miniaturadaimagem|300x300px|Palco do evento O Réveillon da Avenida Paulista, em São Paulo, é um dos maiores eventos de celebração de Ano Novo do Brasil, reunindo milhões de pessoas e movimentando a economia local, ao lado do Réveillon de Copacabana, no Rio de Janeiro, a maior do planeta. Sua trajetória reflete a evolução cultural, social e econômica da cidade, marcada por uma organização complexa, protocolos de segurança avançados e um impacto significativo no turismo e nos negócios paulistanos. Realizado tradicionalmente na noite de 31 de dezembro, o evento é gratuito e aberto ao público, ocupando uma das avenidas mais emblemáticas de São Paulo. A festa é marcada por apresentações musicais, queima de fogos, diversidade cultural e grande impacto econômico e social para a cidade.

História Até meados da década de 1990, a virada do ano na capital paulista era marcada principalmente por celebrações privadas em clubes, hotéis, restaurantes e residências, além de festas religiosas e familiares. Os grandes eventos públicos de Réveillon, com shows gratuitos, queima de fogos e multidões nas ruas, eram uma tradição consolidada principalmente no Rio de Janeiro, especialmente em Copacabana, e só passaram a ocorrer em São Paulo a partir da criação do Réveillon da Paulista em 1996. esquerda|miniaturadaimagem|Estação Trianon - MASP A tradição de festas privadas de Ano Novo em hotéis e clubes é antiga na cidade, com registros desde o início do século XX, mas não havia uma celebração pública de massa, gratuita e ao ar livre, promovida pelo poder público ou com grande repercussão midiática. O Réveillon da Paulista foi pioneiro nesse formato em São Paulo, inspirando-se no modelo carioca e tornando-se, desde então, um dos maiores eventos do gênero no país.

A celebração do Réveillon na Avenida Paulista é um fenômeno relativamente recente, mas que rapidamente se consolidou como um dos principais marcos culturais da cidade de São Paulo. Embora a tradição de festejar a virada do ano tenha raízes profundas na cultura brasileira, com influências religiosas e populares, foi apenas no final do século XX que a Avenida Paulista passou a ser o epicentro de uma grande festa pública de Ano Novo. A iniciativa partiu da Prefeitura de São Paulo, que buscava democratizar o acesso à celebração, antes restrita a ambientes privados, e promover a cidade como destino turístico e cultural de destaque.

A Avenida Paulista, inaugurada em 1891, já era símbolo do desenvolvimento urbano e econômico paulistano, mas foi a partir dos anos 1990 que se transformou em palco de grandes festas populares, acompanhando a tendência global de ocupar espaços urbanos centrais para celebrações coletivas. As festas de rua são parte fundamental da cultura brasileira, expressando coletividade e integração social. O Réveillon, assim como o Carnaval e a Parada do Orgulho LGBT, exemplifica a vocação das cidades brasileiras para grandes celebrações públicas. O evento cresceu rapidamente em estrutura e público, tornando-se, nos anos 2000, uma das maiores festas de rua do país, com shows gratuitos de artistas populares, queima de fogos e uma operação logística de grande porte.

Inspirado pelo sucesso do Réveillon de Copacabana, o evento paulistano foi idealizado em 1996 pelo empresário Fernando Elimelek, com apoio da prefeitura e da iniciativa privada. A primeira edição contou com show de Lulu Santos e reuniu cerca de 200 mil pessoas. Após o evento inaugural, o Réveillon da Paulista rapidamente se consolidou como tradição paulistana. Em 1997, a festa ganhou cenografia temática, como a réplica da Torre Eiffel, e em 1999 foi transmitida ao vivo pela televisão. Em 2002, a programação incluiu a transmissão da posse presidencial em telões. O público cresceu rapidamente: de 1 milhão em 2003 para 2,1 milhões em 2005. miniaturadaimagem|Decorações da avenida A partir da década de 2010, a festa consolidou-se como referência nacional, atraindo mais de dois milhões de pessoas em algumas edições e movimentando setores como hotelaria, gastronomia, transporte público e comércio. Passou a investir em diversidade musical, com artistas de diferentes gêneros, e em infraestrutura, como metrô 24 horas e reforço de segurança. Em 2016, a festa entrou para o Guinness Book pelo maior número de pessoas pulando em um pé só simultaneamente. Já no ano de 2017, por exemplo, o evento atraiu 1,7 milhão de pessoas e gerou uma movimentação de R$ 410 milhões na economia local. A diversidade cultural do evento é evidenciada pela curadoria artística, que privilegia gêneros como sertanejo, forró e música popular brasileira, buscando atender a diferentes públicos.

