Nagib Coelho Matni (Igarapé-Açu, 11 de agosto de 1923 — Belém, 20 de maio de 2000) foi um foi um preparador físico e técnico de futebol brasileiro, recordista de títulos no campeonato paraense, com oito.DA COSTA, Ferreira (2018). NAGIB COELHO MATNI. A enciclopédia do Esporte Paraense. Belém: Valmik Câmara, p. 367 Conseguiu vencê-lo pelo trio Paysandu (1947), Remo (1949, 1950, 1952, 1953, 1954) e Tuna Luso (1955 e 1958).DA COSTA, Ferreira (2009). Treinadores mais vezes campeões. Remo x Paysandu 700 Jogos - O Clássico mais disputado do futebol mundial. Belém: Valmik Câmara, p. 263DA COSTA, Ferreira (2015). Campeonato Paraense de Futebol 1908-2015. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 227-233
Sob o trabalho dele, o Paysandu foi apelidado de "Papão", em 1948.DA COSTA, Ferreira (2002). 1948 - Nasce o "Papão da Curuzu". Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, p. 52 No Remo e na Tuna, Nagib segue sendo o segundo treinador com mais títulos estaduais em cada um.DA COSTA, Ferreira (2018). CAMPEONATO PARAENSE DE FUTEBOL 1908-2018 Clubes Campeões - Técnicos - Artilheiros. A enciclopédia do Esporte Paraense. Belém: Valmik Câmara, pp. 303-312 Ele também foi continuamente treinador também da Seleção Paraense na década de 1950, sobretudo no então valorizado Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais.DA COSTA, Ferreira (2013). A seleção do Pará através dos tempos. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 306-331
Seu trabalho de técnico consistia mais em coordenar a preparação físico, em suas próprias palavras, do que rebuscar organização tática. Com efeito, a partir do final da década de 1950, dedicou-se a expandir o ensino da educação física no Pará, como professor, coordenador e/ou diretor colegial e também como secretário, inspetor e/ou conselheiro de diferentes governos.
É creditada sobretudo a ele a criação e estruturação de uma escola superior local de educação física, a antiga ESEFPA (atualmente pertencente à Universidade do Estado do Pará, UEPA), cujo ginásio poliesportivo leva o nome dele.
Futebol Paysandu Após cursar o ensino fundamental em sua cidade natal de Igarapé-Açu e o ensino médio em Belém, no Colégio Estadual Paes de Carvalho, rumou ao Rio de Janeiro para cursar na Escola Nacional de Educação Física e Desportos (EFED), na antiga Universidade do Brasil (atual UFRJ). Formou-se nela em 1946 e, voltando ao Pará, se tornou no Estado natal um dos primeiros licenciados plenos em educação física. Um de seus colegas de curso havia sido Paulo Amaral.
Uma vez regressado, também ingressou na Polícia Militar do Estado do Pará, na qual viria a passar à reserva no posto de major. No final de 1947, passou a integrar o Paysandu, sendo seu treinador nos dois últimos jogos do campeonato paraense daquele ano. DA COSTA, Ferreira (2013). 1947 - Na volta do certame, Paysandu celebrou a sua maior série de conquistas: o Pentacampeonato. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 85-86
O certame de 1947 havia reativado o campeonato paraense, que não havia se realizado no ano de 1946. Ainda assim, somente outros quatro clubes participaram. Alfredo Gama treinou o Paysandu nas seis primeiras das oito partidas; a sexta ocorrera em 9 de novembro e a sétima só veio a se dar em 21 de dezembro, precisamente o clássico Re-Pa, válido pela penúltima rodada. Nagib Matni passou a ser o treinador e o clube venceu o rival Remo por 2–0. Na rodada final, em 27 de dezembro, seus comandados venceram por 9–1 o Transviário. DA COSTA, Ferreira (2013). 1947 - Na volta do certame, Paysandu celebrou a sua maior série de conquistas: o Pentacampeonato. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 85-86 Foi naquele contexto que, em 16 de janeiro de 1948, o clube passou a ser apelidado de "Papão da Curuzu", alcunha criada em crônica publicada nesta data pelo jornalista Everardo Guilhon no jornal A Vanguarda.
