miniaturadaimagem|307x307px|Ilustração de Mondim Filho ao poema, publicado n'A Offensiva.

A Noite dos Tambores Silenciosos é um poema de autoria do poeta integralista Jayme de Castro. Foi criado em ocasião do I Congresso Meridional Integralista, em 1935, para a cerimônia de mesmo nome.

O poema evoca o momento exato do evento, detalhando cada passo deste ritual e finaliza evocando ao leitor a sensação de vitória do Integralismo, entre "tíbios, perversos e descrentes", que se levantariam junto aos "braços-verdes" (camisas-verdes). O poema foi adotado oficialmente pela Ação Integralista Brasileira (AIB) nos seus Protocolos e Rituais e foi utilizado por esta até fins de 1937, quando o Estado Novo proibiu qualquer manifestação político-partidária no Brasil.

Tornou a ser novamente utilizado a partir de 1957, em ocasião ao Jubilo de Prata do Integralismo sob a bandeira do Partido de Representação Popular (PRP) e dos estudantes membros do Movimento Águia Branca (CCCJ).

No século XXI, foi adotado por integralistas do Ceará, membros da Frente Integralista Brasileira em ocasião solene.

Poema

++I Zero hora no cronômetro integral De toda a imensa vastidão da Pátria.

Nas cidades, nos mares, nos sertões, Um trágico bater de caixas surdas...

É a noite dos tambores silenciosos

Três minutos, o rufo, no silêncio, Traduz um grande apelo e um grande choro E simboliza os nossos corações.

II A alma da Pátria, inteira, está em nós, Segredando que estamos vitoriosos.

Somos neste momento a própria Pátria, E distinguimos no rumor da voz Que vem do íntimo da alma dos tambores, Um soluço de angústia nacional.

III Há nessas misteriosas ressonâncias O distante tropel dos bandeirantes Desbravando as florestas brasileiras; O balbuciar das tribos aturdidas, Das feras o rugido, a voz da inúbia — A voz do Brasil virgem dos Tupis.

IV Enche nossos atônitos ouvidos Todo um mundo de sons intraduzíveis — São as vozes que foram abafadas, Pelos pulsos de ferro da injustiça. — As vozes dos patriotas esquecidos, Dos grandes brasileiros ignorados.

V Vêm-nos de envolta, qual terrível coro, Os surdos ais dos negros sufocados, Estrangulados ao vibrar do látego.

Uma paisagem trágica avassala O nosso pensamento neste instante Os campos do nordeste, ressequidos, Fazem lembrar um panorama d’África...VI Através desses campos, nas savanas, Milhões de brasileiros sofrem fome, Vemos na dor dessa paisagem morta, A própria dor dos homens que ali vivem,

O rufo continua. Pelo ambiente Há um bárbaro tumulto. Os grandes filhos Do Brasil do passado, estão conosco.

VII Vago bater de marcha acelerada Semelhante ao rolar de uma cascata, Ao rugir de um tufão pela floresta, Aproxima-se. É sempre mais distinto.

Cresce, aumenta, reboa, estruge, empolga, Vem de todos os lados, e recorda, O espetáculo do encontro do oceano Com a enorme caudal dos grandes rios.

VIII Escuta-se uma súbita parada... São as legiões de farda côr-de-selva Que vêm se recolher da grande marcha.

Agora é voz do Chefe que escutamos.

Ante as legiões sem fim, ele anuncia A vitória completa, e, diz que ali É que começa a verdadeira luta. Sacode intenso frêmito as legiões; Fal-as virar num ímpeto de júbilo...

IX E as mãos que se estorciam nas angústias De um século de doida expectativa, Se erguem para o céu num arremesso De alegria, de glória e redenção.

E, entre os muitos milhões de braços verdes, Elevaram-se os braços dos descrentes, Dos tíbios, dos perversos, dos inúteis; E a interjeição de espanto que tiveram Foi o grito de nossa saudação!

Ver também

Poesia do Brasil Jayme de Castro Integralismo brasileiro Categoria:Poesia Categoria:Integralismo no Brasil