Em 2020 e 2021, o evento presencial foi cancelado devido à pandemia, sendo substituído por transmissões online. O retorno presencial ocorreu em 2022, com protocolos sanitários e público reduzido para 1,5 milhão.

Em 2023 e 2024, o evento manteve público em torno de 2 milhões, com atrações como Chitãozinho & Xororó, Claudia Leitte e Zezé Di Camargo. Em 2025/2026, a festa atingiu recorde de público (2,1 milhões), 14 horas de shows e impacto econômico de R$ 1,38 bilhão.

Nos últimos anos, o evento incorporou preocupações sociais e ambientais, como a adoção de fogos de artifício silenciosos para respeitar pessoas sensíveis ao barulho, idosos, autistas e animais, além de ampliar a acessibilidade com espaços exclusivos para pessoas com deficiência e campanhas de proteção a grupos vulneráveis. AnoArtistas/Performers PrincipaisPúblico EstimadoDestaques/Observações1996/97Arlindo Jr., Lulu Santos, Carnasampa200 milPrimeira edição; início da tradição na Paulista1997/98Só pra Contrariar, Katinguelê, Araketu400 milRéplica da Torre Eiffel montada na avenida1998/99Daniela Mercury, Banda Mel750 mil+Forte presença de axé; crescimento expressivo de público1999/00Ivete Sangalo, Engenheiros do Havaí, Art Popular1 milhãoDiversidade de estilos; Ivete Sangalo em ascensão nacional2000/01É o Tchan!, Os Travessos, Maurício Manieri1,1 milhãoEvento custou R$ 2,5 milhões; auge da popularidade2001/02——Evento cancelado por falta de patrocínio2002/03Banda Eva, Maurício Manieri, Os Travessos, KLB, Negritude Jr., CPM 22, DJ Marky1,2 milhãoRetorno após cancelamento; mistura de axé, pop e rock2003/04Falamansa, Negritude Jr., Maurício Manieri, KLB, CPM 22, DJ Marky1,5 milhãoDestaque para forró e pagode; reforço na segurança2004/05Zezé Di Camargo & Luciano, Falamansa, Negritude Jr., Maurício Manieri, CPM 22, KLB1,5 milhãoShows de sertanejo, forró e pop; evento consolidado2005/06Zezé Di Camargo & Luciano, Falamansa, Negritude Jr., Maurício Manieri, CPM 22, KLB2,2 milhões (previstos)Expectativa de recorde de público; estrutura ampliada2006/07Rita Lee, Banda Calypso, Antônia (Negra Li, Leilah Moreno, Quelynah e Cindy Mendes), Netinho, KLB. 2,1 milhõesPalco de 800 m², 15 minutos de de show pirotécnico. Com patrocínio das Casas Bahia, o copatrocínio da Coca-Cola e da cerveja Sol, e o apoio da Sabesp.2007/08Daniela Mercury, Skank, KLB, Edson & Hudson, Maurício Manieri, DJ Marky2 milhõesHomenagem aos 453 anos de SP, 15 min de fogos, reforço de segurança2008/09Capital Inicial, KLB, Dudu Nobre, Banda Calypso, Edson & Hudson, DJ Marky2 milhõesHomenagem a Adoniran Barbosa, shows variados, 15 min de fogos2009/10Zeca Pagodinho, KLB, Dudu Nobre, Banda Calypso, Edson & Hudson, DJ Marky2 milhõesSamba e pop, 15 min de fogos 2010/11Zezé Di Camargo & Luciano, Capital Inicial, Fábio Jr., Fiuk, Banda Hori, Barra da Saia2 milhõesTema: “São Paulo, a nossa obra de arte”, palco de 800 m², 15 min de fogos, 5 milhões de confetes2011/12Fábio Jr., Fiuk, Banda Hori, Zezé Di Camargo & Luciano, Barra da Saia, Capital Inicial2 milhões150 mil turistas, R$ 130 milhões movimentados, 15 min de fogos, 1,2 milhão de watts de luz2012/13Titãs, Daniela Mercury, KLB, Edson & Hudson, Banda Calypso, DJ Marky2 milhõesEstrutura reforçada, shows de pop/rock e axé, 15 min de fogos2013/14NX Zero, Fernando & Sorocaba, Daniela Mercury, KLB, Edson & Hudson, Banda Calypso2 milhõesPop/rock, sertanejo e axé, 15 min de fogos2014/15O Rappa, Sorriso Maroto, Zezé Di Camargo & Luciano, Claudia Leitte, Edson & Hudson2 milhõesEstrutura ampliada, pop, samba, sertanejo e axé, 15 min de fogos2015/16Titãs, Michel Teló, Edson & Hudson, Claudia Leitte, Sampa Crew, DJ Marky2 milhõesPop/rock, sertanejo, axé e funk, 15 min de fogos2016/17Emicida, Elza Soares, Bixiga 70, Rashid, Rael, Tiê, Roberta Campos, DJs~2 milhõesShows de rap, samba, pop; diversidade de estilos2017/18Jorge Ben Jor, Gal Costa, Sambô, Banda Melim, Forró do Tico, DJs~2 milhõesSamba, forró, MPB; programação variada2018/19Leonardo, Fafá de Belém, Xamã, Banda Melim, DJs~2 milhõesSertanejo, MPB, rap; shows de grandes nomes2019/20Lulu Santos, Anavitória, Marcos & Belutti, DJs~2 milhõesÚltima edição antes da pandemia; pop, sertanejo2020/21Shows online: sertanejo, gospel, pagode, samba, funk—Evento presencial cancelado devido à COVID-19; shows transmitidos online2021/22——Evento presencial cancelado devido à COVID-19 (variante ômicron); apenas fogos e música mecânica 2022/23Fafá de Belém, Aíla, Roberta Carvalho, Padre Fábio de Melo, Ziza Fernandes, Xamã, Tierry, Leonardo, Mancha Verde1,5–2 milhõesRetorno após 2 anos; palco maior; tema “O Momento do Reencontro”; fogos silenciosos 2023/24Chitãozinho & Xororó, Zezé Di Camargo & Luciano, Claudia Leitte, DJs~2 milhõesGrandes nomes do sertanejo e pop; shows de longa duração 2024/25Gloria Groove, MC Livinho, Brenno & Matheus, Bruno & Marrone, Mocidade Alegre, DJs~2 milhõesQueima de fogos silenciosa; reforço de segurança; diversidade de estilos 2025/26João Gomes, Ana Castela, Maiara & Maraisa, Simone Mendes, Belo, Frei Gilson, Padre Marcelo Rossi, Colo de Deus, Latino, DJ KVSH2,1 milhões14 horas de shows; maior estrutura da história; Corrida de São Silvestre 100ª edição; fogos silenciosos 15 min