O título de 1947 foi histórico também por render um pentacampeonato ao Paysandu, campeão seguidamente em 1942, 1943, 1944 e 1945 até o torneio de 1946 terminar não realizado; o pentacampeonato segue sendo a maior sequência de títulos estaduais do clube. Nagib seguiu treinando o preparo físico do Paysandu em 1948. Embora a equipe campeã paraense daquele ano viesse a ser a Tuna Luso, o "Papão" alcançou sua temporada de mais gols na história, contabilizados também os amistosos - foram 130 gols.DA COSTA, Ferreira (2018). 1948 - BICOLOR MARCA 130 GOLS NA TEMPORADA. A enciclopédia do Esporte Paraense. Belém: Valmik Câmara, p. 214
Remo e Seleção Paraense thumb|right|300px|Na imagem esquerda, Nagib é a pessoa de camisa comprida que instrui jogadores do Remo em Re-Pa de 1951. Nagib passou a trabalhar em 1949 no Remo. Como ele de treinador, o clube venceu em amistoso no início daquele ano um Re-Pa por 5–3.DA COSTA, Ferreira (2015). 1949. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 61-62 O "Leão" vivenciava seu maior jejum no campeonato paraense, a durar nove anos.DA COSTA, Ferreira (2018). 1949 - REMO ACABA JEJUM DE 9 ANOS E CONQUISTA O CAMPEONATO DE FUTEBOL. A enciclopédia do Esporte Paraense. Belém: Valmik Câmara, p. 97 Além de encerrar o período sem títulos, no certame o Remo também voltou a vencer o rival por 5–3, além de obter triunfos de 3-1 e por 4-1 - este, um jogo final travado já em 8 de janeiro de 1950. Nagib tornou-se somente o segundo treinador campeão por ambos os rivais, antecedido por Alfredo Gama, que, antes de comandar a maior parte da conquista de 1947 do Paysandu, havia dirigido o Remo campeão em 1940.
No segunda quinzena de janeiro de 1950, Nagib Matni ocupou-se como técnico da Seleção Paraense no Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais, estreando em 15 de janeiro em Macapá contra a Seleção Amapaense (vencida por 1-0). Com isso, o treinador remista no Torneio Internacional de Caracas de 1950, no qual o clube estreara na véspera, veio a ser Raimundo Figueiredo.DA COSTA, Ferreira (2018). 1950 - A excursão vitoriosa do Clube do Remo à Venezuela. A enciclopédia do Esporte Paraense. Belém: Valmik Câmara, pp. 98-100 Ainda em janeiro, o Pará venceu em Belém o Amapá por 3-1 e empatou em Manaus com o Amazonas em 3-3. A vitoriosa excursão venezuelana do Remo encerrou-se naquele mesmo mês.
