M'banza Congo, também grafada como M'banza Kongo e Mabanza Congo, é uma cidade e município angolana, capital da província do Zaire.

Segundo as projeções populacionais de 2018, elaboradas pelo Instituto Nacional de Estatística, conta com uma população de habitantes e área territorial de . É a única capital angolana que não é a localidade mais populosa de sua província, perdendo para a cidade zairense do Soio.

Designada historicamente como "São Salvador do Congo", capital do antigo e poderoso reino do Congo, teve o seu centro histórico declarado, em 2017, como Património da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

História miniatura|esquerda|200px|Comitiva portuguesa em audência com o Rei do Congo, possivelmente no século XVI A história oral e memorial de Mabanza Congo, bem como as pesquisas arqueológicas na região, atestam que a povoação e ocupação original da cidade é mais anterior à chegada dos portugueses, e mesmo da formação do poderoso reino do Congo, que, posteriormente, fez dela a morada e capital da dinastia reinante.

Fundação Segundo a tradição oral, no ano de 690 AD os congos chegaram à região compreendida entre os rios Cuanza e Cuango, sob a liderança de Na-Culunsi, uma autoridade religiosa. As autoridades religiosas congolesas chamaram essa região Timansi-Timancosi, que siginifica "coração do leão".

Em 691 as autoridades ordenaram que se construísse numa zona planáltica, próximo a uma montanha de nome Congo-dia-Tôtila, uma cidade, com trabalhos sob supervisão do artífice Masema-Toco. Sob coordenação do mesmo artífice abrem-se os Anzila Congo, as sete estradas que ligariam a nova cidade (que a princípio conservou o nome Tôtila) a todos os territórios dos congos, ao sul do rio Congo.

Segundo a tradição oral, o primeiro grande governante de Tôtila foi Muabi Maiidi, em 698 AD, sendo sucedido por Zananga Moua e Mabala Luqueni, e; somente muito depois o reino receberia o nome de Muene Cabunga e a cidade de Tôtila passaria a chamar-se Mongo-dia-Congo, possivelmente no século XII.

Conquista pelo reino do Congo Quando o rei Luqueni-lua-Nimi (ou Nímia Luqueni) conseguiu unificar as entidades políticas dos congos para formar o reino do Congo em 1390, fixou inicialmente capital em uma localidade por nome Nisi Cuílo, em territórios do Congo-Quinxassa.

Já politicamente forte, o reino do Congo organizou uma expedição e conquistou o reino rival de Muene Cabunga, que tinha sua capital na ainda denominada Mongo-dia-Congo. Após a conquista, a cidade mudou de nome, passando a chamar-se Mabanza Congo, para onde o rei do Congo se mudou e construiu o seu palácio.

Chegada dos portugueses miniatura|esquerda|200px|Mulheres e crianças em Mabanza Congo no ano de 1912 Em 1483, o explorador Diogo Cão, a serviço do reino de Portugal, chega em Mabanza Congo, onde assentava-se o trono do manicongos, monarcas que governavam o Reino do Congo. Quando os portugueses chegaram atestaram que Mabanza Congo era uma grande cidade, a maior já registrada pelos europeus na África a sul da linha do equador.

No ano de 1549, por influência dos missionários portugueses, foi construída o templo católico Catedral de São Salvador do Congo no local em que os angolanos reclamam ser a mais antiga da África Sub-Saariana. A edificação foi elevada a catedral em 1596, quando foi erigida a Diocese de Angola e Congo e um bispo passou a residir na cidade.

O nome "São Salvador do Congo", para designar a cidade de Mabanza Congo, apareceu pela primeira vez em cartas enviadas por Álvaro I do Congo (ou Álvaro II do Congo), entre os anos de 1568 e 1587.

Durante o reinado de Afonso I do Congo, edificações de pedra foram criadas, incluindo o palácio e muitas igrejas. Em relatório da Diocese de Angola e Congo em 1630, consta que foram realizados cerca de 5000 baptismos cristãos na cidade, com Mabanza Congo contando com uma população de 100.000 pessoas.

