Lígia Patrícia Fonseca Coelho é uma astrobióloga portuguesa cuja investigação se centra na procura de vida fora da Terra, combinando microbiologia, bioengenharia e ciências planetárias.

Biografia O seu percurso teve início na microbiologia aplicada ao setor biomédico, em terapias contra o cancro, tendo criado um kit de diagnóstico de infeções urinárias pensado para missões com equipas reduzidas. Conclui o mestrado no Instituto Superior Técnico (IST), em Lisboa. Fez a transição para a astrobiologia através da oportunidade de um doutoramento no programa MIT Portugal.

Em 2019, foi coautora do projeto vencedor de carga útil em biologia espacial que voou a bordo do New Shepard (Blue Origin) para estudar o efeito da microgravidade na fotossíntese.

Em 2022, foi a única portuguesa a receber a bolsa Fulbright Schuman para pessoas na academia, no Departamento de Astronomia da Universidade Cornell, que pertence à College of Arts and Sciences. Coordenou o projeto AstroCup, que testa copos menstruais em condições de voo espacial para avaliar se poderá ser uma solução sustentável e funcional em missões futuras à Lua e a Marte. O dispositivo foi lançado no final desse ano, no dia 28 de novembro de 2022, a bordo do foguete Baltasar.

Em 2023, recebeu a bolsa Lewis and Clark Field em Astrobiologia, para trabalho de campo no projeto COOLER – Color Catalog of Extremophile Communities in Ice, um “guia de cores” para a vida, catalogando os pigmentos e assinaturas de luz de micróbios polares em gelo, para ajudar astrónomos a reconhecer possíveis bioassinaturas em exoplanetas gelados e secos.

Em 2024, recebeu a bolsa 51 Pegasi b Fellowship para pesquisa em astronomia na Universidade Cornell. Nesse mesmo ano, liderou uma investigação que desafiou o estereótipo do "extraterrestre verde", propondo que microrganismos roxos podem ser a nova pista na busca pela vida fora da Terra, enriquecendo o catálogo de bioassinaturas e ajudando a adaptar o design de telescópios para detetar sinais de vida em exoplanetas e luas geladas.

Atualmente, Lígia Coelho trabalha no Instituto Carl Sagan, onde estuda biossinais microbianos para apoiar a procura de vida noutros planetas. A cientista desenvolveu um “guia” ou enquadramento teórico‑experimental para procurar sinais de vida nas nuvens de exoplanetas, isto é, em atmosferas onde microrganismos poderiam sobreviver em suspensão.

Reconhecimento

Bolsa Fulbright Schuman (2022) Bolsa Lewis and Clark Field em Astrobiologia (2023) Bolsa 51 Pegasi b (2024)

Referências

Categoria:Astrónomos de Portugal Categoria:Astrobiólogos Categoria:Biólogos de Portugal Categoria:Alunos do Instituto Superior Técnico Categoria:Alunos da Universidade Cornell