A Supercopa do Brasil de 2025 foi a quarta edição desse torneio nacional de futebol feminino, organizado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Realizado entre 7 e 15 de março, o torneio contou com formato eliminatório, nas quais oito clubes se enfrentaram em jogos únicos para determinar quem avançaria para a próxima fase. Corinthians e São Paulo foram os clubes que seguiram na disputa pelo título, com o São Paulo se consagrando campeão na final, ao vencer o rival nos pênaltis.
Com a vitória na final, o São Paulo conquistou a Supercopa pela primeira vez, recebendo uma premiação de 700 mil reais. Embora esse valor represente um aumento em relação às edições anteriores, ainda corresponde a apenas 12% do montante pago ao vencedor da competição homônima masculina. O título também marcou a primeira conquista de grande expressão do clube em 28 anos e encerrou a hegemonia do adversário na competição, que havia vencido as três edições anteriores.
Integrantes da comissão técnica e atletas do São Paulo destacaram o empenho do clube na modalidade e o trabalho da equipe, enquanto os do Corinthians lamentaram a derrota e exaltaram o crescimento da competitividade no futebol feminino no Brasil.
Essa também foi a última edição a usar o formato de "mata-mata", uma vez que a partir da próxima, passou a se adotar o jogo único entre a atual campeã da Copa do Brasil de Futebol Feminino e a atual campeã do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino, equiparando-se ao modelo masculino.
Antecedentes Em 2022, a CBF lançou a Supercopa do Brasil com a finalidade de dar maior visibilidade ao futebol feminino no país e incentivar o desenvolvimento da modalidade em diversos estados. Para isso, a competição reuniu oito equipes das 12 melhores classificadas da primeira divisão do Campeonato Brasileiro e as quatro melhores da segunda divisão, com a condição de que cada unidade federativa tenha apenas um representante.
O ano de 2025, por sua vez, começou com algumas incertezas para o futebol feminino devido à demora da CBF em divulgar o calendário da modalidade, o que só aconteceu em 17 de janeiro. Antes disso, os clubes confirmados para a Supercopa estavam sem saber quando a competição aconteceria, e o Cruzeiro chegou a questionar a entidade sobre o assunto. O mês de março foi finalmente definido para a realização do torneio, que manteve o regulamento das edições anteriores. No entanto, foi anunciado que, no próximo ano, o formato deve ser alterado para seguir os mesmos moldes da homônima masculina, devido ao retorno da Copa do Brasil da modalidade.
Formato e participantes Assim como nas edições anteriores, a edição de 2025 da Supercopa seguiu o formato de um torneio com oito equipes, que competem em partidas eliminatórias de jogo único, com o vencedor avançando para a próxima fase. Em caso de empate, a vaga é decidida nos pênaltis. A princípio, os participantes seriam 3B da Amazônia, Bahia, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Grêmio, Real Brasília e Sport. No entanto, o clube do Amazonas desistiu de participar da competição e foi substituído pelo São Paulo, vice-campeão brasileiro no ano anterior.
FederaçãoParticipanteParticipação em 2024Título(s)1.ª4.ª3.ª1.ª|style="text-align: left;"|4.ª2.ª4.ª3 1.ª
Sorteio Com os oito participantes definidos, a CBF realizou um sorteio em 12 de fevereiro para determinar os confrontos, os mandantes da primeira fase e o chaveamento até a final. No dia 25 do mesmo mês, a entidade divulgou a tabela detalhada, estabelecendo o confronto entre Sport e São Paulo como o primeiro jogo da modalidade em 2025.