Decadência e abandono Os desentendimentos do reino do Congo com o reino de Portugal, levaram a cidade a ser saqueada várias vezes, principalmente durante a guerra civil que se seguiu após a batalha de Ambuíla. As consequências foram tão dramáticas que São Salvador do Congo foi abandonada no ano de 1678.

Nas cercanias do ano de 1704 o rei Pedro IV do Congo concede a Quimpa Vita, líder política, profetiza e membro da monarquia congolesa a incumbência de ser a regente de São Salvador do Congo, numa tentativa de reocupar e restaurar a cidade. Por esforço de Quimpa Vita a cidade foi reestruturada e reconstruída aos poucos, não sendo mais abandonada desde então.

Séculos XIX e XX miniatura|200px|esquerda|Aspecto de casas em Mabanza Congo, no ano de 1953 No século XIX Portugal criou o Protetorado do Congo Português e, em seguida, o "distrito do Congo", mas resolveu não assentar os aparatos administrativos em São Salvador do Congo, a preterindo por Cabinda.

Durante a grande revolta do Congo contra Portugal, a cidade foi parcialmente destruída, caindo em desgraça, pois em 1914 a monarquia congolesa é extinta, deixando de ser capital.

Em 1917 o governo colonial pretere mais uma vez a cidade de São Salvador do Congo, pois transfere a capital do distrito do Congo para a antiga capital do ducado de Bambata, a cidade de Maquela do Zombo.

Em 1922, porém, a cidade passa a sediar o "distrito do Zaire", condição que conserva até 1930, quando o distrito do Zaire é fundido ao de Cabinda para tornar-se a "Intendência-Geral do Zaire e Cabinda", com capital na cidade de Cabinda.

Em 1961 a cidade recupera seu estatuto de capital, quando ocorre a refundação do "distrito do Zaire". Este ímpeto dos portugueses em reconstituir administrativamente o distrito do Zaire e fazer Mabanza Congo novamente capital veio como resultado direto dos ataques ao norte de Angola em 1961 — a segunda ação que despoletou a Guerra de Independência de Angola — perpetrados pela Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA/UPA). Durante o restante da guerra anticolonial, até fevereiro de 1975, Portugal assegurou o controle da cidade.

Pós-independência Em fevereiro de 1975, após uma incursão relâmpago, as tropas da FNLA, com o apoio das Forças Armadas Zairenses, tomaram a cidade. O novo Estado angolano independente, sob comando do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), só conquistou a localidade em fevereiro de 1976, sendo a última grande localidade angolana sob domínio da FNLA. A partir desta data, Mabanza Congo permaneceu relativamente segura até a década de 1990. A cidade somente voltou a se chamar Mabanza Congo em março de 1976, após a Independência de Angola, por decreto do Presidente Agostinho Neto.

O papa João Paulo II visitou a cidade em 1992, fazendo um culto especial na histórica catedral, onde fez apelo às negociações de paz dos Acordos de Bicesse, uma das tentativas de encerrar a Guerra Civil Angolana.

Durante o relaxamento militar de 1992 para realização das eleições nacionais, a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) tomou de assalto a cidade, dominando-a até novembro de 1994. Após a ofensiva das Forças Armadas Angolanas, e a retomada da cidade pelo governo, Mabanza Congo voltou a normalidade.

A reconstrução da cidade após o final do conflito civil em 2002 permitiu ao Ministério da Cultura de Angola pleitear, em 2012, a inclusão do patrimônio histórico-arquitetônico mabanzense dentre os sítios de importância fundamental para a humanidade. A candidatura recebeu o título "Mabanza Congo, Cidade a Desenterrar para Preservar". Como primeiro passo, a Assembleia Nacional Angolana votou e o Presidente da República sancionou em 10 de junho de 2013 a inclusão do "Centro Histórico de Mabanza Congo", como Património Histórico-Cultural Nacional. Em seguida, na 41ª Sessão do Comité do Património Mundial, realizada de 2 a 12 de julho de 2017 em Cracóvia, Mabanza Congo teve o seu centro histórico declarado como Património da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

Em 16 de abril de 2015, Mabanza Congo foi admitida como membro efetivo da União das Cidades Capitais Luso-Afro-Américo-Asiáticas (UCCLA). A aceitação da candidatura e posterior classificação como membro da UCCLA se deu pelo "excecional significado histórico" da cidade para a lusofonia. Dentre as atividades decorrentes da candidatura, foi fixada como data simbólica de comemorações da cidade o dia 25 de julho.

