Recordação em Memória refere-se ao processo mental de recuperar informações do passado. Juntamente com a codificação e o armazenamento, é um dos três processos centrais da memória. Existem três tipos principais de recordação: recordação livre, recordação auxiliada e recordação serial.recall. (2010). In Encyclopædia Britannica. Retrieved March 04, 2010, from Encyclopædia Britannica Online: http://www.britannica.com/EBchecked/topic/493353/recall e também em animais.

Duas teorias principais sobre o processo de recordação são a teoria de duas etapas e o princípio da especificidade da codificação.

Teorias Teoria de duas etapas A teoria de duas etapas afirma que o processo de recordação inicia com uma etapa de busca e recuperação, seguida por um processo de decisão ou de reconhecimento, no qual a informação correta é escolhida entre o que foi recuperado. Nesta teoria, o reconhecimento envolve apenas a última dessas duas etapas ou processos, o que se pensa explicar a superioridade do reconhecimento em relação à recordação. O reconhecimento envolve apenas um processo no qual pode ocorrer erro ou falha, enquanto a recordação envolve dois. No entanto, verificou-se que a recordação é superior ao reconhecimento em alguns casos, como na falha de reconhecimento de palavras que posteriormente podem ser recordadas.

Outra teoria de duas etapas sustenta que a recordação livre de uma lista de itens inicia com o conteúdo da Memória de trabalho e, em seguida, passa para uma busca associativa.Tarnow, E. (2015). FIRST DIRECT EVIDENCE OF TWO STAGES IN FREE RECALL. RUDN Journal of Psychology and Pedagogics, (4), 15-26.

Especificidade da codificação A teoria da especificidade da codificação encontra semelhanças entre o processo de reconhecimento e o de recordação. O princípio da especificidade da codificação afirma que a memória utiliza informações tanto da marca deixada durante o aprendizado quanto do ambiente no qual a recuperação ocorre. Em outras palavras, a memória é aprimorada quando as informações disponíveis na codificação também estão presentes na recuperação. Por exemplo, se alguém aprender sobre um determinado tópico e estudá-lo em um local específico, mas fizer a prova em um ambiente diferente, essa pessoa não terá o mesmo sucesso na recordação do que se estivesse no mesmo local em que aprendeu e estudou o assunto. A especificidade da codificação leva em conta as pistas contextuais por enfatizar o ambiente de recuperação e também explica que o reconhecimento pode nem sempre ser superior à recordação.

História Questões filosóficas acerca de como as pessoas adquirem conhecimento sobre o mundo impulsionaram o estudo da memória e da aprendizagem.Bower, Gordon H. (2000). A Brief History of Memory Research. The Oxford Handbook of Memory. (3) A recordação é parte importante da memória, portanto a história do estudo da memória, em geral, também fornece um histórico do estudo da recordação.

Em 1885, Hermann Ebbinghaus criou sílabas sem sentido, combinações de letras que não seguem regras gramaticais e não possuem significado, para testar sua própria memória. Ele memorizava uma lista de sílabas sem sentido e depois testava sua recordação dessa lista em períodos de tempo variados. Descobriu que a perda de memória ocorria rapidamente nas primeiras horas ou dias, mas apresentava um declínio mais gradual e contínuo nos dias, semanas e meses subsequentes. Além disso, Ebbinghaus descobriu que o múltiplo aprendizado, o excesso de aprendizado e a distribuição dos períodos de estudo aumentavam a retenção da informação.Ebbinghaus, Hermann. (1885). On Memory (H.A Ruger & C.E Bussenius, Trans.) New York: Dover, 1964. A pesquisa de Ebbinghaus influenciou grande parte dos estudos conduzidos sobre a memória e a recordação ao longo do século XX.

Frederic Bartlett foi um pesquisador de destaque no campo da memória durante meados do século XX. Ele foi um psicólogo experimental britânico que se concentrou nos erros cometidos pelas pessoas ao recordar novas informações. Uma de suas obras mais conhecidas foi Remembering: A Study in Experimental and Social Psychology, publicada em 1932. É amplamente reconhecido pelo uso de contos folclóricos indígenas norte-americanos, incluindo The War of the Ghosts.Bartlett, F.C. (1932). Remembering: A Study in Experimental and Social Psychology. Cambridge University Press. Retrieved from http://ematusov.soe.udel.edu/EDUC390.demo/Articles/The%20war%20of%20the%20ghosts.htm . Em seus estudos, apresentava aos participantes um trecho de uma história e, em seguida, pedia-lhes que a recordassem com a maior exatidão possível. Os intervalos de retenção variavam de logo após a leitura da história até dias depois. Bartlett constatou que as pessoas tentam compreender o significado geral da narrativa. Como o conto folclórico incluía elementos sobrenaturais, as pessoas os racionalizavam para que se adequassem melhor à sua própria cultura. Em última análise, Bartlett argumentou que os erros cometidos pelos participantes poderiam ser atribuídos a "erros esquemáticos de intrusão" – o conhecimento atual interferindo na recordação.

