Oxacã () ou Avexacã (, Awšakan) é uma aldeia no município de Astaraque, na província de Aragatsotn, na Armênia, a quatro quilômetros a sudeste da cidade de Astaraque, na margem direita do rio Cassal, entre pomares irrigados por canais derivados do rio. A população dedica-se principalmente à horticultura, fruticultura, cultivo de hortaliças e pecuária. Na era soviética funcionaram na aldeia pequenas indústrias e serviços — incluindo filial da Fábrica de Confecções de Erevã, vinícola, empresa de rações, escolas, bibliotecas, casa de cultura, ambulatório e o Sanatório Infantil Especializado “Oxacã”, ativo desde 1964.
A aldeia é mencionada desde o por Fausto, o Bizantino, que relata combates decisivos ocorridos nas suas imediações, nos quais o exército armênio derrotou forças nômades comandadas por Sanatruces. Segundo Moisés de Corene, o rei concedeu Oxacã aos Amatúnios, que a transformaram em centro de seu domínio; a posse é confirmada por autores do . Aqui foram sepultados mártires cristãos e figuras centrais da Igreja Armênia: em 440, foi trasladado para a aldeia, e segundo a tradição, Mesrobes Mastósio também foi enterrado no local, onde se ergueu uma igreja-mausoléu posteriormente reconstruída. Oxacã permaneceu um povoado importante ao longo da Idade Média e Moderna, sendo mencionada em diversos colofões e manuscritos.
A região de Oxacã é rica em monumentos arqueológicos e religiosos. No monte Didiconde preservam-se as ruínas da antiga fortaleza e complexo palaciano dos séculos VII–, além de extensa necrópole com sepulturas da Idade do Ferro e do Período Urartiano. Nos arredores encontram-se ainda a necrópole medieval, a capela de São Gregório (1265), o pilar-monumento associado à memória do imperador Maurício , capelas de Tuque Manuque e São Sérgio, a igreja de São Sião (), a capela rupestre da Santa Mãe de Deus, vestígios ciclópicos e uma ponte do . No centro da aldeia destaca-se a Igreja de Mesrobes Mastósio, reconstruída no sobre o túmulo tradicional do santo.
Nome
Segundo a tradição popular local, quando o patriarca Noé e sua família desceram do cume do monte Massis, viram as belas terras de Oxacã emergidas das águas e exclamaram akan, O-akan ("Felizes nossos olhos por vermos este lugar aberto"), de onde teria surgido o topônimo.
História
Oxacã localizava-se no distrito (gavar) de Aragazócia da província de Airarate, no Reino da Armênia, ao norte da cidade de Valarsapate. Ela foi mencionada pela primeira vez no , por Fausto, o Bizantino. Segundo o cronista, no ano de 336, o exército armênio, sob comando do asparapetes , derrotou, perto da colina de Selu Gluque junto de Oxacã, o exército de Sanatruces, rei dos mascutes. Sanatruces retirou-se em direção à fortaleza de Oxacã e perto dela, num lugar chamado Aparar, uma batalha decisiva foi travada, que terminou com sua morte e decapitação. Num relato diferente, Moisés de Corene afirmou que e reuniram tropas e marcharam contra 20 mil invasores nômades que sitiavam Valarsapate. Os nômades foram repelidos para Oxarcã, onde seu líder foi derrotado e eles dispersaram.
Moisés afirmou que o entregou Oxarcã aos Amatúnios de como recompensa por suas ações. Essa concessão não foi mencionada por Fausto, mas é corroborada por Lázaro de Farpe, que atesta que os Amatúnios detinham controle sobre ela no . De acordo com Corium (), aqui se localizava um cemitério onde eram sepultados os mártires da fé cristã. Em fevereiro de 440, transladou o corpo do falecido católico (m. 439) para cá, onde uma tumba de grande distinção foi feita e multidões de pessoas de Airarate fizeram festa em sua honra. Corium também afirmou que Mesrobes Mastósio foi sepultado ali em 441. Em 442/3, foi construída sobre sua tumba uma igreja-mausoléu de cúpula central; foi reconstruída em 1277 e 1639 e totalmente reedificada em 1875–79.
Segundo a tradição, Mesrobes Mastósio teria fundado aqui uma escola. Em tempos posteriores, Oxacã continuou sendo um importante povoado. Um colofão de manuscrito do o menciona como gavã (pequena cidade). Colofões do preservam referências a doações de pomares e moinhos de Oxacã. Em 1414, uma bíblia foi copiada aqui. Durante a Guerra Russo-Persa de 1826–1828, voluntários armênios e tropas russas, sob o comando do general , travaram no dia 17 de agosto de 1827 uma sangrenta, porém vitoriosa, batalha contra o exército de 30 mil homens de Abas Mirza, perto de Oxacã. Até o fim do , Oxacã foi propriedade de Echemiazim. Em Oxacã nasceram o poeta, arqueólogo e eclesiástico , o lexicógrafo e filólogo Sahak Gevorgi Amatuni, o teatrólogo e filólogo Hrayr Hovakimyan (n. 1908), o escritor Jirair Norayri Avetisyan (1932), o doutor em ciências médicas e professor Vard Avagyan, o Artista do Povo da República Hovak Kaloyan (1925–1992), a Artista de Mérito e solista de dança Angela Shahnbatyan (n. 1925) entre outros.
