Promiscuidade tende a ser malvista por muitas sociedades que esperam que a maioria dos seus membros mantenha relacionamentos comprometidos e de longo prazo. Entre as mulheres, assim como entre os homens, a inclinação para relações sexuais fora de relacionamentos comprometidos está correlacionada com um alto libido; no entanto, a biologia evolutiva, bem como fatores sociais e culturais, também têm sido observados influenciando o comportamento e a opinião sexual.

Causa Estudos relacionaram a orientação sociosexual ao desejo sexual, especialmente em mulheres, onde quanto maior o desejo sexual, menos restrita é a orientação sociosexual, isto é, o interesse por sexo fora de relacionamento comprometidos. No entanto, no que diz respeito ao debate natureza e criação, há dados que enfatizam os fatores culturais, especialmente para as mulheres do que para os homens. Uma revisão avaliou que a sociosexualidade era afetada quase igualmente pela hereditariedade e pelo ambiente não compartilhado com os irmãos; o ambiente compartilhado teve efeito relativamente pequeno.

Os homens tendem a apresentar escores mais altos de sociosexualidade e a serem menos restritos do que as mulheres em diversas culturas. Porém, há mais variabilidade nos escores dentro de cada gênero do que entre homens e mulheres, indicando que, embora o homem médio seja menos restrito do que a mulher média, os indivíduos podem variar na orientação sociosexual independentemente do gênero.

Psicologia A estima corporal em mulheres mostrou uma correlação positiva significativa com a falta de restrição sociosexual. Da mesma forma, a razão entre cintura e quadril e duas medidas de virilização apresentaram correlação positiva. Por fim, ainda no mesmo estudo, o consumo de álcool também correlacionou, mas não está claro se este promovia o aumento do desejo sexual ou se o próprio aumento do desejo promovia o consumo, ou ainda se uma terceira variável estava envolvida.

Biologia Homens e mulheres que levam estilos de vida poliândricos apresentam níveis mais altos de testosterona. No entanto, não está claro se os níveis mais altos de testosterona causam o aumento do desejo sexual e, consequentemente, a multiplicidade de parceiros, ou se a atividade sexual com múltiplos parceiros provoca o aumento da testosterona. A sociosexualidade em mulheres está positivamente correlacionada com duas medidas de exposição pré-natal a andrógenos — a proporção digital da mão direita e os escores no teste de rotação mental de Vandenberg — fornecendo suporte limitado à hipótese de virilização da promiscuidade feminina (veja também Hormônios pré-natais e orientação sexual). A hipótese mencionada não é de forma alguma mutuamente exclusiva com outras hipóteses.

O desejo sexual está correlacionado com o ciclo menstrual, de modo que muitas mulheres experimentam um aumento no desejo sexual alguns dias imediatamente antes da ovulação. Os níveis de testosterona aumentam gradualmente a partir do aproximadamente 24º dia do ciclo menstrual de uma mulher até a ovulação, por volta do 14º dia do ciclo seguinte.

É comum que o desejo sexual diminua dramaticamente após a menopausa. Vários estudos, inclusive os de Alfred Kinsey, concluíram que a faixa etária em que as mulheres são mais ativas sexualmente é, em média, na faixa dos 30 e poucos anos, com um estudo estimando amplamente o intervalo de 27–45 anos (enquanto o pico dos homens ocorre mais tarde). Mulheres nessa faixa etária tipicamente relatam ter fantasias sexuais em maior número e intensidade, envolver-se em atividade sexual com mais frequência e demonstrar maior interesse por sexo casual.

Um estudo sobre antagonismo sexual sugeriu uma possível ligação genética entre a promiscuidade androfílica feminina e a androfília masculina: mulheres tribais de Samoa apresentaram correlação entre a produção reprodutiva e a probabilidade de terem netos androfílicos, embora não sobrinhos (veja também Fa'afafine).

A taxa de evolução molecular do gene da proteína seminal SEMG2 correlaciona-se com os níveis de promiscuidade feminina.

