O status e as características das mulheres na Grécia – tanto na antiguidade quanto nos dias atuais – evoluíram a partir de eventos ocorridos na história grega. No artigo de Michael Scott, “A Ascensão das Mulheres na Grécia Antiga” (História Hoje), o papel das mulheres e suas conquistas na Grécia Antiga foi melhor descrito por Tucidides nesta citação: "A maior glória [para as mulheres] é ser menos comentada entre os homens, seja em elogio ou em crítica."Scott, Michael. A Ascensão das Mulheres na Grécia Antiga, História Hoje, Volume: 59, Edição: 11, 2009 Contudo, o status das mulheres gregas passou por consideráveis mudanças e avanços no século XX. Em 1952, as mulheres receberam o direito de voto, o que levou à conquista de espaços e cargos em empresas e no governo da Grécia; e elas puderam manter seu direito de herdar propriedade, mesmo após o casamento.Hitton, Shanti. Cultura Social da Grécia, Travel Tips, USA Today

Mulheres na Grécia da Idade do Bronze Esta seção adaptada de

Nas tábuas Linear B desta época, os homens são mencionados com mais frequência pelo nome, título ou ocupação. No entanto, as referências às mulheres oferecem pistas valiosas sobre seus papéis nas economias controladas pelo palácio. Muitas mulheres são organizadas em grupos de trabalho sob a autoridade do palácio, classificadas por funções como operárias têxteis (“trabalhadoras de linho”, “costureiras”, “fabricantes de faixas para a cabeça”), produtoras de alimentos (“moedoras de farinha”) e serventes domésticas (“assistentes”). Algumas mulheres são identificadas por suas origens, que podem ser locais do palácio ou de regiões mais distantes — por exemplo, registros de Pilos, no sudoeste da Grécia, listam mulheres vindas de tão longe quanto a costa da Turquia.

Embora essas mulheres não sejam frequentemente referidas diretamente como escravizadas, os detalhes de suas origens, referências a alguns grupos como “cativas” e a regulamentação de suas vidas e trabalho pelo palácio sugerem que elas provavelmente se encontravam em um estado de escravidão efetiva ou, no mínimo, eram fortemente dependentes da autoridade do palácio. A documentação do palácio registra seus números, a provisão de rações básicas como grãos e figos, e a distribuição de matérias-primas para seu trabalho, o que evidencia essa dependência. Alguns desses grupos são listados sob o nome de um supervisor ou proprietário masculino, e muitos registros também mencionam seus filhos, que presumivelmente trabalhavam junto com suas mães e aprendiam os ofícios.

Mulheres desta posição social raramente são identificadas pelo nome, mas há alguns casos notáveis. Por exemplo, uma tábua de Cnossos, em Creta, lista um grupo de mulheres — provavelmente operárias têxteis — por nomes individuais, incluindo uma chamada Wordieya, ou “Rosie”. Outra tábua de Pilos registra uma mulher chamada Kessandra como a destinatária de uma alocação substancial de ração, suficiente para sustentar 20 trabalhadores por 20 dias. Kessandra pode ter sido responsável por supervisionar uma equipe de trabalhadores homens, embora o tipo específico de trabalho não seja mencionado. Seu papel poderia ter se limitado à supervisão desse grupo, ou ela poderia ter ocupado uma posição mais elevada na administração do palácio, embora não haja contexto suficiente para determinar suas responsabilidades exatas. Além disso, as identidades e os gêneros dos escribas da Linear B são desconhecidos; embora se assuma amplamente que a maioria eram homens, é possível que alguns escribas tenham sido mulheres.