Resumo No dia 7 de março, São Paulo e Sport protagonizaram o jogo de abertura da Supercopa 2025, realizado no estádio Adelmar da Costa Carvalho, em Recife. O clube visitante dominou a partida, inaugurando o placar aos três minutos com um gol de Giovanna Crivelari. Apesar da superioridade, o placar só mudou no segundo tempo, com Bia Menezes, Karla Alves e Bruna Calderan ampliando a goleada do São Paulo. No dia seguinte, Bahia e Cruzeiro se enfrentaram no estádio Antônio de Figueiredo Carneiro, em Alagoinhas. O clube da casa controlou os primeiros minutos e chegou a marcar, mas o gol foi anulado pela arbitragem. Ainda no primeiro tempo, o Cruzeiro reagiu e criou duas oportunidades, ambas acertando a trave adversária. Aos 33, em cobrança de escanteio, Letícia Ferreira marcou o único gol da partida.
Os dois últimos jogos das quartas de final ocorreram em 9 de março, ambos às 16h. Na Arena do Grêmio, em Porto Alegre, o mandante perdeu a lateral Raíssa Bahia aos 35 minutos, expulsa após o segundo cartão amarelo. Com um a mais, o Corinthians aproveitou e marcou com Vic Albuquerque e Andressa Alves, indo para o intervalo com uma vantagem de dois gols. No segundo tempo, Andressa ampliou, selando o placar. Já no estádio Walmir Campelo Bezerra, em Gama, o Flamengo dominou o Real Brasília no primeiro tempo, aproveitando para marcar dois gols, com Jucinara e Cristiane. O clube candango reagiu no segundo tempo e diminuiu a diferença com Luciene Baião. Seis minutos depois, uma jogadora do Real Brasília foi expulsa. Nos minutos finais, o Flamengo marcou o terceiro gol com Laysa.
Com a definição dos classificados, as semifinais ocorreram em 12 de março. O primeiro jogo foi entre Flamengo e São Paulo, disputado às 16 horas, no estádio Urbano Caldeira, em Santos. O São Paulo iniciou a partida pressionando e criando várias chances de gol. Aos nove minutos, Aline Milene recebeu na marca do pênalti e forçou Isa Cruz a realizar uma grande defesa. No lance seguinte, o chute cruzado de Bia Menezes passou muito perto do gol adversário. Nesse cenário, a goleira do Flamengo se destacou no primeiro tempo, realizando duas defesas difíceis. Um pouco antes do intervalo, Camilinha ainda acertou o travessão. O São Paulo abriu o placar aos 12 minutos do segundo tempo, quando, após uma cobrança de falta, a zagueira Kaká cabeceou para o gol. Em desvantagem, o Flamengo passou a se lançar mais ao ataque, enquanto o São Paulo recuou. No entanto, o time carioca não conseguiu criar grandes oportunidades para empatar, ao contrário do paulista, que teve chances de ampliar. De toda forma, a vitória pelo placar mínimo garantiu ao São Paulo a vaga na final da Supercopa.
Na outra semifinal, o Corinthians derrotou o Cruzeiro pelo placar mínimo, no estádio Primeiro de Maio, em São Bernardo do Campo. O início do jogo foi marcado pela expulsão da goleira cruzeirense Camila Gomes, aos 12 minutos. Ela saiu para interceptar um lançamento do adversário e acabou tocando a bola com o braço fora da área. Apesar da vantagem numérica, o Corinthians não conseguiu exercer uma pressão ofensiva e, no primeiro tempo, teve apenas uma chance de gol, com um arremate de Andressa Alves que acertou o travessão. No segundo tempo, ambos os times marcaram, mas os gols foram anulados por impedimento. Já nos minutos finais da partida, um erro na saída de bola do Cruzeiro resultou em um pênalti para o Corinthians, convertido por Vic Albuquerque. Mais tarde, o time paulista teve outra oportunidade de pênalti, mas desta vez Duda Sampaio desperdiçou a cobrança. Após o término do jogo, o Cruzeiro formalizou uma reclamação, alegando que houve erros de arbitragem tanto no gol anulado da equipe quanto no primeiro pênalti contra.
