O modernismo dinamarquês, também conhecido como modernismo escandinavo, é um estilo de mobiliário, iluminação e utensílios domésticos minimalistas, associado ao movimento de design dinamarquês. Na década de 1920, Kaare Klint adotou os princípios da Bauhaus no design de móveis, criando linhas limpas e puras baseadas na compreensão do artesanato clássico em móveis, aliado a uma pesquisa cuidadosa sobre materiais, proporções e as necessidades do corpo humano.

Designers como Arne Jacobsen e Hans Wegner ajudaram a impulsionar uma próspera indústria moveleira entre as décadas de 1940 e 1960. Adotando técnicas de produção em massa e concentrando-se na forma funcional, Finn Juhl contribuiu para o sucesso deste estilo. Além disso, utensílios domésticos minimalistas dinamarqueses, como talheres e bandejas de teca e aço inoxidável, e louças como as produzidas na Dinamarca para a Dansk International Designs durante os seus primeiros anos, expandiram a estética moderna dinamarquesa para além do mobiliário.

História

Origem Entre as duas guerras mundiais, Kaare Klint exerceu uma forte influência no fabrico de mobiliário dinamarquês. Nomeado diretor do Departamento de Mobiliário da Escola de Arquitetura da Real Academia Dinamarquesa de Belas Artes, onde incentivou os seus alunos a adotarem uma abordagem analítica, adaptando o design às necessidades dos tempos modernos. Adotando a tendência funcionalista de abandonar a ornamentação em favor da forma, manteve, no entanto, o calor e a beleza inerentes à marcenaria tradicional dinamarquesa, bem como a elevada qualidade do artesanato e dos materiais.Andrew Hollingsworth, Danish Modern, Gibbs Smith, p. 31.

O desenvolvimento do mobiliário dinamarquês moderno deve muito à colaboração entre arquitetos e marceneiros. O marceneiro A. J. Iversen, que tinha exposto com sucesso mobiliário com base em projectos do arquiteto Kay Gottlob na Exposição Internacional de Artes Industriais e Decorativas Modernas em 1925, em Paris, foi fundamental para fomentar outras parcerias. Em 1927, com o objetivo de encorajar a inovação e estimular o interesse do público, O Grémio Dinamarquês de Marceneiros organizou uma exposição de mobiliário em Copenhaga, que se realizou anualmente até 1967. Esta exposição promoveu a colaboração entre marceneiros e designers, dando origem a uma série de parcerias duradouras, nomeadamente entre Rudolph Rasmussen e Kaare Klint, A. J. Iversen e Ole Wanscher, e Erhard Rasmussen e Børge Mogensen. A partir de 1933, a colaboração foi reforçada graças ao concurso anual de novos tipos de mobiliário, organizado todos os anos, antes da exposição.Hollingsworth, p. 1Carl Erik Andresen, Dansk møbelindustri 1870–1950, 1996, Århus: Systime, p. 84.

Em 1931, formou-se uma outra instituição fundamental para o desenvolvimento do Moderno dinamarquês: a Associação das Artes () fundou um local permanente para as artes e o artesanato chamado .

Início da época dourada Nos anos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial, os designers e arquitetos dinamarqueses acreditavam que o design podia ser utilizado para melhorar a vida das pessoas. No final da década de 1940, a crescente classe média dinamarquesa começou a mostrar interesse pelo estilo moderno dinamarquês e ajudou a fomentar o investimento neste estilo. Foi dada especial atenção à criação de mobiliário e objectos domésticos acessíveis que fossem simultaneamente funcionais e elegantes. Seguiu-se uma cooperação frutuosa, combinando o artesanato dinamarquês com um design inovador. Inicialmente, o mobiliário era feito à mão, mas reconhecendo que o seu trabalho venderia melhor se os preços fossem reduzidos, os designers depressa se voltaram para a produção em fábrica.

