O sirventêsSpina, Segismundo (2003). Manual de Versificação Românica Medieval. [S.l.]: Ateliê Editorial. pp. 203–205. ISBN 978-8574801599 ou sirventes foi um gênero poético utilizado pelos trovadores da Occitânia. A estrutura poética do sirventes não difere da canso. Sua singularidade reside exclusivamente no conteúdo temático, pois a forma aborda temas satíricos, pessoais, religiosos, políticos e morais, em vez do tradicional Amor Cortês. miniaturadaimagem|Bertran de Born era considerado o mestre do sirventes político. Uma interpretação metafórica sugere que o gênero atuava como ‘servo’ da canso, pois o poeta versejava em um modelo preexistente dela. O sirventês é, portanto — e na maioria das vezes — um contrafactum.
Contudo, na poética trovadoresca, a imitação formal nunca foi obrigatória: os poetas tinham liberdade para criar esquemas estróficos, rimáticos, métricos e melodias originais. A regra de imitar estruturas preexistentes só foi escrita a partir do século XIV, com o tratado Leys d'Amors.
O primeiro sirventês escrito é de autoria do trovador Cercamon.
Subgêneros Subgêneros incluem:
Sirventes-joglaresc: sirventês caracterizado por um tom satírico voltado à crítica de jograis.Chambers, Frank M.. An Introduction to Old Provençal Versification. Estados Unidos: American Philosophical Society, 1985. p. 181 Sirventes-ensenhamen: poema didático que descrevia o repertório técnico-artístico que um jogral deveria dominar. Canso-sirventes: fusão entre o sirventês e a canso, em que um tom moralizante inicial se mesclava, muitas vezes repentinamente, a louvores dirigidos à musa do poeta.
Nenhum deles atingiu a popularidade da forma genérica e padrão do sirventês.
Exemplos A maioria dos trovadores de maior importância escreveu pelo menos um sirventês; entre os exemplos mais conhecidos encontram-se: Leus sonetz de Raimbaut de Vaqueiras, uma composição política construída sobre a estrutura de Los apleiz, de Giraut de Bornelh, e que utiliza as mesmas rimas do original Un sirventes vuelh far dels auls glotos de Peire Cardenal, uma das muitas composições que criticam a simonia Ben grans avoleza intra de Bertran de Born; esta composição é construída sobre a estrutura da famosa sestina de Arnaut Daniel, Lo ferm voler qu'el cor m'intra, e utiliza todas as mesmas palavras finais do original Cansoneta leu e plana de Guilhem de Berguedan, uma das composições de um ciclo dedicado aos ataques pessoais contra Pons de Mataplana Pos Peire d'Alvernh' a chantat de Peire de Vic, construída sobre a métrica (mas não sobre as rimas) de Cantarai d'aqestz trobadors, de Peire d'Alvernha, é uma importante fonte sobre os trovadores do século XII, muitos dos quais são alvo de troça na composição.
Referências Categoria:Formas poéticas Categoria:Poesia Categoria:Trovadorismo