Resumo Margarita Ubarne Mansilla de Espinosa (Montevidéu, 1891 — , ) foi uma mulher negra, professora, escritora, colunista e pensadora uruguaia. Teve papel crucial na ascensão do movimento negro uruguaio na imprensa pública do século XX, se destacando, entre outras razões, por sua escrita politizada e engajamento para com questões educacionais e sociais.

Vida e Carreira Margarita Ubarne Mansilla de Espinosa, filha de Ramón Ubarne e Margarita Mansilla, nasceu em Montevidéu, Uruguai em 1891. Em 1909, ingressou no Instituto Normal de Señoritas e concluiu sua formação em novembro de 1911, tornando-se professora de primeiro grau, habilitada para lecionar do primeiro ao quarto ano escolar. Iniciou sua carreira em 1913, na escola do bairro Reducto, em Montevidéu, onde permaneceu por um ano.SOSA, Fernanda. Margarita Ubarne Mansilla, maestra normalista y letrada. In: ______ (org.). Maestras y maestros en América Latina (1800–1950). Ciudad Autónoma de Buenos Aires: CLACSO, 2023. p. 209- 219: https://biblioteca-repositorio.clacso.edu.ar/bitstream/CLACSO/251957/1/Maestras-maestros.pdf Em seguida, lecionou na escola do bairro Capurro, onde permaneceu até sua aposentadoria alguns anos depois.

Em 1919, se casou com Isidoro Espinosa, adotando então o sobrenome Espinosa. Aposentou-se em 1936. Paralelamente à docência, manteve atividade como colunista e escritora, publicando regularmente em diversos jornais e revistas da comunidade afro-uruguaia.

Seu público-alvo de leitores era a comunidade negra que, diante das restrições — ainda que informais — de acesso a clubes, bailes e espaços públicos, desenvolvia instâncias próprias de sociabilidade.Andrews, G. R. (2011). Negros en la nación blanca: historia de los afro-uruguayos (1830- 2010). Montevideo: Linardi y Risso. https://pmb.parlamento.gub.uy/pmb/opac_css/index.php?lvl=notice_display&id=76483 Nesse contexto, Ubarne ganhou notoriedade como colunista em diversos “jornais negros”, veículos que desempenhavam papel central na circulação de ideias, na organização de encontros sociais, na divulgação de ideários emancipatórios e na denúncia de práticas discriminatórias.

Legado São atribuídos à autora cerca de quarenta textos, publicados em periódicos como La Propaganda (1911-1912), La Verdad (1911-1914), Nuestra Raza (1917 e 1933-1948) e a Revista Uruguay (1945-1948). Ora assinava com seu nome, ora com o pseudônimo “Lirio del Valle”. Seus textos geralmente são agrupados em quatro categorias principais: literários, históricos, de opinião sobre a comunidade afro-uruguaia e reflexões sociais. Nos textos históricos, em sua maioria produzidos entre 1911 e 1914, exalta o patriotismo e o nacionalismo, os heróis nacionais e as datas cívicas. A pensadora também abordou a escravidão em alguns de seus escritos; para ela, a luta decolonial marca o início do fim da escravatura no Uruguai Lewis, M. (2011). Cultura y literatura afro-uruguaya. Perspectivas post-coloniales. Montevideo: Casa de la Cultura Afrouruguaya. https://pmb.parlamento.gub.uy/pmb/opac_css/index.php?lvl=notice_display&id=77351. Para Ubarne, a Proclamação da República uruguaia construiu terreno fértil para as lutas abolicionistas e para a luta pela igualdade racial. Reforçando então, a ideia de uma nação comum “sem distinção de classes ou raças”, embora, na prática, as políticas segregacionistas uruguaias fossem ferrenhasGarcía Martínez, M. (2018). “Mujeres afrouruguayas en el contexto del Primer Congreso Nacional de Mujeres del Uruguay”. Corpus. Archivos de la alteridad americana (Mendoza) v. 8, n 2.https://journals.openedition.org/corpusarchivos/2613. Sua escrita explicitava o discurso liberal apreendido a partir do letramento político comum da época, a defesa de valores republicanos e democráticos e a visão de progresso vinculada à igualdade cívica, superando as barreiras raciaisChagas Iglesias, Karla. Trabajadoras, escritoras y ciudadanas. Aportes para un estudio de las mujeres afrouruguayas (1930-1950). Tesis de aestría en Ciencias Humanas, Opción Historia Rioplatense

Facultad de Humanidades y Ciencias de la Educación. Universidad de la República. 2021. . miniaturadaimagem|Margarita Ubarne na capa da revista Nuestra Raza (1940) Para além dessa temática, Margarita também abordou temas como trabalho, educação, feminismo e progresso. Para ela, o avanço da sociedade dependia do esforço individual e coletivo, da imprensa negra, da instrução e do papel da mulher no lar. Identificava como obstáculos ao progresso a preguiça, a apatia, a ignorância e a falta de cooperação.

No que se refere ao feminismo, sua posição era ambígua: valorizava a figura da “mulher moderna”, que estudava, trabalhava, praticava esportes e participava da vida social, mas rejeitava a reivindicação de direitos políticos, defendendo que o lugar das mulheres deveria ser o lar, desempenhando suas funções de esposas e mães dedicadas. Tal visão paradoxal diante de sua própria trajetória como trabalhadora, escritora e figura ativa na comunidade afro-uruguaia denuncia as contrariedades comuns a algumas pensadoras do século XIX: desempenhavam atividades profissionais que desafiavam o machismo e patriarcado, contudo, concordavam que as mulheres deveriam atuar em papéis sociais secundários, domésticos e subalternos.

Entre as suas publicações, incluem os seguintes textos, sob o pseudônimo de Lirio del Vallehttps://biblioteca-repositorio.clacso.edu.ar/bitstream/CLACSO/251957/1/Maestras-maestros.pdf.

Lirio del Valle (1914). “Eterna preocupación. La marcha del progreso” en La Verdad (Montevideo) 15 de junioSOSA, Fernanda. Margarita Ubarne Mansilla, maestra normalista y letrada. In: ______ (org.). Maestras y maestros en América Latina (1800–1950). Ciudad Autónoma de Buenos Aires: CLACSO, 2023. p. 210:

https://biblioteca-repositorio.clacso.edu.ar/bitstream/CLACSO/251957/1/Maestras-maestros.pdf.

Lirio del Valle (1934). “La mujer moderna y el feminismo” en Nuestra Raza (Montevideo) Vol. II, Nº 14, pp 4-5

Referências

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