Na década de 1950, houve uma mudança no estudo global da memória que passou a ser conhecida como a revolução cognitiva. Isso incluiu novas teorias sobre como enxergar a memória, frequentemente comparando-a a um modelo de processamento computacional. Dois livros importantes influenciaram essa revolução: Plans and Structures of Behavior, de George Miller, Eugene Galanter e Karl H. Pribram (1960) e Cognitive Psychology, de Ulric Neisser (1967). Ambos forneceram argumentos para uma visão da mente humana baseada no processamento de informações. Allen Newell e Herbert A. Simon construíram programas de computador que simulavam os processos de pensamento que as pessoas utilizam para resolver diferentes tipos de problemas.Newell, Allen & Simon, Herbert. (1961). Computer simulation of human thinking. Science, 134, (2011-2017), Retrieved from http://psycnet.apa.org/?fa=main.doiLanding&uid=1962-05907-001.

Na década de 1960, o interesse pela memória de curto prazo aumentou. Antes dessa década, havia muito pouca pesquisa que estudasse o funcionamento da memória de curto prazo e a perda rápida de memória. Lloyd e Margaret Peterson observaram que, quando as pessoas recebem uma lista curta de palavras ou letras e, em seguida, são distraídas com outra tarefa por alguns segundos, sua memória para a lista diminui consideravelmente. Atkinson e Shiffrin (1973) criaram o modelo de memória de curto prazo, que se tornou o modelo popular para o estudo dessa modalidade.Atkinson, R.C & Shiffrin, R.M. (1971) "The Control of Short Term Memory" Scientific American 225, (82-90), Retrieved from http://suppes-corpus.stanford.edu/techreports/IMSSS_173.pdf

O próximo grande desenvolvimento no estudo da recordação foi a proposição de Endel Tulving de dois tipos de memória: episódica e semântica. Tulving descreveu a memória episódica como a memória de um evento específico que ocorreu em um determinado tempo e lugar, por exemplo, o presente recebido no seu décimo aniversário. Já as memórias semânticas são palavras, conceitos e regras abstratas armazenadas na memória de longo prazo.Endel Tulving. (1972). "Episodic and Semantic Memory" in Organization of memory, (381-403), Retrieved from http://alicekim.ca/EMSM72.pdf. Ademais, Endel Tulving formulou o princípio da especificidade da codificação em 1983, que explica a importância da relação entre a codificação da informação e sua posterior recordação. Em outras palavras, o princípio da especificidade da codificação significa que uma pessoa tem mais probabilidade de recordar uma informação se as pistas de recordação forem semelhantes às pistas de codificação.Endel Tulving (2001). Retrieved from http://www.science.ca/scientists/scientistprofile.php?pID=20&pg=1.

A década de 1960 também viu avanços no estudo da imagética visual e na forma como ela é recordada. Essa pesquisa foi liderada por Allan Paivio, que descobriu que quanto mais evocativa de imagens uma palavra fosse, maior a probabilidade de ser recordada, seja em recordação livre ou em associações pareadas.Paivio, Allan. (1969). Mental Imagery in Associative Learning and Memory. Psychological Review 76, (241-263), Retrieved from http://psycnet.apa.org/journals/rev/76/3/241/.

Desde a década de 1980, uma quantidade considerável de pesquisas tem sido realizada acerca do funcionamento da memória e, especificamente, da recordação. Os estudos anteriormente mencionados foram desenvolvidos e aprimorados, e novas pesquisas continuam a ser conduzidas.

Tipos Recordação livre A recordação livre descreve o processo pelo qual uma pessoa recebe uma lista de itens para memorizar e, em seguida, é testada ao ser solicitada a recordá-los em qualquer ordem. Na recordação livre, evidências dos efeitos de primazia e de recência costumam ser observadas. Os efeitos de primazia ocorrem quando a pessoa recorda os itens apresentados no início da lista de forma mais rápida e frequente. Já o efeito de recência acontece quando os itens apresentados ao final da lista são recordados mais rapidamente e com maior frequência. Observa-se frequentemente que a recordação livre inicia pelo final da lista, avançando para o início e o meio da mesma.

Recordação auxiliada A recordação auxiliada ocorre quando uma pessoa recebe uma lista de itens para memorizar e, em seguida, é testada com pistas para recordar o material. Pesquisadores têm utilizado esse procedimento para testar a memória. Os participantes recebem pares, geralmente de palavras, A1-B1, A2-B2...An-Bn (sendo n o número de pares em uma lista) para estudar. Posteriormente, o experimentador apresenta ao participante uma palavra como pista, a fim de que ele recorde a palavra com a qual ela foi originalmente emparelhada. A apresentação da palavra pode ser tanto visual quanto auditiva.

Existem dois métodos experimentais básicos para conduzir a recordação auxiliada: o método estudo-teste e o método de antecipação. No método estudo-teste, os participantes estudam uma lista de pares de palavras apresentados individualmente. Imediatamente após ou depois de um intervalo, os participantes são testados na fase de estudo do experimento com os pares de palavras que haviam acabado de estudar. Uma palavra de cada par é apresentada em ordem aleatória e o participante deve recordar o item que foi originalmente emparelhado. O participante pode ser testado para recordação progressiva, em que Ai é apresentada como pista para Bi, ou para recordação regressiva, em que Bi é apresentada como pista para Ai. No método de antecipação, os participantes veem Ai e são solicitados a antecipar a palavra emparelhada com ela, Bi. Se o participante não conseguir recordar a palavra, a resposta é revelada. Durante um experimento utilizando o método de antecipação, a lista de palavras é repetida até que uma certa porcentagem dos pares Bi seja recordada.