Organização, logística e segurança miniaturadaimagem|Banco do Brasil enfeitado em 2009 A magnitude do Réveillon da Paulista exige uma operação logística e de segurança altamente sofisticada, coordenada pela Prefeitura de São Paulo em parceria com órgãos estaduais e empresas privadas. O planejamento envolve o fechamento integral da avenida e vias adjacentes, instalação de palcos de grande porte, painéis de LED, torres de vídeo e áreas exclusivas para pessoas com deficiência.

Em 2026, por exemplo, o evento contou com um palco de 17 metros por 20 metros, dez torres de vídeo e uma área exclusiva para PCDs, além de 14 horas de shows gratuitos. A segurança é um dos pilares centrais do evento, com a mobilização de mais de 4.500 agentes, incluindo policiais militares, guardas civis metropolitanos e seguranças privados.

O monitoramento é realizado por milhares de câmeras inteligentes, drones, torres de observação, policiais infiltrados e câmeras com reconhecimento facial, além do uso de cão robô e bases móveis de monitoramento. Todos os acessos à avenida passam por revista, e a entrada de objetos potencialmente perigosos é rigorosamente controlada. A operação de saúde inclui postos médicos, ambulâncias, UTIs móveis e integração com unidades de pronto atendimento, enquanto a limpeza urbana mobiliza centenas de agentes para recolher dezenas de toneladas de resíduos após a festa.

O transporte público é reforçado com centenas de ônibus extras e monitoramento em tempo real, e a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) mobiliza agentes e viaturas para garantir a fluidez e a segurança viária. Protocolos de inclusão e proteção social, como o “Não Se Cale” para acolhimento de mulheres em situação de violência, também fazem parte do planejamento, assim como campanhas educativas e atendimento bilíngue para turistas.

Impacto econômico e turístico esquerda|miniaturadaimagem|Decoração da avenida em 2013