A Igreja de S. Pedro da Vera Cruz é um dos mais importantes monumentos do concelho de Portel. Conhecida como Igreja da Vera Cruz de Marmelar por albergar uma das mais importantes Relíquias da Cruz de Cristo da Idade Média, integrou o antigo mosteiro da Ordem de Malta e foi fundada no final do século XIII por Afonso Pires Farinha, participante na Sétima Cruzada a Jerusalém, de onde trouxe a relíquia do Santo Lenho, ainda hoje ali guardada.
História
A fundação da Igreja e do convento No período visigótico ter-se-á construido uma pequena ermida, subsistindo, ainda hoje, estruturas arquitectónicas atribuíveis aos períodos visigótico e moçarabe que assim o atestamALMEIDA, Fernando de, Pedras visigodas de Marmelar, Lisboa 1954. Durante o período do ocupação árabe continuou a existir culto, estando aqui estabelecida uma pequena comunidade moçarabe Fernando e António Almeida, Portel: roteiro do concelho, págs. 140-141, Câmara Municipal de Portel, Portel 2008.
No ano de 1258, o concelho de Évora doa a D. João Peres de Aboim uma herdade, tendo o Rei D. Afonso III, seu companheiro de armas, dado permissão de construir um castelo e fortaleza nesta herdade que seria Portel Fonseca, Luís Adão da; Pinto Costa, Paula; Lencart, Joana (2013). A Comenda de Vera Cruz de Marmelar. Corpus Documental, pág. 21-24. Em janeiro de 1262, o Bispo de Évora D. Martinho e o cabido, definem a jurisdição das igrejas nas terras de João Peres de Aboim.
Em 1258, a par do processo de formação de Portel, D. João Peres de Aboim doava o antigo Mosteiro de Marmelar, com todas as suas pertenças, à Ordem de S. João de Jerusalém ou do Hospital, na figura do prior Frei Afonso Pires Farinha, para a fundação de um novo mosteiro.
Neste mesmo ano inicia-se a construção da Igreja recorrendo ao reaproveitamento de estruturas anteriores, visíveis sobretudo nas capelas laterais da cabeceira. A partir desse núcleo primitivo desenvolveu-se o corpo da nave.
O Senhor de Portel, D. João Peres de Aboim, pretendia que se fundasse um mosteiro para garantir que se estabelecesse a Ordem de São João de Jerusalém ou do Hospital, futura Ordem de Malta.
Reliquia do Santo Lenho A tradição afirma que esteve presente na Batalha do Salado, em 1340, sendo associada à vitória dos cristãos. O Rei D. Afonso IV e D. Álvaro Gonçalves Pereira, Prior do Hospital e pai de D. Nuno Álvares Pereira, terá levado a relíquia à batalha. Desde então, os hospitalários guardaram-na na igreja de São Pedro de Marmelar, que passou a ser designada Vera Cruz, por se acreditar tratar-se de um fragmento da verdadeira Cruz de Cristo. Desde aí que a freguesia passou a ser conhecido, também, por Vera Cruz de Marmelar.
Na atualidade O conjunto arquitectónico hoje existente é composto pela igreja, dedicada a São Pedro, e pelo antigo paço dos comendadores, edifício contíguo que se encontra em avançado estado de ruína, estando totalmente ao abandono.
No início do século XVI, a igreja foi alvo de uma importante campanha de obras de carácter manuelino, provavelmente promovida pelo comendador Frei André do Amaral. Esta intervenção incluiu a construção de um corpo anexo à cabeceira, a nascente, criando uma ligação directa ao paço dos comendadores, bem como a elevação dos alçados da nave e da cabeceira. O coroamento em merlões e a abertura de frestas longas conferiram ao edifício um aspecto robusto e fortificado, reforçado pela construção das torres sineiras na fachada.
Entre 1545 e 1565, sob a responsabilidade do comendador Cristóvão da Cunha, realizou-se nova campanha de obras que definiu a imagem actual da igreja. A nave foi coberta por uma abóbada de berço, obrigando ao reforço estrutural com arcadas interiores e contrafortes exteriores. Foram ainda construídos o baptistério, uma tribuna destinada aos comendadores e reformulada a fachada, com a criação do coro-alto e de um portal maneirista.
No século XVII construiu-se o pódio do presbitério e, em 1732, foi edificado o actual altar-mor, o que levou à instalação da sacristia no espaço da antiga capela-mor. Na capela norte da cabeceira conserva-se a Relíquia do Santo Lenho, guardada numa estauroteca encastoada numa parede de origem visigótica, posteriormente protegida por uma grade em ferro forjado.
Bibliografia
Fernando e António Almeida, Portel: roteiro do concelho, Edição Câmara Municipal de Portel, Portel 2008 Arte Sacra no Concelho de Portel, Edição Fundação Eugénio de Almeida, Évora 2006 PAGARÁ, Ana; SILVA, Nuno Vassallo e; SERRÃO, Vítor , Igreja Vera Cruz de Marmelar, Câmara Municipal de Portel, Portel 2008 ESPANCA, Túlio, "A comenda de Vera Cruz de Marmelar", A Cidade de Évora, nº57, ESPANCA, Túlio, Inventário Artístico de Portugal - vol. IX (Distrito de Évora, Zona Sul, tomo I), Lisboa 1978 ALMEIDA, Fernando de, Pedras visigodas de Marmelar, Lisboa 1954 Mendeiros, José Filipe, O Santo Lenho da Sé de Évora, Gráfica Eborense, 1968 Fonseca, Luís Adão da; Pinto Costa, Paula; Lencart, Joana (2013). A Comenda de Vera Cruz de Marmelar. Corpus Documental (1258-1640) . Col: Militarium Ordinum Analecta. Fontes para o estudo das Ordens Religioso-Militares. 16. Porto: CEPESE, com patrocínio da Fundação para a Ciência e Tecnología. ISBN 978-989-8434-23-4 https://imovel.patrimoniocultural.gov.pt/detalhes.php?code=72307
http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1169
Referências
Categoria:Património edificado em Portel Categoria:Igrejas no distrito de Évora