A escassez de materiais após a guerra incentivou a utilização de contraplacado. No final da década de 1940, o desenvolvimento de novas técnicas levou à produção em massa de designs de contraplacado dobrado por Hans Wegner e Børge Mogensen, que produziram cadeiras com assento e costas em contraplacado de teca numa estrutura de faia. Em 1951, Arne Jacobsen foi ainda mais longe com a sua cadeira escultural Ant, com assento e costas em contraplacado de uma só peça, dobrados em ambas as direcções. As cadeiras desmontáveis da década de 1930 incluem a cadeira Safari de Kaare Klint e os bancos Propeller, também desenvolvidos por Poul Kjærholm e Jørgen Gammelgaard.

As exportações de mobiliário dinamarquês aumentaram de 0,8 milhões de coroas dinamarquesas em 1939 para 6,8 milhões de coroas dinamarquesas em 1944.

Mercados internacionais O interesse pelo Modernismo Dinamarquês nos Estados Unidos começou quando Edgar Kaufmann Jr., do Museu de Arte Moderna, comprou alguns itens para a Casa da Cascata, projetada por Frank Lloyd Wright. Tal acabou por levar à produção em massa também nos Estados Unidos. A partir do início da década de 1950, os fabricantes americanos obtiveram licenças para a produção em massa de designs dinamarqueses, mantendo os altos padrões de qualidade artesanal. Mais tarde, os designs foram alterados para se adequarem ao gosto americano e foram introduzidas peças do próprio país para reduzir os custos. Quando a Sears e a Woolworth's entraram no mercado, os dinamarqueses responderam com a produção de novos designs baseados em novos materiais. Uma das obras de Wegner foi utilizada por Richard Nixon e John F. Kennedy num debate televisivo em 1960, sendo agora conhecida simplesmente como The Chair («A Cadeira»).

Um exemplo praticamente intacto e abrangente são os edifícios do St Catherine's College, em Oxford, na Inglaterra. Projetados por Arne Jacobsen entre 1960 e 1966, os edifícios receberam a mais alta categorização de Grau I pela Historic England em 1993. Além dos edifícios em si, Jacobsen projetou quase todos os móveis, iluminação, têxteis e trabalhos em metal usados no local.

As exportações de mobiliário da Dinamarca aumentaram de 9,8 milhões de coroas dinamarquesas em 1953 para 257,8 milhões de coroas dinamarquesas em 1964. Isto foi em parte facilitado pela decisão da Dinamarca de copiar a desvalorização da libra britânica em 30%, em setembro de 1949, o que reduziu drasticamente o preço dos produtos dinamarqueses para os consumidores americanos.

Declínio na popularidade As vendas atingiram o seu pico por volta de 1963. No entanto, quando os fabricantes americanos introduziram o plástico moldado e a fórmica com textura de madeira como substitutos mais baratos, estas diminuíram em favor dos designs mediterrâneos, que se tornaram populares a partir de 1966. Além das mudanças nas preferências de estilo, os hábitos de compra dos clientes favoreceram o gosto por móveis acessíveis e de baixo custo, em vez de um único investimento que duraria por toda a vida.

Um artigo do New York Times, de 1980, observou que o modernismo dinamarquês «saiu de moda» nos Estados Unidos, em parte devido à contracultura, «que não aceitava a imagem séria do design escandinavo», e à «nova cultura, para a qual apenas o chocante é chique». Muitas fábricas encerraram durante este período, e a Cabinetmakers' Guild Exhibition foi realizada pela última vez em 1966, altura pela qual já poucos marceneiros que permitiam sustentá-la permaneciam em Copenhaga.

Ressurgimento do interesse No final da década de 1990, o modernismo dinamarquês e o movimento modernista de meados do século, em geral, viram surgir a nível internacional um ressurgimento do interesse por esta estética.

