Soneto 127 é um dos 154 sonetos de Shakespeare, o primeiro do grupo de sonetos para a Dama Negra (Dark Lady).

Estrutura Como a maioria dos sonetos escritos por William Shakespeare, o Soneto 127 é um soneto inglês, no seu formato e no seu esquema rímico (ABAB CDCD EFEF GG), e, como a maioria deles, foi feito no ritmo de pentâmetro iâmbico.

Análise Neste soneto o poeta defende seu amor por uma amante que não atende aos padrões convencionais de beleza da época, afirmando que seus olhos e cabelos escuros (e, talvez, pele escura) são o novo padrão. Em sua tese, vai contra a versão da beleza — cabelos loiros e pele clara — então aceita, chamando-a de falsa ou facilmente falsificada.>

Traduções Tradução de Thereza Christina Rocque da Motta A tradutora faz uma tradução próxima à tradução literal, não levando em conta as regras específicas do soneto (ritmo, rima, métrica), mantendo-o em forma do que antigamente se chamava Quatorzain. Em tempos remotos, o negro não era belo, Ou se fosse, assim não seria chamado; Mas agora surge o herdeiro da negra beleza, E o belo está imprecado de bastardia; Desde que as mãos detêm o poder sobre a natureza, Embelezando a feiura com o falso rosto da arte, A doce beleza não tem nome, nem jardim sagrado, Vive profanada, ou caiu em desgraça. Os olhos de minha senhora são escuros como o corvo, Tão belos são seus olhos, e sua tristeza tão comovente, Que, mesmo sem ser bonita, ainda é bela, Difamando a criação com falsa estima. Eles se entristecem com a própria aflição, Ao ouvirem não haver beleza como a dela.

Tradução de Milton Lins O tradutor apresenta o soneto em decassílabos, em sua maioria no ritmo de pentâmetro iâmbico, mas variando para o verso heroico, com raros versos no ritmo de martelo ou Gaita galega. Outrora a negra cor era um regresso, Quando não fosse, imitaria o feio; Mas hoje a negra bela é um sucesso, Bastarda em desafio, um belo enleio:

Se tem poder a mão na natureza, E pedindo emprestado um falso rosto, Nem suas férias, nem doce beleza Possui - é profanada em seu desgosto.

Negros olhos de corvo - a minha amante - Com lances de olhadela, vê de cima Aos que, não tendo berço nem semblante, Tentam a criação com falsa estima.

E lamentam-se assim, tornando triste O que cada voa diz: que o belo existe.SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5

Tradução de José Arantes Junior Este tradutor seguiu o esquema rímico do autor no soneto: ABAB CDCD EFEF GG, como um soneto inglês. Mas não o seguiu no ritmo nem na métrica, preferindo dar-lhe um aspecto plástico, com 36 caracteres em cada verso, que lhe mostram a forma, quando utilizada uma fonte monoespaçada. Acrescentou-lhe, ainda, um título. O feio e o belo O tom negro não era belo antigamente Ou, se era, não tinha nome de beleza, Mas agora a beleza escura é evidente E o elo bastardo infama esta certeza;

Cada mão atua pelo poder da natureza Alindando o feio com face emprestada, Beleza não está no bossque da realeza E é atacada se não estiver profanada;

Até os olhos de corvo da minha amada São tão queridos, mas lamentam o dom, Sem nascer belos têm beleza revelada E insultam a criação com o falso tom;

Mas ao vê-lo sentidos, sinto em mim Que o belo teria que ser mesmo assim.Shakespeare, William - Sonetos completos de William Shakespeare. Tradução de José Arantes Júnior. - São Paulo: Ed. do Autor, 2007.

Tradução de Paulo Camelo O poeta procura seguir o original em forma, métrica, ritmo e esquema rímico, ou seja, um soneto inglês com esquema rímico ABAB CDCD EFEF GG, versos decassílabos em ritmo de pentâmetro iâmbico, apresentando-o, ainda, com ritmo holístico. Outrora o negro era um padrão não belo ou, belo fosse, assim não se chamava. Agora mostra-se um herdar singelo, embora falem mal, e assim se agrava

a forma de vestir-se a natureza, embelezando o imundo e falso rosto. O belo não tem nome, ou realeza; ele é profano, vil, não galga posto.

Os olhos da senhora, negros, são iguais a um corvo, a se vestir de luto, e escondem, na beleza, uma ilusão da criação, um falso irresoluto.

Aflitos sentem-se, em lamento pobre, e essa beleza o verbo então descobre.

Categoria:Sonetos de William Shakespeare