O Campeonato Paulista de Futebol de 1965 foi a 25.ª edição do campeonato organizado pela Federação Paulista de Futebol. O Santos sagrou-se bicampeão, confirmando o título com duas rodadas de antecipação. Com 34 gols marcados, Pelé foi o artilheiro da competição.
Contexto Campeão e vice do Campeonato Paulista no ano anterior, Santos e Palmeiras eram novamente considerados os principais favoritos ao título antes do início da competição. Nas últimas sete edições do campeonato, apenas as duas equipes haviam vencido a disputa. O Peixe buscava o bicampeonato, mas havia sido eliminado recentemente da Copa Libertadores. Já o Verdão chegou para a disputa em alta após vencer o Torneio Rio-São Paulo em maio.
Em relação à edição passada, a novidade foi a presença da Portuguesa Santista, que retornou à elite estadual após três anos, como campeã da Primeira Divisão de 1964.
O campeonato A competição teve início no dia 4 de julho de 1965, com quatro jogos realizados, envolvendo apenas equipes do interior. Os chamados "grandes" (Corinthians, Palmeiras, Portuguesa, São Paulo e Santos) estrearam uma semana depois.
Sem Pelé, poupado após ter uma infecção na perna, o Santos estreou no dia 11 de julho, com uma vitória por 3–1 sobre o na Vila Belmiro. No mesmo dia, a Portuguesa venceu a Ferroviária por 2–0 na Rua Javari. Os demais times estrearam dois dias depois: o São Paulo derrotou a Prudentina no Pacaembu em um jogo equilibrado, enquanto que o Corinthians bateu o São Bento por 3–0 no Parque São Jorge. No dia seguinte, o Palmeiras fez a sua estreia, ao golear o Juventus por 5–2 no Parque Antarctica.
Com o camisa 10 de volta ao time titular, o Santos goleou o Noroeste, que até então não havia perdido na competição, por 6–2, com cinco gols de Pelé. No dia 18 de julho, Pelé faz mas dois gols, comandando a terceira vitória consecutiva do Santos. Na mesma data, o Palmeiras, principal adversário na briga pelo título, foi goleado fora de casa pela Prudentina por 4–0.
Até então, a liderança do Paulista era do Guarani, com a vantagem de ter disputado uma partida a mais que os principais adversários. A invencibilidade do Bugre caiu após o time ser derrotado pelo São Paulo por 3–1, no dia 21 de julho. A derrota do Guarani permitiu que o Santos, mesmo com um jogo a menos, assumisse a liderança ao vencer o Comercial de Ribeirão Preto por 5–3.
Após um mês de competição, o Santos se manteve na liderança, sendo acompanhado de perto pelo Corinthians, que venceu os cinco primeiros jogos disputados. O Timão teve a chance de assumir a liderança no dia 8 de agosto, mas acabou sofrendo a primeira derrota na competição, fora de casa, contra o Comercial. O Peixe seguiu isolado na liderança após 10 partidas disputadas, impulsionado pela artilharia de Pelé, autor de 17 gols em 9 jogos. No dia 29 de agosto, o Clássico Alvinegro colocou frente a frente os dois primeiros colocados da competição, separados por apenas dois pontos. Em uma partida que bateu o recorde de arrecadação do futebol paulista até então – Cr$ 104.412.000 – o Santos venceu de virada, por 4–3, no Estádio do Morumbi, afastando o rival da briga pelo título.
Em setembro, o ataque santista seguiu dominando, com expressivas goleadas contra Botafogo (7–1) e Guarani (7–0). Na última rodada do primeiro turno, a invencibilidade do Santos na competição teve fim: com um gol de Ademar Pantera, o Palmeiras venceu o clássico na Vila Belmiro por 1–0. Invicta desde a derrota para a Prudentina no começo do campeonato, a equipe alviverde aproximou-se dos líderes Santos e Corinthians com o triunfo no clássico.
Com um ponto de distância entre si, Santos, Corinthians e Palmeiras abriram o segundo turno com vitória. Na 17ª rodada, o Santos abriu vantagem para os rivais após o Corinthians empatar no Majestoso e o Palmeiras perder do Comercial. Em 25 de novembro, a vitória do Santos por 5–0 sobre o Botafogo eliminou as chances matemáticas de título do Palmeiras. Dois dias depois, ao vencer o Juventus por 4–0 na Vila Belmiro, o Santos confirmou o título de campeão com duas rodadas de antecedência.
Em 4 de dezembro, a derrota da Ferroviária para o São Paulo por 1–0 decretou o rebaixamento da equipe de Araraquara, também com duas rodadas de antecipação. As últimas rodadas foram marcadas pela disputa pelo segundo lugar na classificação entre Corinthians e Palmeiras. O alvinegro ocupou a vice-liderança durante a maior parte da competição, mas ainda tinha pela frente o confronto direto contra o rival. Em um jogo polêmico no Pacaembu, Ademar Pantera fez o gol da vitória do Verdão aos 49 minutos do segundo tempo, aproveitando a cobrança de um escanteio duvidoso assinalado pelo árbitro Romualdo Arpi Filho. O resultado, muito contestado pela diretoria do Corinthians, permitiu que o Palmeiras tomasse a segunda posição na classificação, assegurando a segunda vaga para a Taça Brasil de 1966.
Na última rodada, já com as posições na tabela garantidas, o Palmeiras voltou a derrubar a sequência de invencibilidade de 14 jogos do Santos, ao aplicar uma goleada de 5–0 sobre a equipe campeã, no dia 12 de dezembro, no Parque Antarctica. A goleada foi o suficiente para que o próprio Palmeiras superasse o Santos e terminasse como a melhor defesa da competição.
Classificação final Time PG J V E D GP GC SG1 Santos 53 30 25 3 2 93 28 +65 2 49 30 22 5 3 55 25 +30 3 Corinthians 45 30 21 3 6 74 36 +38 4 Portuguesa 35 30 13 9 8 43 34 +9 5 São Paulo 33 30 13 7 10 52 32 +20 6 São Bento 31 30 12 7 11 46 50 −4 7 Guarani 30 30 13 4 13 45 47 −2 8 Comercial 28 30 12 4 14 50 53 −3 9 Prudentina 27 30 10 7 13 45 47 −2 10 América 26 30 10 6 14 32 45 −13 11 Noroeste 25 30 9 7 14 35 59 −24 12 Juventus 24 30 9 6 15 45 61 −16 13 Botafogo 24 30 8 8 14 37 48 −11 14 Portuguesa Santista 19 30 5 9 16 20 48 −2815 XV de Piracicaba 18 30 6 6 18 27 60 −3316 Ferroviária 13 30 4 5 21 32 58 −26PG - Pontos Ganhos; J - Jogos; V - Vitórias; E - Empates; D - Derrotas; GP - Gols Pró; GC - Gols Contra; SG - Saldo de GolsFonte: Campeão Rebaixado
Ligações externas
1965 Categoria:Futebol de 1965 no Brasil