Patrimônio histórico
A área de Oxacã é rica em monumentos e construções antigas e modernas. Algumas casas residenciais dos séculos XIX e início do XX apresentam interesse como obras da arquitetura popular armênia; tal é a antiga praça de Oxacã, com seu conjunto de edifícios de dois andares. Perto do assentamento ergue-se um o obelisco construído em 1833 em memória dos soldados russos mortos em 1827 pela libertação da Armênia Oriental. À entrada da aldeia, ao longo da estrada de Astaraque, eleva-se o monumento erguido por ocasião do 1600.º aniversário do nascimento de Mesrobes Mastósio. No centro conserva-se a Igreja de Mesrobes Mastósio. Essa igreja de salão com cobertura em abóbada foi construída entre 1875–79 pelo católico , no local da igreja fundada no por Vaanes II. Na câmara retangular abobadada do altar encontra-se o túmulo de Mesrobes, conhecido também na tradição literária como “Tumba do Tradutor”. De destacada composição arquitetônica é o campanário de dois andares (1884). No interior da igreja foram executados murais na década de 1960.
No monte chamado Didiconde (considerado posto de vigia de Vaanes II) encontram-se as ruínas da cidade-fortaleza homônima. A fortaleza é um monumento urartiano único, em cujo território há cavernas naturais e artificiais. Na encosta do monte e em seus arredores preservam-se numerosos vestígios arqueológicos associados a Oxacã. Na vertente norte do monte e ao seu sopé, as escavações realizadas a partir de 1971 revelaram um grande complexo palaciano fundado nos séculos VII–, com cerca de 1600 metros quadrados de área, bem como uma necrópole pertencente a diferentes períodos. Das escavações do complexo palaciano foram descobertos materiais característicos da cultura urartiana e dos séculos VI– (cerâmicas, pedras, instrumentos de osso, adornos, ídolos e mais de 100 estatuetas). Nas vertentes oriental e parcialmente setentrional do monte foram descobertas mais de mil sepulturas da Idade do Ferro e do período urartiano, incluindo numerosos cromeleques, cistas de pedra e grandes túmulos, dos quais foram encontrados abundantes vestígios da cultura material. Na vertente ocidental do monte situa-se a necrópole medieval, cujas lápides conservam inscrições, altos-relevos e numerosos cachecares.
Na vertente sudeste do monte encontra-se a capela semirruída de São Gregório, que possui uma inscrição datada de 1265. Junto à igreja de São Mesrobes Mastósio, há sobre um pedestal um singular pilar-monumento medieval (séculos VI–VII), que tradicionalmente é considerado como o memorial funerário do imperador Maurício ou de sua mãe. De acordo com essa tradição, alguns autores consideram Maurício como sendo de origem armênia e natural de Oxacã, identificando na localidade a família Maurikyan como prova disso. Nas proximidades, ao longo da margem esquerda do rio Cassal, estendem-se várias dezenas de câmaras funerárias alinhadas com grandes pedras (cromeleques e cistas). A leste encontra-se o antigo cemitério com cachecares erguidos sobre altos pedestais. No mesmo lado, na encosta do monte, está a capela de Tuque Manuque, construída de pedra talhada, com telhado inclinado. A sudoeste, na margem esquerda rochosa do Cassal, situa-se a capela intacta de São Sérgio, construída em pedra talhada com telhado de pedra, erguida em memória dos Santos Tradutores, e também mencionada como o “Mosteiro dos Tradutores”. Possui inscrição de 1625.
Ao noroeste, no local chamado “Mancanoche” (“Criançário”), está a igreja preservada de São Sião (século VII), uma construção tetrabsidal com cúpula, feita de tufo róseo talhado. Possui inscrição de 1200 e foi restaurada. Segundo um colofão manuscrito, em 1221 o abade da igreja chamava-se Margare. No desfiladeiro do Cassal está a capela rupestre de Santa Mãe de Deus (Surb Astvacacin). A dois quilômetros a leste, no local chamado “Casas de Oguz (Hacai)”, existem vestígios de uma construção ciclópica e várias cistas (dólmens). Sobre o Cassal, conserva-se uma ponte antiga, construída pelo católico .
Geografia
Oxacã localiza-se na província de Aragatsotn, no município de Astaraque, a quatro quilômetros a sudeste da cidade de Astaraque, na margem direita do rio Cassal, entre pomares. Os pomares são irrigados por dois canais derivados do Cassal. As casas são de construção recente, com telhado, e em parte de dois andares. Os moradores ocupam-se de horticultura, fruticultura, cultivo de hortaliças e pecuária. No tempo da RSS da Armênia, funcionaram em Oxacã uma filial da Fábrica de Confecções de Erevã, a Vinícola de Astaraque e uma empresa inter-regional de rações. A aldeia possuía escola secundária, escola primária e escola de música; casa de cultura; três bibliotecas; agência postal; pavilhão de serviços domésticos; creches e jardins de infância; ambulatório; banho público; abastecimento de água e gás. Aqui está localizado o Sanatório Infantil Especializado “Oxacã”, em funcionamento desde 1964. O centenário da escola secundária de Oxacã foi celebrado em 1963. Antigamente existiam na aldeia vários moinhos d’água.
+ Evolução populacional Ano 1831 1897 1926 1939 1959 1970 1979 1989 População 611
Bibliografia
Categoria:Localidades do Reino da Armênia (Antiguidade) Categoria:Aragazócia (distrito) Categoria:Localidades de Aragatsotn Categoria:Astaraque