Embora as obras produzidas em massa por Wegner, Juhl e Jacobsen permanecessem populares, os colecionadores foram-se voltando cada vez mais para itens de produção limitada destes e doutros designers. Nos Estados Unidos, embora os preços tivessem aumentado, contiuavam ainda em níveis razoáveis quando comparados com itens semelhantes de fabrico novo. Assim, os fabricantes licenciados iniciaram um relançamento de designs importantes, enquanto outros usaram o modernismo dinamarquês como inspiração.Hollingsworth, p. 10

A indústria de mobiliário dinamarquesa na atualidade Empregando cerca de 15 000 pessoas por ano, as 400 empresas de mobiliário da Dinamarca produzem bens no valor de cerca de 13 mil milhões de coroas dinamarquesas (1,75 mil milhões de euros). Um setor altamente produtivo, mais de 80% do mobiliário produzido é vendido no estrangeiro, tornando o mobiliário na quinta indústria de exportação mais relevante da Dinamarca. A maioria dos artigos produzidos destina-se sobretudo ao lar, mas muitos são concebidos para locais de trabalho. Para além dos designs clássicos, o mobiliário de design dinamarquês beneficia de uma nova geração de intervenientes inovadores. Como resultado, a Dinamarca manteve a sua posição como líder mundial na produção de mobiliário em relação à população do país.

Várias empresas continuam ativas na produção de designs clássicos dinamarqueses modernos e na introdução de variantes projetadas por uma nova geração de artistas. Entre elas estão a Republic of Fritz Hansen, Fredericia, Carl Hansen & Søn e Normann Copenhagen, todas elas presentes no Salone Internazionale del Mobile, em Milão. Outros produtores importantes incluem a PP Møbler, a Kjærholm Production e a One Collection, anteriormente conhecida como Hansen & Sørensen.

No entanto, grande parte do mobiliário dinamarquês é agora produzido fora da Dinamarca. A produção foi terceirizada para países onde os custos são mais baixos, principalmente os países bálticos e o leste e sul da Europa. Um destes casos é a Republic of Fritz Hansen, cuja produção foi transferida para a Polónia. Nos últimos anos, foram surgindo novas empresas de design dinamarquesas com apelo nacional e internacional. Normann Copenhagen, HAY, Muuto e Kähler estão entre as estas empresas, que aprofundam e desenvolvem os princípios do design moderno dinamarquês.

O trabalho de design inovador é também incentivado pela Fundação Wilhelm Hansen com o Prémio Finn Juhl, concedido anualmente a designers, fabricantes ou escritores que tenham dado uma contribuição especial à área do design de mobiliário, especialmente cadeiras.

Principais colaboradores

Kaare Klint (1888—1954) Como resultado da escola de mobiliário que fundou na Academia Real em 1924, Klint teve um impacto no mobiliário dinamarquês, influenciando designers como Kjærholm e Mogensen. Os seus designs, cuidadosamente pesquisados, baseiam-se na funcionalidade, na procura de proporções adequadas ao corpo humano, no artesanato e no uso de materiais de alta qualidade. Exemplos notáveis do seu trabalho incluem o Banco Propeller (1927), a Cadeira Safari e a Cadeira Deck (ambas de 1933), bem como a Cadeira Church (1936).

Poul Henningsen (1894–1967)

Poul Henningsen, um arquiteto com uma forte crença no modo de pensar funcionalista, foi um participante importante na escola do modernismo dinamarquês, orientado para o design de iluminação. A sua tentativa de evitar o encandeamento das lâmpadas elétricas foi bem sucedida em 1926 com um sistema de três abajures que suavizam e difundem a luz em várias orientações, o que acabou por derivar na criação dos candeeiros PH. A curvatura dos abajures permitiu que o seu candeeiro suspenso iluminasse tanto a mesa quanto o resto da divisão. Continuou a sua contribuição com inúmeras variações baseadas no seu sistema, algumas com vidro fosco, incluindo candeeiros de mesa, lustres e candeeiros de parede. Apesar do seu falecimento em 1967, muitas das suas criações continuam populares nos dias de hoje.

Mogens Lassen (1901–1987)