A hiperatividade patológica da via mesolímbica dopaminérgica no cérebro — manifestando-se, seja psiquiatricamente, durante a mania, ou farmacologicamente, como efeito colateral de agonista de dopamina, especificamente os agonistas com preferência pelo D3, — está associada a diversos vícios e tem sido demonstrado resultar, em alguns indivíduos de ambos os sexos, em comportamentos excessivos, por vezes hipersexuals.

Evolução O princípio de Bateman implica que as fêmeas são seletivas, pois há pouca vantagem evolutiva em acasalar com múltiplos machos. No entanto, a observação de muitas espécies, desde coelhos até moscas-das-frutas, demonstrou que as fêmeas têm mais descendentes se acasalarem com um número maior de machos. Exceções ao princípio de Bateman são numerosas, assim como hipóteses que explicam a evolução da promiscuidade feminina. De fato, as fêmeas têm muito a ganhar, dependendo da espécie.

Muitas espécies antes consideradas monogâmicas, incluindo aves como cisnes, agora são conhecidas por se envolverem em cópula fora do par. Thierry Lodé encontrou possíveis explicações evolutivas para a poliandria relacionadas ao conflito sexual, incluindo a competição entre parceiros e a evitação da consanguinidade. A lista a seguir é incompleta. É mais fácil garantir o sucesso reprodutivo (ou seja, é mais provável que a fêmea tenha descendentes). As fêmeas podem incentivar a competição espermática entre os machos após a cópula. Linhagens espermáticas múltiplas podem conferir maior variação nas características da prole. Em grupos de táxons eusociais, como colmeias, uma única fêmea ou casta produz descendentes enquanto os demais organismos cooperam no cuidado dos jovens. Abelhas de diferentes linhagens espermáticas se destacam em funções distintas dentro de uma colmeia, beneficiando a saúde do conjunto. Em tartarugas, por exemplo, ninhadas com maior variação nos genes paternos e aumento da competição espermática permitem que as fêmeas maximizem tanto a qualidade genética quanto o número de descendentes. As fêmeas guppies que acasalaram com um maior número de machos em determinado ciclo apresentaram maior probabilidade de gerar filhos, os quais, por sua vez, tiveram maior capacidade reprodutiva. As fêmeas podem receber ofertas de alimentos de parceiros potenciais que incitam a cópula. Uma fêmea pode buscar cópula fora do par com mais frequência durante períodos férteis do seu ciclo menstrual para conceber de um macho com genes de alta qualidade (veja Hipótese do filho sexy) enquanto depende dos recursos e do investimento paterno do parceiro social. A paternidade da prole é desconhecida, o que pode incentivar o cuidado paterno e desencorajar o infanticídio. O comportamento de acasalamento extra-do par em fêmeas pode evoluir por seleção indireta nos machos.

Sociedade e cultura Psicólogos evolucionistas teorizam que os tabus contra a promiscuidade feminina evoluíram com base na ansiedade de paternidade. Antes da invenção dos testes de DNA, era impossível determinar com precisão a paternidade, diferentemente da maternidade. Um homem corria o risco de investir seu investimento paterno em descendentes que continham material genético de outro macho, e não o seu próprio. Evolutivamente, isso se traduziu em ciúme sexual e em costumes preventivos complexos (por exemplo, mutilação genital feminina, tabus menstruais).

