afirmativa por maioria de votos. Flores solicitou então que as províncias de Pasto, Popayán e Buenaventura aderissem voluntariamente ao Equador, que tinham representação no Congresso de Quito.

O presidente Juan José Flores, após enviar guarnições a Pasto, visitou essas cidades e emitiu um decreto no qual declarou o antigo Departamento de Cauca incorporado ao Equador. Em 1831 anexou Popayán e o Congresso Ordinário daquele ano declarou oficialmente a incorporação de Cauca ao Equador, mas condicionou essa resolução à Convenção Colombiana para que delimitasse os novos Estados que deveriam compô-la. No início de julho daquele ano, Flores enviou a Bogotá o Coronel Basilio Palacios Urquijo com o objetivo de obter do governo de Nova Granada o reconhecimento do Estado equatoriano e regular as relações diplomáticas entre os dois países, que não chegou a qualquer acordo. Em 22 de julho de 1831, o governo da República de Nova Granada enviou um comunicado ao governo equatoriano através de seu delegado onde exigia insistentemente o retorno deste Departamento a Nova Granada de acordo com a lei de 1824, porém os equatorianos mantiveram sua recusa declarando que a adesão de Cauca ao Equador ocorreu por livre vontade de seus habitantes, o que gerou uma situação diplomática difícil para ambos os países.

No final de 1831, a Convenção Granadina enviou o General José Hilario López a Popayán para promover a reincorporação de Cauca à República de Nova Granada. Devido ao decreto do Congresso Equatoriano que incorporou Cauca como parte de seu território, o General López em 7 de fevereiro de 1832 assumiu o comando das milícias de Popayán, pois com exceção das províncias de Buenaventura e Pasto, que foram ocupadas por tropas equatorianas, os cantões do Valle del Cauca de Cali, Buga, Toro, Cartago e Nóvita decidiram reintegrar-se em Nova Granada.​ Em seguida, ocorre o confronto militar entre Equador e Nova Granada. Um combate eclodiu entre o exército equatoriano liderado por Juan José Flores e o exército de Nova Granada, comandado por José María Obando. Em março de 1832, o governo de Nova Granada, chefiado pelo vice-presidente José Ignacio de Márquez, enviou a Quito uma comissão de paz composta por José Manuel Restrepo e o bispo de Santa Marta José María Estévez, sem quaisquer resultados.

Obando recrutou cerca de mil e quinhentos soldados em toda a antiga Cauca e marchou para Pasto, como propósito de capturar a cidade. Quando as forças equatorianas sob o comando do general Antonio Farfán chegaram, haviam recuado devido à atitude hostil do povo de Pasto, e embora os soldados equatorianos tenham triunfado em algumas batalhas, a falta de suprimentos os fez entrar em colapso. Diante desta situação, Obando ofereceu a paz com a condição de que o território disputado fosse devolvido; Flores aceitou uma vez que estava enfrentando a sublevação de suas tropas em Guayaquil.

Consequências Em 8 de dezembro de 1832, o tratado de paz, amizade e aliança entre Nova Granada e Equador foi assinado na cidade de Pasto pelo General Joaquín Posada Gutiérrez representando Nova Granada e por Pedro José de Arteta em nome do Equador,​ estabelecendo o rio Carchi como limite fronteiriço entre os dois países, deixando pendente a decisão sobre a soberania dos portos de La Tola e Tumaco, na província de Buenaventura. O Tratado de Pasto deu limites apenas a uma parte da fronteira, mas não ao resto do território do Equador, que posteriormente foi demarcado com a Colômbia.

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