Mulheres na Grécia Antiga Embora a maioria das mulheres na Grécia Antiga não possuísse direitos políticos e iguais, elas desfrutavam de uma certa liberdade de movimento até a era Arcaica. Existem registros de mulheres na antiga Delphi, Gortyna, Tessália, Megara e Esparta possuindo terras, a única forma duradoura de riqueza na época. Contudo, após a era Arcaica, o status das mulheres piorou, e leis de segregação de gênero foram implementadas. Em geral, esperava-se que as mulheres da Grécia Clássica administrassem uma casa, supervisionando ou realizando tarefas domésticas como tecer tecidos e gerar filhos. O historiador Don Nardo afirmou que "ao longo da antiguidade a maioria das mulheres gregas tinha poucos ou nenhum direito civil e muitas desfrutavam de pouca liberdade de escolha ou mobilidade."

Registros detalhados sobre o status das mulheres na Grécia Antiga descrevem apenas o comportamento e tratamento das elite, e sobreviveram para apenas três pólis: Esparta, Atenas e Gortina. Como esses estados eram excepcionais no mundo grego, não está claro o quanto pode ser generalizado a partir desses registros. A maioria dos historiadores assume que os direitos das mulheres em outras pólis gregas poderiam estar situados em um continuum entre as sociedades espartana e ateniense.

Em Atenas alt=|left|thumb|Mulheres atenienses se preparando para um casamento (pintura cerâmica, século V a.C.)

Na Atenas Clássica, a condição jurídica da mulher estava formalmente subordinada à autoridade masculina do kyrios. Até o casamento, as mulheres permaneciam sob a tutela de seus pais ou outros parentes masculinos; uma vez casadas, o marido assumia esse papel. O termo legal para esposa, damar, cuja raiz significa "subjugar" ou "domar", reflete a tentativa ideológica de enquadrar a mulher como elemento doméstico a ser controlado. O kyrios normalmente selecionava seu marido; ela teria pouca influência. Frequentemente, o kyrios selecionava um outro parente masculino para assegurar que qualquer propriedade herdada permanecesse dentro da família. A Lei de Péricles (451 a.C.) reforçava essa lógica ao restringir a cidadania aos filhos de pai e mãe atenienses, criando uma barreira legal contra casamentos com estrangeiras e punindo severamente a fraude de cidadania.

Embora estudos historiográficos pioneiros tenham enfatizado a reclusão feminina no oîkos, a historiografia contemporânea argumenta que essa imagem de passividade absoluta não se sustenta empiricamente.O que se observa é uma tensão entre a inferioridade jurídica e um status social complexo, no qual as mulheres exerciam formas de agência cívica e política não institucional, especialmente no domínio religioso. Sacerdotisas administravam templos e finanças como magistradas independentes, e a participação em festivais cívicos como as Panateneias e as Tesmoforias as colocava no centro da vida pública.

A elite ateniense idealizava a extrema reclusão feminina, construindo a narrativa da "boa esposa" (mélissa), idealizada como casta e silenciosa. Porém, essa reclusão não era observada no cotidiano. As esposas de cidadãos (astai) variavam seu grau de confinamento conforme a riqueza da família, enquanto as estrangeiras (metecas) e as trabalhadoras livres circulavam livremente para exercer seus ofícios; as escravas realizavam as tarefas de "exterior", mediando entre o oikos e a rua; e as heteras, como "mulheres públicas", participavam de banquetes e frequentavam praças. Essa diversidade evidencia que o confinamento feminino era mais um ideal aristocrático do que a própria dinâmica da vida cotidiana subvertia. Apesar das atenienses não fazerem parte da politeia, as fontes argumentam que elas eram fundamentais na vida pública não institucional, além de prestígio público através de rituais e monumentos fúnebres.

As Cidadãs Atenienses As mulheres atenienses tinham um direito limitado à propriedade, e de forma independente só podiam celebrar contratos cujo valor fosse inferior ao de um medimnos de cevada (uma medida de grão), permitindo que as mulheres se engajassem em pequenas transações comerciais. Uma mulher podia adquirir propriedade através de presentes, dote e herança. Neste último, caso o chefe de família morresse sem deixar um herdeiro masculino então uma filha poderia se tornar a herdeira provisória da propriedade, conhecida como epikleros. Posteriormente, era comum que uma mulher se casasse com um parente próximo do pai se ela se tornasse adjunta dessa propriedade. Todavia, o papel feminino na oikonomia (administração da casa) envolvia autoridade real sobre escravos e recursos, sendo as mulheres frequentemente "cogestoras" que decidiam sobre o fluxo de entrada e saída de mercadorias Ainda utilizavam de redes sociais informais para influenciar a economia familiar, revelando que a separação entre o direito e a prática social era uma área de negociações constantes .

