Ursula Boreal Lopes Brevilheri (Cornélio Procópio, 30 de outubro de 2000), conhecida também como Urse, é uma cientista social, produtora cultural e ativista dos direitos humanos brasileira. Seus trabalhos enfocam a linguagem inclusiva, as juventudes e a diversidade de gênero.

Biografia Brevilheri é uma pessoa transgênero não-binária e travesti. Ursula é licenciada, bacharela e mestra em ciências sociais pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Atualmente é doutoranda em Sociologia na UEL e também cursa Direito na mesma universidade.

Sua pesquisa acadêmica abrange sociologia da educação, estudos de gênero e conservadorismo, transfeminismo, neolinguagem, direitos humanos, teorias queer e decoloniais. Embora ativamente envolvida na defesa LGBTQ+ e na educação cultural, ela participa regularmente de eventos como o Dia da Visibilidade Trans de Londrina para promover a inclusão trans e não-binária.

Em 2025, Ursula proferiu uma palestra intitulada "Juventude e Diversidades na Cena Cultural" para um projeto cultural local, abordando o envolvimento dos jovens com questões de diversidade. Como produtora cultural, ajudou a organizar oficinas gratuitas por meio da iniciativa Usina Cultural "Ligando Pontos" em Londrina. Ursula também escreve colunas de opinião para o site de notícias Portal Verdade. Em 2025, ela publicou seu primeiro livro, As armas da cisnormatividade contra a linguagem não binária no Brasil, que analisa os esforços legislativos conservadores para proibir a linguagem neutra em termos de gênero. Além disso, coordena o programa de extensão comunitária "Práxis Itinerante" da UEL, vinculando seu trabalho acadêmico ao ativismo social. Em 2021, sua sugestão legislativa pela "inclusão de marcadores para o campo 'sexo' diferentes de masculino e feminino" no site do Senado Federal alcançou mais de 20 mil votos favoráveis e está em tramitação. esquerda|miniaturadaimagem|Ursula durante a Jornada pela Visibilidade Trans 2025 Sua dissertação de mestrado – defendida em janeiro de 2025 – tem o mesmo título de seu livro e foi destaque na Semana de Visibilidade Trans de Londrina, onde ela conectou enfaticamente a ação legislativa cisnormativa ao apagamento de corpos dissidentes. Em seus escritos, Brevilheri alerta que políticos conservadores têm usado atualizações legais para espalhar ódio e falsidades sobre as comunidades LGBTQIA+, e ela pede aos movimentos sociais e educadores que resistam a essas políticas.

Além da pesquisa, Brevilheri é ativa na organização comunitária. Ela ajudou a coordenar a Jornada da Visibilidade Trans em 2025 em Londrina, uma semana de eventos de visibilidade trans organizados em conjunto pelo Práxis Itinerante da UEL e pela Frente Trans local. Seu envolvimento com o Práxis Itinerante remonta aos tempos de graduação: em 2021, como estudante de Ciências Sociais na UEL, integrou a organização do "Sextou Sociológico", um programa sobre desigualdades e perspectivas sociológicas. Em 2024, ela foi uma das principais organizadoras de um simpósio internacional sobre juventude e diversidade na UEL, onde afirmou que o objetivo do projeto era "derrubar os muros da universidade e transformar a teoria em realidade social", capacitando jovens de grupos marginalizados por meio de oficinas de extensão. Sua presença na mídia se estende a podcasts e entrevistas sobre inclusão – muitas vezes discutindo linguagem neutra e direitos trans.

Ela também contribuiu para volumes editados e periódicos acadêmicos sobre tópicos relacionados, e foi entrevistada em fóruns acadêmicos. Seus copesquisadores e colegas incluem o professor Fabio Lanza, seu orientador de tese e colaborador no Práxis Itinerante, e outros membros do Departamento de Ciências Sociais da UEL. Ursula faz parte de Coletivo Trans Não-Binárie, La Red No Binarie Latinoamérica y Abya Yala, e Articulação Brasileira Não-Binárie (ABRANB).

