O bodião-estilingue ou gurami em Moçambique (Epibulus insidiator), é uma espécie de peixe da família Labridae, nativa das águas tropicais do Indo-Pacífico, onde ocorre em recifes de coral. Tem pouca importância para a pesca comercial local e pode ser encontrada no comércio de aquários. Destaca-se por suas mandíbulas altamente protráteis.
Taxonomia O bodião-estilingue foi formalmente descrito como Sparus insidiator em 1770 por Peter Simon Pallas. Em 1815, Georges Cuvier atribuiu Sparus insidiator ao gênero Epibulus, que à época era monotípico. Em 2008, o gênero passou a incluir também o bodião-boca-de-garoupa (Epibulus brevis). O bodião-estilingue é, portanto, a espécie-tipo do gênero Epibulus.
Etimologia O nome Epibulus vem do grego, sendo formado por epi ("sobre", "em frente") e boleo ("lançar").
O epíteto específico insidiator significa "emboscador" ou "espreitador". Acredita-se que esse nome tenha sido adotado pelos primeiros naturalistas devido à crença de que a espécie se alimentava de insetos terrestres, expelindo gotas de água por sua boca alongada.
Descrição esquerda|miniaturadaimagem|Macho alongando a mandíbula A característica mais notável do bodião-estilingue é a sua boca, equipada com mandíbulas altamente protráteis, que se desdobram formando um tubo com cerca de metade do comprimento da cabeça (ver abaixo).
Os machos desta espécie apresentam coloração castanho-acinzentada, com laranja no dorso, uma faixa transversal amarelada no flanco e cabeça cinza-clara marcada por uma fina faixa preta que atravessa o olho. Além disso, exibem um padrão corporal iridescente, com escamas cujas bordas possuem pigmentação mais escura. As fêmeas podem ser amarelo-vivo ou castanho-escuro, enquanto os juvenis são castanhos, com finas faixas brancas nos flancos e linhas brancas irradiando a partir dos olhos. Também ocorrem indivíduos com padrões intermediários, caracterizados por manchas amarelas, cauda clara e, ocasionalmente, nadadeiras peitorais pretas. A nadadeira dorsal apresenta de 9 a 10 espinhos e de 9 a 11 raios moles, enquanto a nadadeira anal possui 3 espinhos e de 8 a 9 raios moles. Os maiores exemplares podem atingir até 54 centímetros de comprimento padrão.
O bodião-boca-de-garoupa, espécie semelhante, possui distribuição mais restrita e menor tamanho, com machos de coloração mais opaca; nas fêmeas, as nadadeiras peitorais apresentam pigmentação preta e são proporcionalmente mais longas.
Protusão mandibular extrema Esta espécie apresenta a maior protrusão mandibular conhecida entre os peixes, sendo capaz de estender as mandíbulas até cerca de 65% do comprimento da cabeça. A velocidade e o alcance desse movimento permitem a captura eficiente de pequenos peixes e crustáceos. O gênero ao qual pertence possui um ligamento exclusivo (vômero-interopercular) e dois ligamentos alargados (interopérculo-mandibular e pré-maxila-maxila) que, em conjunto com modificações na forma dos ossos cranianos, possibilitam essa protrusão extrema. Essa capacidade resulta de uma reorganização drástica do sistema de articulação das mandíbulas em relação aos bodiões do gênero Cheilinus, passando a envolver tanto um mecanismo de quatro barras quanto um de seis barras.
Distribuição esquerda|miniaturadaimagem|Fêmea sendo limpada por outro bodião-limpador em Atol Palmyra O bodião-estilingue ocorre em uma vasta área da região Indo-Pacífica, desde a costa leste da África, Madagascar e o Mar Vermelho, passando pelas costas e ilhas do Oceano Índico, até o Pacífico, a leste, alcançando o Atol Johnston, próximo ao Havaí, embora indivíduos vagantes sejam registrados no arquipélago havaiano principal. Sua distribuição estende-se ao norte até o Japão e ao sul até a Nova Caledônia. A espécie também é encontrada ao longo da costa norte da Austrália, desde o arquipélago de Houtman Abrolhos até os recifes do Mar de Coral, ao largo de Queensland.
Biologia O bodião-estilingue é uma espécie bentopelágica que ocorre em áreas ricas em corais de lagoas e recifes oceânicos. Os adultos são geralmente encontrados ao longo das encostas dos recifes ou próximos a declives. Alimentam-se de pequenos crustáceos associados aos corais e de peixes.
Reprodução Acredita-se que a espécie seja hermafrodita protogínica. Observou-se que a coloração dos machos se intensifica durante o cortejo. Durante esse período, os machos nadam com a nadadeira caudal retraída e erguida em determinado ângulo, enquanto a nadadeira anal permanece dobrada e estendida para baixo. A intensidade da coloração pode retornar ao normal quando o macho se sente ameaçado. Os machos mantêm territórios com áreas entre 500 e 1.000 metros quadrados, dentro dos quais parecem se localizar os territórios de várias fêmeas. A desova ocorre durante a maré alta; nesse momento, o casal ascende de 2 a 3 metros na coluna d'água. A desova parece ser iniciada pelas fêmeas e foi registrada nos meses de março, abril, maio, julho, setembro e outubro.
Mimetismo agressivo A espécie também muda de coloração como forma de mimetismo agressivo. No Mar Vermelho, o cirurgião-veleiro-indiano (Zebrasoma desjardinii) por vezes forma agregações alimentares para invadir áreas de alimentação de peixes herbívoros territoriais. Nessas situações, observa-se que o bodião-estilingue adota uma coloração marrom-escura, imitando os peixes-cirurgiões, e se junta à agregação, ocultando-se entre eles enquanto caça pequenos peixes por meio de movimentos semelhantes aos dos peixes-cirurgiões herbívoros.
Usos humanos O bodião-estilingue é coletado para alimentação em diversas partes de sua área de distribuição e também para o comércio de aquários. Em Guam, ao longo das duas décadas anteriores a 2008, o tamanho médio dos peixes capturados não apresentou redução.
Ligações externas Vídeo de um bodião-estilingue capturando uma presa ao projetar sua mandíbula. http://www.marinespecies.org/aphia.php?p=taxdetails&id=218972 Fotos do bodião-estilingue em Sealife Collection
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