miniaturadaimagem|Ibrantina Cardona, retrato de Laudelino Freire. Ibrantina Cardona (nascida Ibrantina Froidevaux de Oliveira; Nova Friburgo, 11 de outubro de 1868 – São José do Rio Pardo, 23 de dezembro de 1956) foi uma poetisa, musicista e jornalista brasileira. Atuou na imprensa catarinense no final do século XIX e destacou-se por uma produção literária voltada a temas como o mar, a natureza e o cotidiano.
Vida Ibrantina nasceu em Nova Friburgo, no estado do Rio de Janeiro, em 11 de outubro de 1868. Era filha de Tomás Antônio de Oliveira e Isabel Froidevaux de Oliveira, sendo a primogênita entre oito irmãos — sete deles mulheres. Sua irmã Ubaldina de Oliveira também se destacou como escritora, publicando contos e poesias.
Durante a infância, mudou-se com a família para o Rio Grande do Sul, residindo nas cidades de Pelotas e Jaguarão. A cultura sul-rio-grandense exerceu forte influência em sua formação, especialmente no apreço pelas tradições locais. Posteriormente, a família viveu longos anos em Desterro, atual Florianópolis, onde Ibrantina estudou no Colégio Richard.
Mais tarde, residiu também em Niterói, na Praia de Icaraí. Sua poesia revela forte ligação com o universo marítimo, possivelmente inspirada pelos anos vividos em Florianópolis e Niterói. Após esse período, a família transferiu-se para Jaboticabal, em São Paulo. Além de escritora, Ibrantina tocava piano e bandolim.
Em 23 de maio de 1891, casou-se com o escritor Francisco Cardona. O casal não teve filhos.
Aos 55 anos, retornou ao Rio de Janeiro. Foi aceita como membro correspondente da Academia Fluminense de Letras em 26 de março de 1924. Além dessa agremiação, Cardona também foi sócia do Centro de Ciências, Letras e Artes de Campinas, da Associação Paulista de Imprensa e da Academia Literária Feminina do Rio Grande do Sul. Também foi sócia honorária da Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo e da Academia Friburguense de Letras. Teve a intenção de ocupar uma cadeira na Academia Paulista de Letras, na vaga aberta após a morte de Presciliana Duarte, mas sua candidatura não foi aceita.
Morreu em São José do Rio Pardo, em 23 de dezembro de 1956, e foi sepultada no Cemitério Municipal de Mogi Mirim.
Carreira literária Ibrantina Cardona foi uma das vozes femininas que integraram a imprensa literária de Santa Catarina no final do século XIX. Entre 1888 e 1889, colaborou com assiduidade em jornais como A Palavra, Poliantéia e, principalmente, Crepúsculo, nos quais publicou poemas, textos em prosa e crônicas.
Cardona também publicou, junto com outras mulheres como Júlia César Cavalcanti, Cândida Fortes e Andradina de Oliveira, textos no Almanaque de Lembranças Luso-Brasileiro.
Seu primeiro livro, Plectros (1897), foi dedicado ao seu pai e contém poemas escritos na juventude. Foi prefaciado pelo escritor gaúcho Carlos Ferreira, que destacou o lirismo e a inspiração condoreira da autora. A obra é apontada pela crítica literária como seu livro mais marcado pelo subjetivismo e pelo lirismo amoroso.
Em Heptacórdio (1922), Cardona apresenta um conjunto de poesias de tendência parnasiana. No entanto, alguns poemas, como “A voz do rio”, possuem traços modernistas, com linguagem mais coloquial, temas ligados à infância e ao cotidiano, e pouca preocupação com a métrica e a rima.
Em 1939, publicou Asas rubras, um livro de caráter pacifista e crítico à guerra, lançado poucos meses antes do início da Segunda Guerra Mundial.
Em 28 de março de 1924, Cordona proferiu a conferência “Da arte e da educação cívica patriótica da mulher brasileira” na Academia Fluminense de Letras.
Recepção Em 1898, Raul de Azevedo publicou uma resenha elogiosa de Plectros no periódico A Província do Pará, destacando que a publicação de um livro por uma mulher era, então, um feito incomum no Brasil. Azevedo ressaltou especialmente o soneto “Indiscreto”, considerado um dos pontos altos da obra.
Sua poesia também recebeu reconhecimento de figuras como Menotti Del Picchia, Luís da Câmara Cascudo, Zeferino Brasil, Alberto de Oliveira e Presciliana Duarte de Almeida. Era frequentemente associada à poetisa Francisca Júlia.
Obras
Plectros (1897) Heptacordio (1922) Kleopátra (1923) Primavera de amor (1935) Asas rubras (1939) Cosmos (1951)
Ligação externa
Plectros de Ibrantina Cardona (1897)
Categoria:Escritoras do Brasil