Wenceslao Robles (Santísima Trinidad ou Luque, c. 1820 – Paso de Patria, 8 de janeiro de 1866) foi um general paraguaio da Guerra do Paraguai, «o mais antigo e o mais esquecido dos generais da guerra de 64/70». Foi participante durante as primeiras etapas do conflito, especialmente durante a Campanha de Corrientes, sendo o primeiro comandante em chefe da Divisão do Sul.
Biografia alt=General W. Robles.|esquerda|miniaturadaimagem|230x230px|General W. Robles. Seu local de nascimento varia muito segundo as fontes; Wenceslao Robles teria nascido em Santísima Trinidad ou em Luque na década de 1820.
Ingressou no exército paraguaio em 1845 durante a campanha de Corrientes ao mando do então Brigadeiro Francisco Solano López contra o governador Juan Manuel de Rosas, e foi subindo de posto progressivamente até chegar ao grau de Coronel antes da Guerra do Paraguai.
Em 1864, ano em que estourou o conflito com o Império do Brasil, servia com o grau de general de brigadeiro do exército paraguaio. Apenas Solano López ostentava a patente de general, razão pela qual Robles foi responsável por organizar e comandar as tropas de sua nação reunidas no Acampamento de Cerro León. Decidido o ataque à República Argentina, foi posto à frente do Acampamento de Humaitá e foi o responsável por transmitir as notícias da declaração de guerra e as correspondentes instruções do chanceler José Bergés e do ministro da fazenda Mariano González aos funcionários paraguaios no Rio da Prata.Félix Eguzquiza era agente em Buenos Aires, José Rufo Caminos cônsul em Paraná e Juan José Brizuela agente em Montevidéu.
Pouco depois assumiu o comando da Divisão do Sul e, em 14 de abril de 1865, partiu de Itapirú à frente de uma força expedicionária de 3 mil homens, ocupou a cidade de Corrientes e avançou em direção ao sul dessa província. Segundo se conta, ao estar em seu primeiro dia em Corrientes, foi encontrado dormindo de embriaguez. alt=O comandante em chefe da Divisão do Sul.|esquerda|miniaturadaimagem|272x272px|O comandante em chefe da Divisão do Sul. Seu irmão de nome Ezequiel Robles havia falecido após a Batalha do Riachuelo e, como uma forma de animar o general, o marechal López enviou o tenente-coronel Paulino Alén para lhe impor a Ordem Nacional do Mérito, mas Robles recusou violentamente a condecoração, reclamando em voz alta pelas penalidades que suas tropas padeciam, especialmente pela falta de agasalhos. alt=Os generais Barrios e Robles.|miniaturadaimagem|Os generais Barrios e Robles.
Como resposta, Francisco Solano López promoveu ao grau de general de brigadeiro o coronel Francisco Isidoro Resquín e o nomeou segundo comandante da Divisão do Sul. Em seguida, enviou o Ministro da Guerra e Marinha, general Vicente Barrios, com a ordem de sua destituição e prisão. Barrios apresentou-se no acampamento de Empedrado, Corrientes, e procedeu ao cumprimento de sua missão.
Processo e morte alt=Fotografia do general Robles com sua esposa.|miniaturadaimagem|Fotografia do general Robles com sua esposa. Após a promoção de Resquín a brigadeiro, Robles foi progressivamente afastado do comando e posteriormente remetido a um tribunal militar para ser finalmente julgado.
O julgamento durou meses, e as acusações contra ele iam desde acusações de insubordinação e descumprimento de ordens, até o fato de ser acusado de trocar correspondência com homens da Legião Paraguaia, entre eles Fernando Iturburu, que foram nomeados traidores pelo governo dos López. Também havia acumulado numerosos inimigos durante a campanha devido ao seu gênio forte.Juan Crisóstomo Centurión em suas memórias relata o seguinte: «Como já havia observado antes, o caráter de Robles, desde que pisou em Corrientes, sofreu um grande desenvolvimento no sentido da independência, e parecia disposto a se sublevar e sacudir a despótica canga de López"». «"Robles era austero e repulsivo, e tratava as pessoas sob seu comando com um despotismo que beirava a crueldade, circunstância que chegou a atrair o ódio de todo o mundo".».O processo seria presidido pelo Coronel de Cavalaria Felipe Toledo, chefe da escolta de López; seu secretário seria o então Tenente Manuel Antonio Maciel, e contaria com uma elevada quantidade de testemunhas, várias delas correntinas.
Negligências várias, recebimento de correspondência por parte de traidores, maus-tratos à tropa, permitir a fuga do Governador Manuel Lagraña mediante sua inoperância na tomada de Corrientes, desprezar a concessão da condecoração da Ordem Nacional do Mérito feita pelo governo; este é o resumo das principais acusações apresentadas contra Robles por seus acusadores. Por sua vez, era também culpado por ter contribuído para o fracasso da Campanha de Corrientes.
alt=O Brigadeiro Robles (La Ilustración Paraguaya, ano 1888).|miniaturadaimagem|O Brigadeiro Robles (La Ilustración Paraguaya, ano 1888). Após sua destituição, Robles foi preso e transferido para Humaitá junto com parte de seu estado-maior e, após ser julgado culpado por descumprimento de ordens superiores em 6 de janeiro, foi fusilado no Acampamento de Passo da Pátria dois dias depois, em 8 de janeiro de 1866, sendo o primeiro executado por um conselho de guerra durante o conflito. Foi conduzido montado em um cavalo vestindo seu uniforme, não proferiu últimas palavras e caiu morto sob a primeira descarga de fuzilaria efetuada contra ele. Uma das balas o atingiu diretamente na testa, o que pode ter acelerado seu falecimento.
Com relação à sua condenação à morte, o coronel Centurión acrescenta:
Uma testemunha o retrata assim: «Entre os comensais estão … Wenceslao Robles, único general no escalafão, fora Solano López, e um dos poucos militares que por aqueles tempos não usava barba…».
Notas
Categoria:Nascidos em 1820 Categoria:Pessoas da Guerra do Paraguai Categoria:Mortos em 1866 Categoria:Militares do Paraguai