miniaturadaimagem|Título do "Visconde de Tremembé" em registro do Arquivo Nobiliárquico Brasileiro (1918). A nobreza do Vale do Paraíba paulista se constituiu pelos cidadãos dessa região que foram agraciados com títulos de nobreza durante o Império do Brasil, sendo mais de 30 os titulares entre as décadas de 1820 e 1880, abrangendo figuras ilustres de municípios como Taubaté, Pindamonhangaba e Lorena.
Contexto O Vale do Paraíba como um todo, mas principalmente sua porção paulista, teve grande importância para a história da Independência e do Império do Brasil, devido a sua relevância política e econômica no contexto de formação do Estado brasileiro.
Politicamente, a região foi palco da passagem da comitiva de D. Pedro I no contexto do “Grito do Ipiranga”. Em 1822, saindo do Rio de Janeiro rumo a São Paulo em busca de apoio político, o então príncipe e futuro Imperador do Brasil passou por localidades como Bananal, Areias, Lorena, Guaratinguetá, Pindamonhangaba, Taubaté, Jacareí, entre outras cidades e vilas da região, angariando homens para suas tropas e criando na ocasião os primeiros títulos de nobreza em referência à região vale-paraibana.
Economicamente, o Vale do Paraíba paulista foi central para a primeira expansão da produção cafeeira, motor principal da economia brasileira durante o século XIX e início do século XX, atingindo seu apogeu nas décadas de 1850 e 1860, quando o país praticamente dominava o mercado internacional do produto. Isso explica a razão pela qual os nobres da região eram conhecidos como “barões do café”.
Nobreza miniaturadaimagem|Brasão de Armas do Visconde de Guaratinguetá (1871). Somente no Segundo Reinado, o Imperador D. Pedro II concederia 1439 títulos de nobreza, sendo vários deles concedidos a bacharéis, comerciantes, políticos, militares, fazendeiros e proprietários de escravizados do Vale do Paraíba paulista, além de comendas e outras honrarias menores. Ao todo, foram criados 36 titulares na região, sendo 9 de Pindamonhangaba, 9 de Bananal, 8 de Taubaté, 5 de Lorena, 2 de Jacareí, 1 de Guaratinguetá, 1 de São Luiz do Paraitinga e 1 de Cunha. Entre os mais famosos titulados estão homens como o Visconde de Tremembé, avô do escritor Monteiro Lobato, e o Visconde de Guaratinguetá, considerado o brasileiro mais rico de sua época.
Pindamonhangaba
Barão de Pindamonhangaba: Título concedido ao militar Manuel Marcondes de Oliveira Melo, em 1846, e ao proprietário rural Francisco Marcondes Homem de Melo, em 1867, em referência à vila de Pindamonhangaba. Barão de Paraibuna: Título concedido ao político Custódio Gomes Varela Lessa, em 1850, em referência à freguesia de Paraibuna. Barão Homem de Melo: Título concedido ao político Francisco Inácio Marcondes Homem de Melo, em 1877, em referência a sua família. Barão de Romeiro: Título concedido ao proprietário rural Manuel Inácio Marcondes Romeiro, em 1877, em referência a sua família. Visconde de Pindamonhangaba: Título concedido ao proprietário rural Francisco Marcondes Homem de Melo, em 1877, em referência ao município de Pindamonhangaba. Barão de Itapeva (ou Itapeba): Título concedido ao político Inácio Bicudo de Siqueira Salgado, em 1879, em referência ao município de Itapeva, São Paulo. Visconde da Palmeira: Título concedido ao político Antônio Salgado da Silva, em 1887, em possível referência a seu Palacete Palmeira. Viscondessa de Paraibuna: Título concedido a Benedita Bicudo Varela Lessa (viúva de Custódio Gomes Varela Lessa), em 1887, em referência ao título de seu falecido esposo. Barão de Lessa: Título concedido ao político Elói Bicudo Varela Lessa, em 1887, em referência a sua família.
Bananal
Barão de Bela Vista: Título concedido ao proprietário rural José de Aguiar Toledo, em 1860, em referência a sua fazenda no município de Bananal. Barão e Visconde de Ariró: Títulos concedidos ao político Henrique José da Silva, em 1867 e 1876, respectivamente, em referência ao Rio Ariró de Angra dos Reis, Rio de Janeiro. Barão de Bananal: Título concedido ao político Luís da Rocha Miranda Sobrinho, em 1869, em referência ao município de Bananal. Visconde de Aguiar Toledo: Título concedido ao proprietário rural José de Aguiar Toledo, em 1877, em referência a sua família. Barão de Joatinga: Título concedido ao político Pedro Ramos Nogueira, em 1877, em referência à região de Joatinga, Rio de Janeiro. Barão de Aguiar Valim: Título concedido ao proprietário rural Manuel de Aguiar Valim (filho de José de Aguiar Toledo), em 1884, em referência a sua família. Visconde de São Laurindo: Título concedido ao proprietário rural Laurindo José de Almeida, em 1884, em referência a seu nome. Barão de Ribeiro Barbosa: Título concedido ao tabelião Cândido Ribeiro Barbosa, em 1885, em referência a sua família. Barão de Almeida Valim: Título concedido ao advogado Luciano José de Almeida Valim (sobrinho de Pedro Ramos de Nogueira), em 1888, em referência a sua família.
