Kate Crawford (Sydney, Austrália — 1974) é uma pesquisadora, escritora, compositora, produtora e acadêmica, que estuda as implicações sociais e políticas da inteligência artificial .
Trajetória Crawford vive em Nova Iorque e trabalha como pesquisadora principal na Microsoft Research (Social Media Collective), a subsidiária de pesquisa da Microsoft. A autora também é cofundadora e ex-diretora de pesquisa no Instituto AI Now da Universidade de Nova Iorque, pesquisadora sênior no Instituto de Lei Informacional na mesma instituição, professora visitante no Centro para Mídia Cívica da MIT, e professora associada no Centro de Pesquisa de Mídia e Jornalismo da Universidade de Nova Gales do Sul. A pesquisadora também integra o Global Agenda Council on Data-Driven Development do Fórum Econômico Mundial. Dentre suas publicações está o livro Atlas da IA: Poder, Política e os Custos Planetários da Inteligência Artificial, lançado em português pela editora Edições Sesc, em 2025.
A pesquisa de Kate Crawford é centrada na mudança social e nas tecnologias de mídia, particularmente na interseção de humanos, dispositivos móveis e redes sociais. Sua pesquisa examina como a Inteligência Artificial afeta diversos aspectos da vida humana, como gênero, raça e status econômico. Crawford defende que os sistemas de IA não são neutros, tampouco objetivos, e, na verdade, refletem e reforçam sistemas preexistentes de poder e desigualdade. A pesquisadora também explora em suas pesquisas os impactos éticos e ambientais da IA, além dos contextos históricos e culturais de seu desenvolvimento. Publicou sobre culturas de uso de tecnologia e a maneira como as histórias da mídia informam o presente, e exibiu trabalhos criativos de música e arte em museus como o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque e o Museu Victoria and Albert em Londres.
Crawford fez parte anteriormente da dupla de música eletrônica de Canberra B(if)tek (junto com Nicole Skeltys ) e lançou três álbuns entre 1998 e 2003. Crawford foi cofundadora da gravadora Deluxe Mood Recordings, sediada em Sydney e é integrante do coletivo musical Clan Analogue.
Como escritora, Crawford escreveu para o The Sydney Morning Herald e para a Foreign Policy, jornal e revista australianos, respectivamente. Foi integrante do Centro de Desenvolvimento de Políticas e, em março do ano de 2008, foi selecionada como uma dos 1000 australianos a participar da Cúpula Austrália 2020, em Canberra, de 19 a 20 de abril de 2008, que ocorreu no Parlamento da Austrália.
Em 2017, Crawford fundou o instituto de pesquisa AI Now Institute com Meredith Whittaker que está associado à Escola de Engenharia Tandon da Universidade de Nova York . O instituto busca auxiliar administrações governamentais a corrigir vieses de desigualdade em seus algoritmos.
Foi a titular inaugural da cátedra visitante de IA e Justiça na École Normale Supérieure em Paris, em parceria com a Fondation Abeona, em 2019.
Vida acadêmica
Escrita e Fala Crawford possui um doutorado pela Universidade de Sydney. Em 2006, seu livro baseado em sua dissertação de doutorado, Temas adultos – Reescrevendo as regras da vida adulta (título original: Adult Themes – Rewriting the Rules of Adulthood), ganhou a categoria individual do Prêmio Cultural Nacional Manning Clark e, em 2008, recebeu a medalha bienal de bolsa de estudos excepcional Max Crawford, da Academia Australiana de Humanidades.
O livro Atlas da IA: Poder, Política e os Custos Planetários da Inteligência Artificial (em inglês: Atlas of AI: Power, Politics, and the Planetary Costs of Artificial Intelligence) pela Yale University Press em 2021. Seu artigo, "Artificial Intelligence Is Misreading Human Emotion", foi selecionado para o Prêmio Bragg UNSW Press de Redação Científica em 2022.
Crawford foi uma residente inaugural do Cybernetic Imagination de 2022 a 2023 e também discursou no lançamento do programa. A pesquisadora concluiu um projeto colaborativo de pesquisa e arte, Calculating Empires: A Genealogy of Technology and Power desde 1500 na época.
Projetos de arte
Anatomia de um Sistema de IA : um ensaio e mapa em larga escala que visa revelar os custos materiais, humanos e ecológicos do dispositivo Amazon Echo. Foi criado em colaboração com o artista Vladan Joler e ganhou o Prêmio Beazley de Design do Ano em 2019. Faz parte da coleção permanente do Museu de Arte Moderna de Nova York, desde 2022, e do Museu Victoria and Albert de Londres. Treinamento de humanos : em colaboração com o artista e fotógrafo Trevor Paglen, imagens usadas para treinar sistemas de IA foram exibidas na Fundação Prada, em Milão, em 2019. O objetivo era mostrar que os sistemas de IA estão sujeitos a preconceitos, podem refletir sistemas de poder existentes e podem reforçar a desigualdade. A exposição foi criticada por fazer uso de imagens faciais sem consentimento informado. Calculating Empires: A Genealogy of Technology and Power since 1500: é uma visualização em larga escala que mapeia a coevolução dos sistemas tecnológicos e sociais, criada em colaboração com o artista Vladen Joler. Em 2024, este trabalho ganhou o Grande Prémio da Comissão Europeia em Exploração Artística e foi exibido no Jeu de Paume em Paris em 2025. Em maio de 2025, Calculating Empires recebeu o Leão de Prata na Bienal de Arquitetura de Veneza 2025.
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