Soneto 154 é o último soneto de uma série de 154 sonetos de Shakespeare.
Análise Como os demais sonetos de William Shakespeare, este foi todo construído no ritmo de pentâmetro iâmbico, no formato de soneto inglês, com 3 quartetos e um dístico, e rima em ABAB CDCD EFEF GG.CAMPOS, Geir. Pequeno Dicionário de Arte Poética- Rio de Janeiro:Edições de Ouro,1960.
Juntamente com o Soneto 153, que o precede na série, o poeta deu um tom de erotismo ao mesmo, envolvendo o deus mitológico Eros / Cupido e as ninfas.
Sinopse Este soneto descreve como o poeta tentou aliviar a sua dor de amor. Inicia com uma relação entre Eros e as ninfas de Diana e todas as artimanhas das ninfas para lhe apagar o amor, em vão.
Traduções Tradução de Thereza Christina Rocque da Motta A tradutora não segue o ritmo, a métrica nem o esquema de rimas do autor, preferindo fazer uma tradução livre. O pequeno deus do amor certa vez dormia Deixando ao lado sua flecha amorosa, Enquanto várias ninfas, jurando-se sempre castas, Vieram, pé ante pé, mas, em sua mão virginal, A mais bela tomou o fogo Que incendiara legiões de corações verdadeiros; Assim, a lança do desejo ardente Dormia desarmada ao lado da mão desta jovem. A flecha, ela mergulhou em um poço de água fria, Que se acendeu com o eterno fogo do Amor, Criando um banho e um bálsamo Para os enfermos; mas eu, jugo de minha senhora, Vim para me curar, e isto, assim, eu provo, O fogo do amor aquece a água, mas a água não esfria o amor.
Tradução de Milton Lins O tradutor apresentou o soneto em dodecassílabo, perseguindo o hexâmetro iâmbico, não o fazendo, no entanto, em alguns versos. O esquema rímico segue o do autor, como um soneto inglês: ABAB CDCD EFEF GG. Eros, o deus do amor, adormecendo um dia, A sua tocha acesa, ao lado dele atrela. Querendo ser gentis, as ninfas, em folia, O logram envolver com braços de pucela.
De todas a mais doce a flama vem pegar Cuja aquecida luz guiara muitos seres. Assim com intenção de um quente desejar Durante o sono dele assume os seus poderes.
O tal facho mergulha em fonte de beber, Que do fogo de Amor toma um sabor sem travo, Um sadio elixir - um banho - a fez nascer, Que dos homens o mal sanou e fez-me escravo.
Venha ganhar a cura, e que eu possa dispor: Água ferve de amor, mas não congela amor.SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
Tradução de José Arantes Júnior Este tradutor seguiu o esquema rímico do autor no soneto: ABAB CDCD EFEF GG, como um soneto inglês. Mas não o seguiu no ritmo nem na métrica, preferindo dar-lhe um aspecto plástico, com 36 caracteres em cada verso, que lhe mostram a forma, quando utilizada uma fonte monoespaçada. O jovem deus do amor estava dormindo Ao lado da pira de acender o coração Enquanto muitas ninfas estavam vindo Com movimentos curtos na deambulação;
A mais bela ninfa pegou a pira caída Que tantos corações tinha incendiado, E este general das paixões aquecidas Por sutil mão virginal foi desarmado;
Ela apagou a tocha num poço bem frio E o poço se aqueceu com aquele calor, Tornou-se banho dos doentes e sadios Mas continuei como servo daquela dor;
Quis a cura e tive senso comprovador: Amor aquece e água não esfria o amor.Shakespeare, William - Sonetos completos de William Shakespeare. Tradução de José Arantes Júnior. - São Paulo: Ed. do Autor, 2007.
Tradução de Paulo Camelo O tradutor procurou seguir o ritmo de pentâmetro iâmbico usado pelo poeta inglês, em ritmo holístico, mantendo também o esquema rímico ali utillizado. Pequeno deus do amor, assim dormia enquanto as ninfas lhe juravam vida e assim mantinham, no seu dia a dia, a marca que inflamava e que fazia
o coração bater. Quando a donzela, a mais devota e bela, hauriu em fogo, ardendo de paixão, desnuda e bela, a sua mão de virgem fez o jogo.
A marca se apagou num poço raso. O amor, ardendo em fogo, um fogo eterno, Inflava qual remédio em curto prazo e o mal sarou. Mas eu, amante, terno,
hauri a cura. Nessa água eu provo o amor fogoso, e nela eu me renovo.
Categoria:Sonetos de William Shakespeare