A reforma administrativa-territorial de 2024 fez Mabanza Congo ceder parte do seu território para criar o município de Luvo.

Geografia O município situa‐se no topo da serra ou planalto de Tôtila, que possui muitas encostas escarpadas; a sede municipal está numa elevação com cerca de cinco quilómetros quadrados, a cerca de quinhentos e vinte metros de altura em relação ao nível do mar. O planalto divide as sub-bacias dos rios Mupozo e Luezi.

O município de Mabanza Congo é administrativamente subdividido, além da comuna-sede — que corresponde a própria cidade de Mabanza Congo —, nas comunas de Caluca, Quiende e Madimba (ou Nadinba). Até setembro de 2024 seu território continha as comunas de Calambata e Luvo.

Mabanza Congo tem um clima tropical de savana (Aw) semelhante ao de Quinxassa ou Brazavile, caracterizado por uma estação chuvosa bastante longa, embora não intensa, de outubro a maio, e uma estação seca relativamente curta, mas quase sem chuva, de junho a setembro, causada pela forte influência da corrente fria de Benguela durante este período.

Economia Mabanza Congo é agora um importante centro comercial de atacado e varejo para a província zairense; serve também como centro agroindustrial beneficiador de milho, amendoim, amêndoas, gergelim e mandioca cultivados no leste do Zaire.

A cidade também possui plantas industriais de beneficiamento de carnes, couro e leite, havendo também unidades de fabricação de bebidas, de têxteis e de materiais de construção.

A capital zairense ainda dispõe de uma gama grande de serviços financeiros, administrativos, além de oferta de outros relacionados com a saúde, turismo, educação e entretenimento.

Infraestrutura Abastecimento de água O abastecimento de água potável na cidade é assegurado pela Empresa Pública de Águas e Saneamento do Zaire (EPASZ), que sustenta o sistema por captações subterrâneas e, principalmente, dos rios Luege e Coco, sendo a água bombeada por eletrobombas para os reservatórios.

Comunicações Do ponto de vista de comunicação, os serviços disponíveis são os telefónicos — telefonia fixa e móvel — ofertados pelas operadoras Angola Telecom e Unitel; serviços de rádio com frequência da Rádio Zaire (retransmissora da Rádio Nacional de Angola) e da Rádio Ecclesia; televisivo, com repetidores da Televisão Pública de Angola; Correios de Angola, com serviços de correio e telégrafo, e; serviço de internet disponível pela operadora Multitel. Nas mídias impressas, ainda há o tradicional Jornal de Angola e o jornal regional Nkanda.

Educação miniatura|esquerda|200px|Um enfermeiro fazendo testagem de malária em uma criança no Hospital Municipal de Mabanza Congo, em setembro de 2006 Na educação superior, a cidade dispõe do campus universitário público da Escola Superior de Ciências Sociais, Artes e Humanidades do Zaire, além dos privados Instituto Superior Politécnico Privado do Zaire e Instituto Superior Privado Nzenzu Estrela.

Energia eléctrica O fornecimento de energia eléctrica na cidade é garantido pelas línhas de transmissão de alta e média tensão da Rede Nacional de Transporte de Electricidade (RNT-EP), que disponibiliza energia da Central do Ciclo Combinado do Soyo (também chamada de Central Térmica do Soyo I), bem como do Complexo Hidroelétrico de Inga (localizado no Congo-Quinxassa). A eletricidade é distribuída a nível residencial e comercial pela Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE).

Saúde