Plebeia emerina (Friese, 1900), popularmente conhecida como mirim-emerina ou tujuvinha-mirim, é uma espécie de abelha sem ferrão social pertencente à tribo Meliponini, nativa do sul do Brasil. Pertence ao gênero Plebeia, com operárias medindo cerca de 5 a 7 mm de comprimento, de coloração predominantemente preta brilhante, com algumas marcações amarelas na cabeça e no tórax.Agarwal, Robin (3 de junho de 2021). "New Colony of Rare Bees Found By a Four-Year-Old". Bay Nature.

Caracteriza-se por ser uma espécie relativamente rústica, tolerante a temperaturas mais baixas em comparação a outras meliponíneas tropicais, o que facilita sua criação em regiões subtropicais.

Taxonomia A espécie foi descrita originalmente como Trigona emerina por Heinrich Friese em 1900 e posteriormente transferida para o gênero Plebeia Schwarz, 1938. Pertence ao subgênero Plebeia (s.s.). O gênero Plebeia é considerado um dos mais primitivos entre as abelhas sem ferrão.

Distribuição Sua distribuição natural ocorre principalmente na região sul do Brasil, abrangendo o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e partes do Paraná, com registros ao longo da costa até o Rio de Janeiro. O gênero Plebeia como um todo estende-se desde o México até a Argentina.

Notavelmente, Plebeia emerina é uma das poucas espécies de abelhas sem ferrão que conseguiu se estabelecer de forma feral fora de sua área de distribuição nativa. Em 1948 e 1950, o entomologista brasileiro Paulo Nogueira Neto enviou dezenas de colônias de meliponíneos, incluindo P. emerina, para os Estados Unidos como parte de experimentos para avaliar seu potencial como polinizadoras agrícolas e estudar a criação em ambientes não nativos.Nogueira-Neto, P. (2002). Inbreeding and building up small populations of stingless bees. A maioria das colônias enviadas para locais como Baton Rouge, Tucson, Davis, Logan e Beltsville morreu em menos de um ano devido ao estresse ecológico. No entanto, colônias em Palo Alto, na Califórnia, sobreviveram por cerca de oito anos no quintal do professor George Schafer, da Universidade de Stanford.

Após décadas sem registros, colônias ferais de Plebeia emerina foram redescobertas em Palo Alto a partir de 2013, com novas achados em 2018 e 2021 (incluindo duas colônias encontradas por uma criança de quatro anos, Annika Arnout). A população persiste há mais de 75 anos na região da San Francisco Bay Area, limitada principalmente a áreas arborizadas, sombreadas e irrigadas de Palo Alto. Essa adaptação bem-sucedida torna P. emerina uma das raras abelhas sem ferrão neotropicais estabelecidas nos Estados Unidos, destacando sua rusticidade e capacidade de explorar nichos urbanos/suburbanos com diversidade floral e condições microclimáticas favoráveis (sombra, umidade e temperaturas amenas). A espécie não é considerada invasora, pois não causa impactos negativos significativos na fauna local.Artigo em Palo Alto Online (2024). "Beekeeper sets out to make Palo Alto home to stingless bees".

Descrição As operárias são pequenas, pretas e brilhantes, frequentemente confundidas com moscas ou pequenos himenópteros.Santos, C. G. (2007). Aspectos comportamentais e morfológicos de Plebeia emerina (Friese, 1900). Dissertação (Mestrado) - PUCRS. As colônias constroem ninhos em cavidades preexistentes em troncos de árvores, com favos de cria horizontais sobrepostos. A entrada do ninho é frequentemente protegida por tubos ou reforços de cera e resina (própolis), que podem formar estruturas camufladas.

Uma característica marcante é a coleta intensa de resinas vegetais, resultando em acúmulos isolados de própolis dentro da colônia. As glândulas salivares e intramandibulares são adaptadas para lidar com a manipulação dessa resina viscosa.Santos, C. G. et al. (2009). "Morphology of the Head Salivary and Intramandibular Glands of the Stingless Bee Plebeia Emerina". Annals of the Entomological Society of America.

Biologia e Comportamento Plebeia emerina é uma espécie eussocial com divisão de trabalho baseada em polietismo etário (idade). As operárias jovens atuam dentro do ninho, enquanto as mais velhas realizam forrageamento, coleta de pólen, néctar e própolis.

É uma polinizadora generalista, visitando uma ampla variedade de flores. No sul do Brasil, é considerada polinizadora eficiente de macieiras.Laroca, S. et al. (1982). Melissocenótica em área de cultivo de macieira (Pyrus malus L.) em Lages (Santa Catarina, sul do Brasil), com notas comparativas e experimento de polinização com Plebeia emerina. Acta Biológica Paranaense. Nos EUA, forrageia o ano todo em Palo Alto devido à diversidade de plantas ornamentais e nativas (como California poppy, milkweed e diversas exóticas).

As colônias são relativamente pequenas e dóceis. Por não possuírem ferrão funcional (característica comum às Meliponini), defendem-se mordendo ou zumbindo ao redor de intrusos, além de utilizarem pequenas bolas de própolis pegajoso. Produzem pequenas quantidades de mel, que possui sabor amadeirado e ligeiramente ácido. A ausência de grande produção de mel está relacionada à menor pressão de predadores em seu ambiente evolutivo.

A espécie apresenta diapausa reprodutiva em períodos de frio e é considerada rústica, tolerando mínimas de cerca de 16 °C para forragear ativamente.Artigo em Sociobiology (2020). Plebeia emerina and Plebeia saiqui. Minimum temperatures for foraging in P. emerina is 16 °C.

Conservação e Meliponicultura No Brasil, Plebeia emerina é criada em meliponários por sua rusticidade e facilidade de manejo, sendo uma das espécies do gênero Plebeia presentes no Rio Grande do Sul.Guia de reconhecimento de abelhas sem ferrão do Rio Grande do Sul.Manual para Boas Práticas para o Manejo e Conservação de Abelhas Nativas (Meliponíneos) - SEMA-RS. No contexto californiano, esforços de conservação liderados por apicultores como Jean-Philippe Marelli visam proteger as colônias ferais existentes, instalando caixas-isca e habitats artificiais em parques e jardins de Palo Alto.

A população de Palo Alto representa um caso raro de estabelecimento de longa duração de uma meliponínea neotropical em clima temperado úmido, servindo como modelo para estudos de adaptação e potencial polinizador em ambientes alterados pelo homem.

Categoria:Plebeia Categoria:Himenópteros descritos em 1900 Categoria:Abelhas do Brasil