thumb|direita|Torre de bebês em Fuzhou, província de Fujian

Uma torre de bebês (baby tower), também conhecida como torre de bebês abandonados (abandoned infant tower) ou torre de meninas (baby girl tower), é uma estrutura arquitetônica encontrada em vários locais na China antiga.https://hpcbristol.net/visual/bo01-096 Em geral, tinha a forma de uma pequena torre de pedra ou tijolo com uma abertura no topo. Bebês mortos, com deficiência, do sexo feminino ou indesejados podiam ser jogados dentro e ali abandonados. A torre de bebês é descrita como uma doação de pessoas ricas do campo, como alternativa considerada mais humana do que afogar bebês em rios, prática comum na época. O estilo arquitetônico de pagode teria a intenção de subjugar o espírito das crianças, impedindo-as de reencarnar.

A seleção de sexo de crianças na China tem sido um problema há muito tempo, devido à indesejabilidade das filhas na sociedade patriarcal chinesa e à percepção de que filhos homens são mais valiosos para o trabalho, especialmente entre camponeses.

Torres de bebês e W. Somerset Maugham Em seu livro de viagens de 1922, On a Chinese Screen, W. Somerset Maugham descreve ter encontrado uma torre de bebês durante suas viagens pela China, no capítulo 42: ...Um caminho batido levava a uma pequena torre, e eu o segui. Era uma torre baixa, talvez de uns três metros de altura, feita de blocos de pedra toscamente talhados; tinha forma cônica e o telhado parecia o chapéu de um Pierrot. Ficava sobre um pequeno outeiro, curiosa e um tanto pitoresca contra o céu azul, em meio aos túmulos. A seus pés havia vários cestos grosseiros espalhados em desordem. Dei a volta e, de um lado, vi um buraco oblongo, talvez de quarenta e cinco por vinte centímetros, do qual pendia um cordão grosso. Do buraco vinha um odor muito estranho, nauseante. De repente compreendi o que era aquele prédio esquisito. Era uma torre de bebês.

Em O Véu Pintado (edição de 2007; publicado originalmente em 1925), W. Somerset Maugham faz referência à prática do abandono de bebês na China por meio de um relato ficcional envolvendo um convento. No capítulo 51, ele escreve: "No momento em que elas [as freiras] chegaram, começaram a salvar as pobres menininhas indesejadas da torre de bebês e das mãos cruéis da parteira". Essa representação reflete as percepções ocidentais do início do século XX sobre torres de bebês e infanticídio feminino na China, frequentemente enquadradas em uma perspectiva humanitária ou missionária.

Torres de bebês e missionários No artigo "Mission Dilemmas: Bride Price, Minor Marriage, Concubinage, Infanticide, and Education of Women" (2002), Jessie G. Lutz fornece um contexto de fundo para compreender a perspectiva missionária ocidental sobre práticas sociais na China, incluindo o infanticídio. Embora o texto não explore as torres de bebês em profundidade, ele oferece pistas sobre por que os missionários documentaram extensamente tais práticas. Também inclui informações detalhadas sobre o papel dos orfanatos católicos na China, esclarecendo as respostas missionárias ao abandono de crianças e aos cuidados com elas.

Em A Yankee on the Yangtze (1904), William Edgar Geil — um importante missionário e aventureiro norte-americano — menciona torres de bebês em diversas passagens. Sua narrativa de viagem reflete tanto sua perspectiva evangélica quanto o imaginário ocidental mais amplo sobre a China no fim do século XIX e início do século XX. As descrições de Geil sobre torres de bebês, que aparecem pelo menos cinco vezes ao longo do texto, podem ser comparadas a outros relatos missionários para ilustrar como observadores ocidentais enquadravam práticas como o abandono de bebês e o infanticídio. Esses escritos frequentemente combinavam preocupação moral com interpretações orientalistas, contribuindo para a imagem duradoura da China como uma terra que necessitaria de reforma cristã e intervenção ocidental.

Em seu artigo "Rethinking Western Representation of the Orient: China in Ana d'Almeida's Diary" (2015), Eliza S. K. Leong apresenta uma análise crítica das representações ocidentais do século XIX sobre torres de bebês a partir da perspectiva de uma viajante. Ela argumenta que tais representações reforçaram narrativas orientalistas que retratavam a China como "bárbara" e necessitada de reforma moral e cultural. Leong também destaca como esses relatos evocavam ideais de maternidade e responsabilidade filantrópica de mulheres brancas, ligando o discurso sobre torres de bebês a temas mais amplos de gênero e domesticidade na literatura missionária e de viagem ocidental.

Torres de bebês e a questão do infanticídio Em Between Birth and Death: Female Infanticide in Nineteenth-Century China (2014), a historiadora Michelle Tien King examina uma ampla gama de registros escritos de autores locais, correspondentes estrangeiros e missionários sobre a prática do infanticídio feminino e o uso das chamadas "torres de bebês". King não encontra evidências nessas fontes que sustentem a alegação de que bebês eram abandonados vivos nessas estruturas. Citando John Scarth, ela sugere que as torres de bebês tinham finalidade funerária. King também argumenta que as percepções ocidentais sobre torres de bebês foram moldadas por narrativas orientalistas, posteriormente perpetuadas em guias turísticos do fim do século XIX e início do século XX.

Em Drowning Girls in China: Female Infanticide since 1650 (2008), D. E. Mungello discute a prática da exposição de bebês em relação às torres de bebês budistas. Ele observa que, embora o infanticídio em ambientes privados fosse mais comum, houve casos de abandono de bebês em espaços públicos, incluindo as torres de bebês. Contudo, Mungello permanece incerto se os bebês deixados nessas torres eram destinados à adoção ou ao enterro, e a distribuição de gênero desses bebês também permanece pouco clara.

Em seu projeto de 2019, "Cradle to Grave: Baby Towers and the Politics of Infant Burial in Qing China", Jeffrey Snyder-Reinke questiona a noção de que as torres de bebês seriam evidência de práticas "bárbaras". Com base em pesquisa histórica, ele argumenta que as torres de bebês foram provavelmente uma resposta relativamente recente e regionalmente específica ao problema do enterro de bebês, particularmente na área de Xangai. Ele sustenta essa hipótese com dois pontos principais: primeiro, de que os textos clássicos chineses oferecem pouca orientação sobre o enterro adequado de bebês; e segundo, de que, a partir do século XVIII, funcionários da dinastia Qing em diversas províncias se opuseram ativamente à exposição pública de corpos de bebês.

Em The Evolution of Women’s Legal Status in Republican China and the Modern Chinese Literature Writing (2021), Zhang Min analisa os esforços históricos e legais para combater o infanticídio feminino do final da dinastia Qing até o período republicano. A autora apresenta relatos detalhados de proibições legais contra o infanticídio — particularmente o infanticídio feminino — promulgadas entre o final do século XIX e 1929. Essas medidas legais refletem tentativas de governos locais e nacionais de conter a prática, que persistia em algumas regiões mesmo após a queda da dinastia Qing em 1912. Embora as torres de bebês não sejam o foco central do livro, Zhang cita o relato de um missionário ocidental de 1872 que descreve o uso dessas torres como evidência da prevalência do infanticídio feminino à época. O contexto jurídico apresentado na obra oferece ao leitor uma compreensão mais ampla de como as autoridades chinesas buscaram enfrentar o infanticídio por meio de regulamentação formal, destacando a tensão entre práticas culturais e reformas legais.

Ver também Infanticídio feminino na China

Obras citadas

Categoria:Criminalidade na China Categoria:Superstições