Os resultados das semifinais classificaram Corinthians e São Paulo para a final da Supercopa, reeditando a decisão do Campeonato Brasileiro de 2024, disputada poucos meses antes. A partida decisiva ocorreu em 15 de março, às 16h30, no estádio Cícero Pompeu de Toledo, na capital paulista. O primeiro tempo foi marcado pelo equilíbrio entre as equipes. A melhor chance da etapa inicial veio aos 17 minutos, quando Gabi Zanotti finalizou de voleio para a defesa de Carlinha. Dois minutos depois, Dudinha respondeu, exigindo uma intervenção de Lelê. No segundo tempo, o São Paulo assumiu o controle da partida. Logo nos primeiros minutos, Lelê derrubou Dudinha na área, mas se redimiu ao defender a cobrança de pênalti de Camilinha. O Corinthians reagiu cinco minutos depois, com um cabeceio de Ariel Godoi, e voltou a ameaçar aos 19, em uma confusão na área tricolor. Ariel finalizou novamente, mas Bia Menezes, bem posicionada, evitou o gol. Nos acréscimos, Karla Alves balançou as redes para o São Paulo, mas o gol foi anulado por impedimento de Aline Milene no início da jogada. Assim, o tempo regulamentar terminou em 0 a 0, levando a decisão do título para os pênaltis. Nos pênaltis, Vic Albuquerque, do Corinthians, e Aline Milene, do São Paulo, desperdiçaram suas cobranças. Na quinta batida corinthiana, Gisela Robledo chutou para fora. Na sequência, Robinha converteu e garantiu o título para o São Paulo.
Partidas Os esquemas abaixo apresentam detalhes adicionais das partidas, como datas, horários, público e receita, autoras dos gols e os árbitros principais, com todas as informações extraídas dos documentos oficiais divulgados pela CBF.
Quartas de final
Semifinais
Final
Esquema O esquema abaixo apresenta o chaveamento da Supercopa de 2025, com os clubes mandantes posicionados na parte superior de cada confronto e os vencedores destacados em negrito.
Repercussão A vitória na final garantiu ao São Paulo, além do título inédito, uma premiação de 700 mil reais. Esse valor, aliás, representa o maior prêmio da história da Supercopa, superando os 500 mil reais que o Corinthians recebeu pelo vice-campeonato. Ainda assim, o valor distribuído corresponde a 12% do montante que a CBF pagou ao Flamengo, vencedor da competição masculina. O título também quebrou um jejum de 28 anos do São Paulo sem conquistar um torneio nacional de relevância no futebol feminino, sendo o último em 1997, com a Taça Brasil. No entanto, o clube já havia vencido a segunda divisão em 2019 e a Brasil Ladies Cup, uma competição internacional amistosa, em 2021. Por fim, quebrou a hegemonia do Corinthians, tricampeão da competição, e colocou fim na superioridade do rival em finais.
O técnico do São Paulo, Thiago Viana, destacou o empenho do clube na conquista desse primeiro título desde a reativação da modalidade em 2019, além de ressaltar toda a preparação da equipe, que envolveu desde a pré-temporada até o aspecto emocional das atletas. O trabalho desenvolvido pela equipe também foi destacado pela zagueira Kaká, autora do gol da vitória na semifinal, e pelas meio-campistas Aline Milene e Robinha. Pelo lado do Corinthians, algumas jogadoras expressaram lamentação pela competição, com a lateral-esquerda e capitã Tamires afirmando que a final da Supercopa é um reflexo do aumento da competitividade no futebol feminino brasileiro.
O diretor de Competições da CBF, Júlio Avellar, destacou a alteração no formato da Supercopa para 2026 e aproveitou a ocasião para comentar sobre as conquistas da entidade na modalidade, incluindo o aumento de 52% no número de jogos no calendário de 2025.
Referências Gerais
Ligações externas
Categoria:Supercopa do Brasil de Futebol Feminino Categoria:Futebol feminino de 2025 no Brasil