A maioria dos meninos atenienses da alta classe recebia tutoria privada em retórica e educação física, essenciais para a participação política e militar. Como as mulheres não participavam desses programas, as meninas atenienses recebiam pouca ou nenhuma educação formal. Em vez disso, elas aprendiam os ofícios domésticos por meio de aprendizado com suas mães.

Em Esparta A vasta maioria (~94%) das mulheres espartanas eram helóticas escravizadas, uma proporção extraordinária no mundo clássico. Essas mulheres suportavam o peso econômico da estrutura de classes extrativa de Esparta e possuíam poucas ou nenhuma proteção legal contra abusos. Elas eram frequentemente estuppradas, a ponto de gerar uma subclasse inteira, os nothoi ou mothakes. Incomumente para escravas na Grécia Antiga, as helóticas eram livres para selecionar outros parceiros helóticas para reprodução sexual, embora a paramilitar cripteia prontamente matasse quaisquer crianças belas ou de habilidade incomum resultantes dessas uniões.

Em contraste, as extremamente poucas mulheres livres (espartiatas) desfrutavam de status, poder e respeito que eram desconhecidos no restante do mundo clássico. As mulheres espartiatas eram formalmente excluídas da vida militar e política, mas passaram a administrar propriedades enquanto os homens estavam engajados em atividades militares.Pomeroy, Sarah B. Deusa, Meretrizes, Esposas e Escravas: Mulheres na Antiguidade Clássica. Nova York: Schocken Books, 1975. p. 60-62 Após longos conflitos no século IV a.C., as mulheres espartanas possuíam entre 60% e 70% de todas as terras e propriedades de Esparta. No Período Helenístico, algumas das espartanas mais ricas eram mulheres.Pomeroy, Sarah B. Mulheres espartanas. Oxford University Press, 2002. p. 137

Esparta criava jovens meninos espartiatas para trabalhos militares e paramilitares longe de suas famílias na agoge, uma prática que incluía abuso físico e emocional violento extenso, mas provavelmente pouco trabalho intelectual. Já as meninas espartiatas permaneciam com suas famílias, aprendendo a administração doméstica e, possivelmente, a ler e escrever. Diferentemente de outras cidades-estado, entretanto, as mulheres espartiatas raramente executavam trabalho doméstico, o qual consideravam degradante e preferiam extrair desse serviço as helóticas. As vestimentas espartiatas confeccionadas por helóticas eram notoriamente simples e curtas em comparação com as de outras pólis, e escandalosamente exibiam as coxas das meninas.

Não está claro em que medida o estado supervisionava a educação das meninas espartiatas. As meninas parecem ter absorvido os valores espartanos principalmente através da música, dança, canto e exercício físico. As meninas espartiatas eram treinadas atleticamente como se fosse para o combate e podem ter participado da Gymnopaedia (Festival dos Jovens Nus). Provavelmente, elas deixavam de participar das competições atléticas após o casamento, tipicamente por volta dos 20 anos. Plutarco escreveu em seus Ditos dos Espartanos: "Quando alguém perguntava por que levavam suas meninas a locais públicos sem véu, mas suas mulheres casadas com véu, dizia: 'Porque as meninas precisam encontrar maridos, e as mulheres casadas precisam se ater àqueles que as possuem!'"Pomeroy, Sarah B. Mulheres espartanas. Oxford University Press, 2002. p. 134

O casamento espartano pode ter sido uma relação mais flexível do que em outras pólis gregas. Políbio escreve sobre poliginiaPolíbio XII.6b.8 e compartilhamento de esposas.