Estanislau de Barros Miranda (Coxilha, 24 de novembro de 1853 – Passo Fundo, 9 de janeiro de 1916) foi um político, estancieiro, pecuarista, tornando-se uma referência para o folclore do Rio Grande do Sul e o tradicionalismo gaúcho.

Vida pessoal e origem familiar Era filho de Francisco de Barros Miranda (1812–1890) - tenente-coronel da Guarda Nacional combatente da Guerra do Paraguai (1864-1870)Monteiro, Paulo Domingos da Silva. «Passo Fundo e a Guerra Contra o Paraguai». Projeto Passo Fundo. 2009. Consultado em 8 set. 2025Nascimento, Welci. As Ruas de Passo Fundo do Século XIX. Apontamentos para a história de Passo Fundo. Passo Fundo: ed. Berthier, 1992, 140 p. e presidente do Conselho Municipal de Passo Fundo - e de Maria Prudencia de Souza (1825–1875). Estanislau era o mais velho de 10 irmãos.

Foi batizado em 15 de janeiro de 1854 na igreja matriz de Passo Fundo, consagrada à Nossa Senhora da Conceição. Estudou em um colégio em Rio Pardo, em regime de internato, e depois em um seminário católico em Sorocaba, cidade natal de seu pai. Após os estudos retornou à propriedade familiar para dedicar-se à pecuária.

Em 5 de junho de 1875 casou-se com Eufrosina Prudencia de Oliveira (1858–1949) com quem teve 13 filhos: Ernestina, Ermelino, Ernesto, Eudocio, Eurico, Erminia, Eneversina, Epaminondas, Eliziario, Etelvina, Eponina, Edolina e Vidalvina.

Lalau viveu boa parte do tempo em Coxilha, na propriedade da família que era denominada de “Casa Branca”. Na época de seu período de vida a região de Coxilha ainda era um distrito da cidade de Passo Fundo, pois só houve sua emancipação em 1992.

A família Miranda estava entre os primeiros moradores da região de Coxilha. Francisco de Barros Miranda junto com Manoel de Souza, oriundos de Sorocaba, teriam se estabelecido e iniciado atividades pecuárias no local conhecido como "Fazenda das Coxilhas" na década de 1840. Além disso, o "Coronel Miranda", como era conhecido o pai de Estanislau, e sua família também foram proprietários de terras na região do 3º distrito de Passo Fundo, atualmente município de Sertão. Parte dos terrenos dessa localidade foi legada por Francisco para a sua escravizada Cezarina Miranda, pois com ela teve filhos.Santos, Sherol dos. “Territórios Étnicos no Pós-Abolição: o Caso do Quilombo da Mormaça (RS)”. Dourados, Fronteiras, 11 (19): 127-141, jan./jun. 2009. Disponível em https://ojs.ufgd.edu.br/FRONTEIRAS/article/download/452/324/106. Consultado em 10 set. 2025. Após a morte de Francisco, seu filho Estanislau ficou encarregado de administrar a propriedade.

Assim, a propriedade conhecida como "Invernada da Arvinha" deu origem ao "Quilombo da Mormaça"Marafon, Caroline da Silva et al. «Quilombo da Mormaça: um exemplo de luta e resistência». Portal UPF - Universidade de Passo Fundo. Consultado em 12 set. 2025, comunidade quilombola remanescente reconhecida oficialmente pelo Estado em 2015 e que obteve a titularidade da terra.França, Jéssica. «Quilombo da Arvinha terá titularidade das terras assinada pelo presidente Lula». Povos Indígenas no Brasil. 12 abr. 2024. Consultado em 10 set. 2025