Brevilheri é abertamente trans não-binária (travesti) e usa sua identidade como parte de sua defesa. Em fóruns públicos, ela destaca como a linguagem e a política moldam a experiência vivida de indivíduos brasileiros transgêneros e não-binários, incluindo aqueles que são neurodivergentes, pessoas gordas e pessoas com deficiência. Ela explica que a cisnormatividade – a presunção de que todos são cisgêneros – "nos quer invisíveis" e defende a resistência por meio da escrita e do ativismo. Seu trabalho foi citado como fundamental para professores, assistentes sociais e advogados que buscam apoiar jovens LGBTQIA+.

Contribuições teóricas esquerda|miniaturadaimagem|Ursula defende sua dissertação "As armas da cisnormatividade contra a linguagem não binária no Brasil: colonialidade, conservadorismo e ação legislativa (2020-2024)" em janeiro de 2025 Boreal contribuiu para os debates transfeministas brasileiros articulando críticas à cisnormatividade, aos limites do feminismo hegemônico e à emergência de identidades não binárias como sujeitas políticas. Sua abordagem transfeminista integra perspectivas decoloniais e questiona categorias clássicas das ciências sociais, como o conceito de habitus de Pierre Bourdieu, para refletir sobre corpos dissidentes de gênero e suas experiências de exclusão estrutural.

Entre suas principais contribuições conceituais está a noção de polifonia na linguagem não binária. Ela argumenta que estratégias como a adoção de pronomes neutros ou a alteração de flexões genéricas de palavras com gênero não formam um sistema unificado, mas um conjunto plural de soluções linguísticas produzidas coletivamente que refletem diferentes contextos e necessidades. Ela estende essa ideia para além dos debates sociolinguísticos, aplicando-a ao movimento LGBTQ+ como um todo, que ela interpreta como uma constelação de vozes e perspectivas que podem divergir, mas são possivelmente complementares. Nessa visão, a pluralidade não é um obstáculo, mas uma fonte essencial do potencial político do movimento.

Boreal também analisou discursos e iniciativas legislativas que buscam proibir o uso da chamada "linguagem neutra" no Brasil. Ela argumenta que tais iniciativas, embora frequentemente inconstitucionais, visam principalmente moldar significados culturais e mobilizar pânico moral em relação a corpos e expressões não normativos. Em seu livro, ela mapeia os principais atores políticos por trás desses processos e propõe interpretar a proibição da linguagem neutra, enquanto socioleto, como uma "arma simbólica" da cisnormatividade na esfera pública.

Vida pessoal Ursula é uma travesti não-binária e usa os pronomes ela e ila, que seria um neopronome. Ela nasceu na cidade de Cornélio Procópio mas ainda jovem se mudou para Londrina para estudar Ciências Sociais, cidade onde iniciou seu ativismo e começou a construção de redes de apoio de pessoas trans e não binárias, que culminariam no evento Vem, Menine! em novembro de 2019.

Livros publicados

As armas da cisnormatividade contra a linguagem não binária no Brasil (Editora Sorian, 2025).

Categoria:Artistas queer Categoria:Artistas transfemininas Categoria:Ativistas anticapacitistas Categoria:Ativistas dos direitos LGBT do Brasil Categoria:Ativistas dos direitos transgênero Categoria:Ativistas pelos direitos dos autistas Categoria:Cientistas LGBT Categoria:Cientistas sociais do Brasil Categoria:Criadores de conteúdo digital Categoria:Escritoras brasileiras do século XXI Categoria:Escritoras transgênero Categoria:Escritores LGBT do Brasil Categoria:Feministas do Brasil Categoria:Naturais de Londrina Categoria:Pesquisadoras do Brasil Categoria:Pessoas LGBT do Brasil do século XXI Categoria:Pessoas transgênero não binárias do Brasil Categoria:Podcasters do Brasil Categoria:Produtoras de podcast Categoria:Produtores culturais do Brasil Categoria:Sociólogas do Brasil Categoria:Teóricos queer Categoria:Transfeministas Categoria:Travestis do Brasil Categoria:Sociólogos do Brasil Categoria:Ativistas dos direitos humanos do Brasil Categoria:Alunos da Universidade Estadual de Londrina Categoria:Sociólogos do Paraná