Em 28 de março de 2018, ocorreu um incêndio durante um motim em prisão nas celas da sede da polícia estadual de Carabobo em Valência, Venezuela. O incêndio matou pelo menos 68 pessoas e feriu dezenas de outras pessoas. O incêndio é um dos incidentes mais letais já ocorridos em uma prisão venezuelana desde o Incêndio na prisão de Sabaneta em 1994, no qual mais de 100 presos morreram.
Quatro promotores foram designados para investigar as circunstâncias que antecederam as mortes das vítimas. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos pediu uma investigação e reparações para as famílias das vítimas do incêndio.
Contexto
Violência e superlotação são problemas no sistema prisional da Venezuela. O Observatório Venezuelano de Prisões (em inglês: Venezuelan Observatory of Prisons) estima que 6.663 prisioneiros morreram entre 1999 e 2015, com uma superlotação média acima de 200%.
Mais de 60 prisioneiros morreram no Motim na prisão de Uribana em 2013. A organização Human Rights Watch afirma que, devido ao treinamento precário e ao número insuficiente de guardas, além da corrupção e da deterioração da infraestrutura, gangues armadas assumiram o controle da população carcerária.
Incêndio O incêndio começou na cadeia anexa à delegacia de polícia em Valência, uma cidade localizada cerca de a oeste da capital da Venezuela, Caracas. A cadeia foi construída para abrigar apenas 60 prisioneiros, mas, quando o incêndio começou, abrigava cerca de 200.
O incêndio teria começado quando, durante um motim, prisioneiros incendiaram seus colchões em uma tentativa de fuga. Relatos posteriores afirmaram que o incêndio começou durante uma festa organizada pelos presos. Tiros também teriam sido ouvidos durante o motim que precedeu o incêndio. No entanto, as circunstâncias que cercam o incêndio ainda não foram oficialmente confirmadas, e autoridades locais inicialmente apenas confirmaram que algumas pessoas haviam morrido no incêndio.
Mais tarde, no mesmo dia, Tarek William Saab, principal promotor da Venezuela, declarou que o número de mortos foi de 68, incluindo duas mulheres, provavelmente visitantes; e afirmou que seria iniciada uma investigação para “esclarecer” o incidente.
Consequências No mesmo dia do incêndio, familiares dos presos mortos se reuniram na delegacia onde o incêndio ocorreu, mas foram dispersados pela polícia usando gás lacrimogêneo. O gás foi usado após os manifestantes tentarem invadir a delegacia e o centro de detenção em questão, a sede da polícia estadual de Carabobo, e um policial foi ferido por uma pedra.
O governador de Carabobo, Rafael Lacava, declarou sua "consternação" pelos acontecimentos, e o órgão de direitos humanos das Nações Unidas pediu uma investigação. Em uma declaração, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos também pediu reparações para as famílias das vítimas.
Opositores do presidente Nicolás Maduro usaram o incêndio como evidência de que a sociedade venezuelana se deteriorou sob sua liderança. O líder da oposição Henrique Capriles tuitou: "Quantas vezes mais vamos ver as mesmas cenas dantescas com os prisioneiros do país?"
Muitos dos presos mortos foram enterrados lado a lado, em três camadas, em uma vala comum separada por blocos de concreto e marcada por cruzes.
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