Vida pública Depois dos estudos, Estanislau serviu ao Exército, chegando à patente de alferes. Ainda em vida ficou conhecido na região por sua forte ligação com a cultura e tradições da província do Rio do Grande do Sul.alt=Foto em preto e branco com homem montado a cavalo com trajes típicos do Rio Grande do Sul e paisagem campestre ao fundo|miniaturadaimagem|350x350px|Homem montado a cavalo com trajes típicos em uso na área rural da província do Rio Grande do Sul durante o final do século XIX.|esquerda Dedicava-se às chamadas "lidas do campo", que incluía as habilidades de doma de animais na qual se destacava, assim como no artesanato com couro, nas corridas de cavalos (denominadas de carreiras)"Sports. Turf". Porto Alegre, A Federação, 8 maio 1914, p. 3. Disponível em http://memoria.bn.gov.br/DocReader/388653/29462. Consultado em 12 set. 2025, na música e nas danças tradicionais, sendo admirado como cantor e tocador de violão.CTG Lalau Miranda - Série Personalidades Tradicionalistas PF. Canal no Youtube da Rádio UPF. 2018. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=LNOT6J0tvVQ. Consultado em 10 set. 2025.

Também se destacou publicamente como benemérito de sua comunidade, tendo sido, por exemplo, responsável pela construção de uma igreja na localidade chamada de rincão de São Sebastião. Nessa ocasião, obteve junto ao bispo da Diocese de Santa Maria - a qual ainda pertencia a região de Passo Fundo - a designação de um padre para acompanhar a comunidade.

Na política caracterizou-se como um republicano atuante. Foi eleito para o Conselho Municipal de Passo Fundo nas eleições municipais de 1876, ocupando o equivalente ao cargo de vereador entre os anos de 1876 e 1880, junto a figuras como José Pinto de Moraes, Antônio Pereira de Almeida e o Capitão João de Vergueiro, presidente da Câmara na mesma legislatura.Damian, Marco Antonio. Eleições em Passo Fundo: dados históricos. Passo Fundo: ed. Berthier, 2010, 172 p. Outro marca de sua atuação é que foi o "vereador" mais jovem do município, sendo eleito com apenas 23 anos de idade. A partir de 1886 também atuou como juiz de Paz no distrito de Coxilha, ocupando o cargo de suplente do magistrado.Annaes do Parlamento Brasileiro, vol. I. Rio de Janeiro: Impressa Nacional, 1886, p. 790. Disponível em http://memoria.bn.gov.br/DocReader/132489/86266. Consultado em 12 set. 2025

Morte e legado miniaturadaimagem|Danças típicas do folclore gaúcho praticadas nos CTG's e associadas ao Movimento Tradicionalista Gaúcho|alt=casais dançando com trajes típicos do folclore gaúcho Após sua morte em 1916 e, sobretudo, com a emergência do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) no final da década de 1940, passou a ser uma das figuras reverenciadas como precursor das tradições e do folclore no Rio Grande do Sul. No entanto, seria anacrônico considerar Estanislau um "tradicionalista", pois essa imagem do "gaúcho", tal qual o MTG definiu, ou mesmo essa denominação são construções posteriores ao período de sua vida.Nascimento, Welci. Terra, gente e tradições gaúchas. Passo Fundo: ed. Berthier, 1992, 118 p.Ribas, João Vicente. “A representação municipal do Gaúcho de Passo Fundo”. Revista Latino-Americana de História (Edição Especial), 2 (7): 345-361, set. 2013. Disponível em https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=6238779.  Consultado em 10 set. 2025.

Nesse sentido, foi homenageado com a fundação de um Centro de Tradições Gaúchas (CTG) na cidade de Passo Fundo em 24 de março de 1952. O CTG "Lalau Miranda" foi o segundo a ser fundado no estado do Rio Grande do Sul, seguindo as definições dos estatutos do "35 CTG" que foi o primeiro, sediado em Porto Alegre desde 1948. Em 1955, à semelhança de seu pai, recebeu outra homenagem com a mudança de nome de uma rua na cidade de Passo Fundo, localizada na Vila Vera Cruz, próximo ao cemitério municipal onde foi sepultado.

Referências

Categoria:Naturais do Rio Grande do Sul Categoria:Nascidos em 1853 Categoria:Mortos em 1916 Categoria:Tradições e folclore do Rio Grande do Sul Categoria:Cultura de Passo Fundo