A Guerra Luso-Bijapur de 1577 a 1578 foi um conflito armado entre o Império Português e o Sultanato de Bijapur.

Tendo chegado a Goa a informação de que no rio de Banda se encontrava abrigada uma frota de piratas malabares contra o acordo de paz assinado entre Bijapur e Portugal em 1571, o governador D. Diogo de Meneses enviou para lá a Armada do Norte a exigir ao governador local a sua entrega nos termos do tratado em vigor.Saturnino Monteiro: Batalhas e Combates da Marinha Portuguesa, volume III, Livraria Sá da Costa Editora, pp. 408-417. Como o governador recusou-se a entregar as embarcações, a sua povoação foi saqueada e todos os navios no porto incendiados, reatando-se assim as hostilidades entre o Hidalcão e o Estado da Índia.

Por então haviam em Goa muitos soldados que, por não terem lugar nas armadas da Coroa, com a autorização do governador da Índia, faziam guerra de corso na costa do Malabar com uma frota de seis fustas e 250 soldados, capturando navios do Samorim de Calecute, então também em guerra com os portugueses e que também armava frotas de corsários para atacar a navegação portuguesa.Monteiro, 1992, III, p. 409. Conhecida como "armada dos aventureiros", entre 1576 e 1578 capturaram cerca de trinta paraus de guerra e mercantes.

Provavelmente em Novembro ou Outubro de 1577, a armada dos aventureiros aportou a Dabul para se abastecerem, sem saberem que entretanto recomeçara a guerra com Bijapur. Ao ver os portugueses a aportarem tranquilamente no seu porto, o governador de Dabul, Melique Tocar compreendeu que os aventureiros desconheciam a situação de guerra e convidou-os para tomarem parte de uma festa em terra. No dia seguinte, desembarcaram 200 homens desarmados e foram emboscados. D. Jerónimo de Mascarenhas, que ficara com 50 soldados a bordo, rapidamente percebeu o que se passava em terra, mandou pegar em armas, aproximar os navios da praia e conseguiu salvar 100 homens do massacre. Os guerreiros de Dabul ainda tentaram abordar as fustas mas foram repelidos pelas espadas espingardas dos portugueses.Monteiro, III, 1992, p. 410.

Quando D. Jerónimo de Mascarenhas regressou a Goa a notícia do incidente de Dabul, uma poderosa frota comandada por D. Paulo de Meneses foi enviada a levar a cabo operações anfíbias ao longo da costa de Bijapur, destinada a bloquear os seus portos e atacar o litoral, de forma a contrabalançar o maior poder terrestre dos inimigos. Durante a campanha foram destruídas, entre outras coisas, duas grandes naus que se preparavam para ir ao Mar Vermelho.Monteiro, III, 1992, p. 412.

As tropas do Hidalcão, entretanto, invadiram os distritos de Bardês e Salcete, em redor de Goa. miniaturadaimagem|D. Luís de Ataíde. A 31 de Agosto de 1578, D. Luís de Ataíde assumiu pela segunda vez o governo do Estado da Índia e intensificou a guerra naval contra Bijapur. Também atacou Bijapur nas fronteiras de Goa.Frederick Charles Danvers: The Portuguese in India, A. D. 1571-1894, Londres, W. H. Allen & Co. Limited, 1894, p. 25. O vice-rei reafirmou a autoridade da Coroa, moralizou a fidalguia, com quem teve uma relação mais distante do que no seu primeiro reinado e praticou uma política militar mais preventiva.Vila-Santa, Nuno: "D. Luís de Ataíde (3º conde de Atouguia, vice-rei da Índia, 1568-1571, 1578-1581)" in eve.fcsh.unl.pt Crescendo o número de povoações costeiras atacadas, embarcações tomadas e com os seus portos fechados, em 1578 o Hidalcão assinou a paz com D. Luís de Ataíde.Monteiro, III, 1992, pp. 416-417. O tratado de paz previa o afastamento de Melique Tocar mas o Hidalcão não cumpriu esta cláusula.

Ver também Estado da Índia Conquista de Goa Cerco de Goa (1517) Guerra Luso-Bijapur (1547-1548) Guerra Luso-Bijapur (1555-1557) Guerra Geral da Índia Cerco de Goa (1570-1571) Guerra Luso-Bijapur (1654-1655)

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