A Batalha do rio Quirós () foi um confronto militar ocorrido em 18 de setembro de 795, no contexto inicial da Reconquista, entre forças do Reino das Astúrias e tropas do Emirado de Córdova. O combate teve lugar na confluência dos rios Quirós e Pielgo, no atual território das Astúrias, e resultou numa vitória das forças muçulmanas comandadas por Abedelcarim ibne Abede Alualide ibne Muguite. Apesar da derrota, o rei asturiano Afonso II conseguiu evitar a destruição de seu exército, preservando a continuidade política do reino.
Contexto histórico Desde a Conquista muçulmana da Península Ibérica no início do , os reinos cristãos do norte da península mantiveram uma relação de conflito quase contínuo com os poderes islâmicos estabelecidos em Alandalus. O Reino das Astúrias emergiu como um dos principais focos de resistência cristã, sobretudo após as vitórias obtidas durante o reinado de Afonso II.
Em 794, os asturianos infligiram uma derrota significativa às forças muçulmanas na Batalha de Lutos. Em resposta, o emir de Córdova, Hixeme I, organizou uma grande expedição punitiva contra o reino cristão no ano seguinte. Duas colunas muçulmanas foram mobilizadas: uma avançou pela Galícia, enquanto a principal, sob o comando de Abedelcarim, dirigiu-se ao centro das Astúrias.
A campanha de 795 Inicialmente, Afonso II tentou organizar a resistência nas proximidades do passo de Puerto de la Mesa, mas, diante da superioridade numérica inimiga, decidiu recuar. Durante essa retirada, a retaguarda asturiana foi atacada e derrotada na Batalha de Las Babias.
Prosseguindo a perseguição, as tropas muçulmanas aproximaram-se da região de Quirós. Para ganhar tempo e permitir que o grosso do exército recuasse para posições mais favoráveis, Afonso II destacou um contingente de cerca de 3 000 cavaleiros, comandados por um de seus homens de confiança, Gadaxara.
A batalha O confronto ocorreu nas margens do rio Quirós, perto de sua confluência com o rio Pielgo. De acordo com as crônicas, o terreno era pouco favorável para grandes manobras de cavalaria, mas a superioridade numérica das forças muçulmanas foi decisiva.
Após um combate intenso, o contingente asturiano foi derrotado. A maioria de seus homens foi morta, e o próprio Gadaxara foi capturado — embora fontes posteriores sugiram que tenha sido executado pouco depois.
Consequências Apesar da derrota, o sacrifício da força comandada por Gadaxara cumpriu seu objetivo estratégico: permitiu que o rei Afonso II e o restante do exército se retirassem em segurança para Oviedo. As forças muçulmanas ainda avançariam, infligindo novas derrotas aos asturianos, incluindo na Batalha do Nalón, e chegando a ocupar temporariamente a capital do reino.
Contudo, Abedelcarim não conseguiu capturar o rei nem destruir definitivamente o exército cristão. A campanha terminou sem alcançar seu objetivo principal, preservando a continuidade do Reino das Astúrias.
Importância histórica A Batalha do rio Quirós ilustra a fragilidade militar do Reino das Astúrias nesse período inicial da Reconquista, mas também sua capacidade de adaptação estratégica. Embora derrotado taticamente, o reino conseguiu sobreviver politicamente, o que lhe permitiu consolidar-se e, nas décadas seguintes, avançar para o sul.
Na tradição historiográfica asturiana, o sacrifício de Gadaxara tornou-se símbolo de lealdade e resistência frente à expansão muçulmana.
Ver também Batalha de Lutos Batalha de Las Babias Reconquista Reino das Astúrias Emirado de Córdova
Bibliografia
Categoria:Batalhas da Reconquista Categoria:Batalhas envolvendo o Reino das Astúrias Categoria:Batalhas envolvendo o Emirado de Córdova Categoria:Conflitos do século VIII Categoria:795 Categoria:História das Astúrias