Em fevereiro, o Pará proclamou-se "campeão do Norte" ao vencer por 4-1 a Seleção Amazonense em Belém e, na sequência, vencer em casa por 3-2 o Ceará e empatar em 2-2 com ela em Fortaleza. Com isso, os paraenses rumaram ao Rio de Janeiro para a fase final do Brasileiro, enfrentando Minas Gerais nas quartas-de-final. À imprensa carioca, Nagib Matni prometeu que "o jogo, meu camarada, vai ser duro, de igual para igual. (...) Os rapazes estão bem treinados fisicamente e, estou certo, hão de dar duro. Não seremos vencidos pelo cansaço". thumb|right|300px|Primeiro em pé no Remo campeão paraense de 1952. O empate em 1-1 em General Severiano, em que os mineiros igualaram aos 40 minutos do segundo tempo em 26 de fevereiro, forçou jogo-extra em 1º de março, novamente dramático: Minas abriu 2-0, mas o Pará empatou e, antes da prorrogação, teve gol anulado e pênalti desperdiçado. No primeiro minuto do segundo tempo da prorrogação, os mineiros conseguiram o gol da vitória. Apesar do desfecho, uma multidão dirigiu-se ao aeroporto de Belém para recepcionar o retorno dos paraenses, bastante elogiados. No decorrer do ano, Nagib e o Remo foram novamente campeões estaduais, em campanha que incluiu uma vitória por 7-2, sobre o Auto Clube.DA COSTA, Ferreira (2013). 1950 - Remo se mantém firme e forte e conquista a faixa de bicampeão. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 92-93 O título também tornou a igualar o Remo junto ao Paysandu como maior campeão estadual, com cada um contabilizando dezesseis troféus na competição.DA COSTA, Ferreira (2015). 1950. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 63-65
Em 1951, o campeão paraense foi a Tuna, mas com Nagib o Remo veio a obter um tricampeonato seguido entre 1952 e 1954, isolando na época o "Leão" como maior vencedor do Parazão. Antes, no início de 1952, o técnico tornou a treinar a Seleção Paraense em novo Brasileiro: em abril, o Pará novamente proclamou-se "campeão do Norte" ao manter-se invicto contra Amapá (4-2 em Belém e 1-1 em Macapá), Maranhão (2-1 dentro de São Luís e 2-2 em Belém) e Rio Grande do Norte (2-1 tanto em Belém como em Natal). Na fase final, enfretou no Parque Antártica o Rio Grande do Sul, vencedor dos dois jogos.
No Remo, a campanha campeã estadual de 1952 sob os treinos de Nagib começou com vitória de 8-2 no Auto Clube e incluiu vitória de 6-1 no Re-Pa;DA COSTA, Ferreira (2018). 1952 - AZULINOS COMEMORAM MAIS UM TÍTULO DO PARAZÃO. A enciclopédia do Esporte Paraense. Belém: Valmik Câmara, pp. 100-101 esta segue sendo a segunda maior goleada remista no clássico, abaixo apenas do 7-2 em 1939.O maior do país (maio 2015). Placar n. 1294-B. São Paulo: Editora Abril, pp. 126-129 O ano de 1952 marcou também a ultrapassagem azulina em vitórias no Re-Pa,DA COSTA, Ferreira (2015). 1952. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 67-68 vantagem que era do rival no ano anterior, altura em que o Paysandu contabilizava 79 triunfos contra 78 do "Leão".DA COSTA, Ferreira (2015). 1951. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 65-66
O título de 1953, por sua vez, foi definido em série de melhor-de-três no clássico com a Tuna, no auge da animosidade com o outro rival, a render troca de agressões entre o goleiro remista Julio Véliz e o adversário China na vitória tunante por 2-0 na fase inicial e posterior depredação da sede cruzmaltina por torcedores exaltados ao final.DA COSTA, Ferreira (2013). 1953 - Torcida azulina saiu às ruas para comemorar o bicampeonato. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 100-102 Nos jogos decisivos, o Remo começou vencendo por 4-1 no Baenão e, embora derrotado por 3-2 no estádio do Souza, ao fim sobressaiu-se por 2-0 na neutra Curuzu.DA COSTA, Ferreira (2018). 1953 - Bicampeonato de futebol é comemorado pelo Remo. A enciclopédia do Esporte Paraense. Belém: Valmik Câmara, p. 102
No título de 1954, o Remo foi derrotado uma única vez, precisamente para a Tuna (5-2), em campanha invicta no Re-Pa e que incluiu ainda triunfos de 4-1 no Armazenador, 10-0 no Auto Clube e 5-3 no Combatentes.DA COSTA, Ferreira (2013). 1954 - Remo não dá chance a ninguém e recebe as faixas do Tricampeonato. Parazão Centenário Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 103-104 O tricampeonato foi assegurado com uma rodada de antecipação, com o 1-1 em Re-Pa travado já em 26 de dezembro, a ponto de ser cancelado o compromisso final, que seria contra o Auto Clube.DA COSTA, Ferreira (2015). 1954. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 72-74