Pré-Moderno A promiscuidade feminina é um tema recorrente em mitologias e religiões. No Oriente Médio, a prostituição sagrada, geralmente em honra da Deusa Astarte, era comum antes do século IV, quando o Imperador Constantino I tentou substituir as tradições pagãs pelo Cristianismo.Eusébio, Vida de Constantino, e Na mitologia grega, as ninfas são retratadas como espíritos da natureza perigosos e sexualmente desinibidos com os humanos; daí o termo médico ninfomania da era vitoriana. O Império Romano é popularmente visto como sexualmente pródigo,Beert C. Verstraete e Vernon Provencal, introdução a Same-Sex Desire and Love in Greco-Roman Antiquity and in the Classical Tradition (Haworth Press, 2005), p. 5. Para uma discussão mais ampla de como a percepção moderna da decadência sexual romana pode ser atribuída à antiga polêmica cristã, veja Alastair J.L. Blanshard, "Roman Vice", em Sex: Vice and Love from Antiquity to Modernity (Wiley-Blackwell, 2010), pp. 1–88.Catharine Edwards, A Política da Imoralidade na Roma Antiga (Cambridge University Press, 1993), p. 65. e certas imperatrizes romanas — como Teodora I, Messalina e Júlia a Mais velha — ganharam em vida a reputação de extrema promiscuidade.

A Bíblia apresenta muitas personagens femininas identificadas como promíscuas, entre elas a prostituta de Babilônia, a Princesa Jezabel, a Jezabel (profetisa de Tira), Gômer (esposa de Oséias), Raabe, Salomé e a esposa anônima de Potifar.

Moderno

Muitas culturas historicamente impuseram restrições à sexualidade, de forma particularmente enfática contra a expressão imoderada da sexualidade por parte das mulheres. Em contraste, algumas filosofias éticas recentes — tanto seculares (originadas do individualismo e do feminismo sex-positivo) quanto religiosas (por exemplo, Wicca, Thelema, Satanismo LaVeyano) — ou toleram ou celebram abertamente essa liberdade.

A opinião pública oscilou ao longo dos séculos, com retrocessos como o Puritanismo na Nova Inglaterra (1630–1660) e a era vitoriana (1837–1901), quando a hipersexualidade era frequentemente tratada como um distúrbio exclusivamente feminino, diagnosticado com base em aspectos tão simples quanto a masturbação isolada (ver aqui). Até o final do século XX, mulheres podiam ser encarceradas por comportamentos promíscuos em supostos Asilo de Magdalenas, sendo o último deles fechado na Irlanda em 1996. De 1897 a 1958, Ontário utilizou a Lei dos Refúgios Femininos para encarcerar mulheres consideradas "incorrigíveis".

Após a Revolução Industrial (1760~1840), com a industrialização e a urbanização dos países ocidentais, as oportunidades de educação e emprego para as mulheres aumentaram. Esse cenário deu origem, no final do século XIX, ao ideal feminista da "Nova Mulher" — personificação da autonomia econômica, sexual e de outras esferas femininas — que influenciou profundamente o feminismo até o século XX. Só com a Lei da Propriedade das Mulheres Casadas de 1882 as cidadãs britânicas deixaram de ser obrigadas, legalmente, ao transferir toda sua propriedade para os maridos ao se casarem. O movimento das mulheres esteve intimamente aliado ao movimento do amor livre, cujos defensores acreditavam que a mulher deveria ser soberana sobre seu corpo.

Os Loucos Anos Vinte foram descritos como "uma época em que o gim era a bebida nacional e o sexo a obsessão nacional". Naquela época, popularizava-se uma subcultura feminina chamada "flappers", que desafiava as normas sociais e sexuais e representava um desafio significativo aos papéis de gênero vitorianos. Porém, esses sentimentos foram ofuscados pela Grande Depressão. Apesar disso, o filme mudo de 1925 O Quimono Vermelho, que simpatizava com sua protagonista promíscua, foi alvo de censura severa e resultou em um caso jurídico emblemático, Melvin v. Reid.

Os anos 1950 na América são estereotipados como um período de repressão sexual, embora não tão severo quanto a era vitoriana. A promiscuidade feminina, em especial, passou a ser muito mais aceita na cultura Ocidental após a revolução sexual dos anos 1960, que acompanhou o movimento hippie. Tornou-se também um tema mais frequente na mídia de massa, incluindo o cinema (por exemplo, Sex and the City) e a música (por exemplo, Erotica, da Madonna).