Evaldo do Nascimento Vasconcelos (Manacapuru) é um roteirista, quadrinista e promotor cultural brasileiro, conhecido por sua atuação no cenário de quadrinhos da Amazônia, com destaque para projetos que valorizam a história, cultura e as narrativas das suas populações nativas. Natural do Amazonas, tornou-se uma figura importante na organização de eventos e no fomento à produção de histórias em quadrinhos em Manaus e em outros estados da Amazônia.

Trajetória e atuação Evaldo Vasconcelos iniciou sua carreira no universo dos quadrinhos em 2010, como promotor de eventos do Clube dos Quadrinheiros de Manaus. Em 2014, produziu a exposição "A Voz do Fogo", em homenagem a Alan Moore, realizada no Paço da Liberdade, no Centro de Manaus. A mostra reuniu 22 artistas amazonenses e destacou-se internacionalmente, sendo mencionada no jornal britânico Northampton Chronicle & Echo.

A exposição foi posteriormente relançada em uma 2ª temporada no Sesc AM, entre dezembro de 2014 e fevereiro de 2015, com um catálogo contendo ilustrações em alta resolução, informações sobre os artistas participantes e uma entrevista exclusiva com Alan Moore.

Um marco significativo em sua carreira foi a produção da revista em quadrinhos "História de Manaus", encomendada pelo escritor Márcio Souza, presidente do Conselho Municipal de Cultura de Manaus (Concultura) e lançada em agosto de 2015. Baseado nas obras da jornalista Etelvina Garcia e ilustrações de Sarah Farias, a publicação abordou desde o período colonial até a década de 1980, destacando personalidades como Cláudio Santoro e movimentos como o Clube da Madrugada. Desde então, dedica-se à escrita e à organização de eventos que ampliam a visibilidade de quadrinistas regionais.

No ano de 2019, Evaldo foi um dos fundadores da Semana do Quadrinho Nacional de Manaus, evento anual que reúne artistas, editores e fãs de quadrinhos, tornando-se referência para a cena cultural da Amazônia. Além disso, foi um dos idealizadores do Circuito Amazônico de Quadrinhos, projeto pioneiro que conecta quadrinistas da Amazônia a eventos e mercados nacionais e internacionais, incluindo cidades como Manaus, Boa Vista, Macapá, Belém e Palmas no Brasil, e Maripasoula, na Guiana Francesa.

Em 2024, foi homenageado pela Comissão de Educação da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas em reconhecimento no empenho de divulgar os quadrinhos produzidos por artistas amazonenses.

Projetos e obras Entre suas obras mais destacadas está a série Maramunhã, uma adaptação da Batracomiomaquia (atribuída a Homero), que transplanta a narrativa da Guerra de Troia para a Amazônia, substituindo heróis gregos por animais da fauna local e incorporando entidades indígenas. A série, ilustrada por Rayanne Cardoso e com cores de Izabelle Regina, foi financiada coletivamente por meio do Catarse e apoiada pelo projeto Norte em Quadrinhos.

Os dois primeiros volumes da série, Maramunhã - Uma Lenda Manaus (2022) e Maramunhã - Na terra do Waraná (2024), foram finalistas do Troféu HQMix na categoria Melhor Quadrinho Infantil Brasileiro (35ª e 37ª edições).

Em 2026 inciou uma coluna no site Amazônia Incrível em que aborda temas de cultura e história da Amazonia.

Participação em eventos e impacto cultural Evaldo Vasconcelos consolidou-se como um importante articulador da cena de quadrinhos da Amazônia.

No ano de 2022, foi convidado para compor o comitê de especialistas da CCXP Awards na categoria Quadrinhos, ao lado de nomes como Samela Hidalgo.

Em agosto de 2025, participou de uma comitiva de artistas do Amazonas na 8ª Bienal de Quadrinhos de Curitiba, integrada ao calendário oficial do Ano Brasil-França. Na ocasião, participou do painel "Quadrinhos como Acontecimento: Festivais", ao lado de representantes de eventos como a Bienal de Curitiba, a Poc Con SP e o festival francês Quai des Bulles, discutindo o papel dos festivais na valorização da cultura das HQs.

Além disso, apresentou o Circuito Amazônico de Quadrinhos para editores do mercado francesas e representantes do Festival Quai des Bulles e do Instituto Francês.

Vasconcelos também integra iniciativas de impacto social e educacional. Em parceria com Leliane Sateré, coordena o projeto Quadrinhos Sateré, que forma roteiristas indígenas para preservar narrativas tradicionais por meio das HQs. Essa colaboração reforça seu compromisso com a diversidade cultural e a representatividade de vozes amazônicas.

Essas iniciativas tem consolidam Manaus como polo emergente de quadrinhos no Brasil, com potencial para parcerias internacionais e visibilidade para narrativas indígenas e amazônicas.

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