Taubaté
Barão e Visconde de Tremembé: Títulos concedidos ao proprietário rural José Francisco Monteiro, em 1868 e 1887, respectivamente, em referência à freguesia de Tremembé. Barão e Visconde de Mossoró (ou Moçoró): Títulos concedidos ao proprietário rural José Félix Monteiro, em 1877 e 1888, respectivamente, em referência ao município de Mossoró, Rio Grande do Norte. Barão de Taubaté: Título concedido ao proprietário rural Antônio Vieira de Oliveira Neves, em 1877, em referência ao município de Taubaté. Conde de Santo Agostinho: Título concedido ao bispo Dom José Pereira da Silva Barros, em 1888, em possível referência ao santo católico Agostinho de Hipona. Barão Pereira de Barros: Título concedido ao militar Jordão Pereira de Barros, em 1889, em referência a sua família. Barão de Pouso Frio: Título concedido ao proprietário rural Mariano José de Oliveira e Costa, em 1889, em referência a sua fazenda no município de Taubaté. Barão da Pedra Negra: Título concedido ao proprietário rural Manuel Gomes Vieira, em 1889, em possível referência a uma de suas propriedades no município de Taubaté. Barão de Jambeiro: Título concedido ao comendador Davi Lopes da Silva Ramos, 1889, em referência ao município de Jambeiro.
Lorena
Viscondessa de Castro Lima: Título concedido à viúva Carlota Leopoldina de Castro Lima, em 1879, em referência a sua família. Barão, Visconde e Conde de Moreira Lima: Títulos concedidos ao militar Joaquim José Moreira Lima (filho de Carlota Leopoldina Moreira de Castro Lima), em 1884 e 1887, respectivamente, em referência a sua família. Barão de Castro Lima: Título concedido ao político Antônio Moreira de Castro Lima (filho de Carlota Leopoldina Moreira de Castro Lima), em 1884, em referência a sua família. Barão de Bocaina: Título concedido ao banqueiro Francisco de Paula Vicente de Azevedo, em 1887, em referência à região da Serra da Bocaina. Barão de Santa Eulália: Título concedido ao magistrado Antônio Rodrigues de Azevedo Ferreira, em 1888, em possível referência à santa católica Eulália de Barcelona.
Jacareí
Barão de Jacareí: Título concedido ao político Bento Lúcio Machado, em 1849, e ao político Licínio Lopes Chaves, em 1889, em referência ao município de Jacareí. Barão de Santa Branca: Título concedido ao político Francisco Lopes Chaves, em 1854, e ao político Francisco Lopes Chaves (filho do antecessor), em 1888, em referência à freguesia de Santa Branca.
Guaratinguetá
Visconde de Guaratinguetá: Título concedido ao político Francisco de Assis e Oliveira Borges, em 1871, em referência ao município de Guaratinguetá.
São Luiz do Paraitinga
Barão de Paraitinga: Título concedido ao político Manuel Jacinto Domingues de Castro, em 1873, em referência ao município de São Luiz do Paraitinga.
Cunha
Barão de Rio Claro: Título concedido ao proprietário rural Antônio Manuel de Freitas, em 1849, em referência ao município de Rio Claro, Rio de Janeiro.
Outros títulos Alguns outros títulos fazem referência a municípios do Vale do Paraíba paulista, porém, foram concedidos a cidadãos não nascidos ou residentes na região, muitos dos quais apenas por lá passaram em momentos específicos, como a Independência ou algum conflito militar, como são os casos do Marquês de Taubaté (1822), do Visconde de Lorena (1826), do Barão de Lorena (1853) e do Barão de Silveiras (1860), referências às vilas de Taubaté, Lorena e Silveiras, respectivamente. Há também os casos de títulos dados a cidadãs da região que eram casadas com nobres de outras localidades, como os casos das baronesas de Cristina (1889) e de Novais (1889), ambas naturais do município de São José do Barreiro.
Ver também Nobreza do Império do Brasil
Bibliografia
RHEINGANTZ, Carlos Grandmasson. Titulares do Império. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 1960. VASCONCELLOS, Smith de Vasconcellos, barão de. Archivo nobiliarchico brasileiro. [S.l.]. University of Toronto, 1918.
Categoria:Nobreza do Império do Brasil Categoria:Vale do Paraíba